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Bênção de São Cristóvão atrai 5 mil

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Água benta no carro, nas mãos, na chave do veículo, na carteira de motorista. Desde 1965, a tradicional quermesse, carreata e bênção dos veículos em comemoração ao dia de São Cristóvão - 25 de julho - atrai milhares de pessoas à Igreja São Cristóvão, na avenida Nossa Senhora de Fátima.

Ontem, último dia da festa, entre 4 mil e 5 mil carros e caminhões enfileiraram-se para a bênção, segundo informações extra-oficiais da Polícia Militar (PM). A comemoração teve início pela manhã, quando os motoristas se reuniram na quadra 40 da avenida Nações Unidas e fizeram buzinaço pelas principais vias de Bauru.

“Faz 20 anos que eu venho para benzer meu carro. Graças a Deus, nunca sofri acidente. Enquanto tiver a oportunidade de vir, estarei aqui”, declara o caminhoneiro Luís Carlos Gomes, 46 anos. O “protetor dos motoristas”, como ficou conhecido São Cristóvão (leia texto ao lado), hoje é invocado para proteger não só aqueles que vivem na estrada, mas a todos que se “arriscam” diariamente no trânsito.

Mesmo na fila que se formou para a aspersão da água benta, que, segundo o policiamento de trânsito, chegava próximo à rodovia Marechal Rondon, a impaciência de alguns motoristas era visível - e audível. Quando havia demora para os carros seguirem em frente, ou por distração de alguns ou pelo controle da PM nos cruzamentos, vários motoristas apertavam a buzina ou reclamavam em voz alta.

Ao longo da avenida, próximo ao local da bênção, carro de som, faixas, bandeiras e cabos eleitorais demonstravam que a festa - com motoristas de Bauru e região - também atraiu a atenção dos políticos. Ontem, no entanto, apenas a propaganda eleitoral de Raul Gomes Duarte Neto, candidato a deputado estadual pelo PPS, podia ser vista na bênção.

Fiéis

A lentidão, no entanto, não desviava a atenção dos fiéis do objetivo da comemoração. “Todo ano venho benzer. Fico mais protegido para viajar”, declara o motorista José Alves, 44 anos.

Para o também motorista Claudemir Aparecido Pereira, 30 anos, a proteção de são Cristóvão é fundamental para vida atrás do volante. “Até agora nunca sofri acidente, venho sempre trazer o carro para a bênção”, afirma.

A quermesse em louvor a São Cristóvão começou na última sexta-feira e terminou ontem. De acordo com o pároco da igreja, Wagner Aurélio Palma, aproximadamente 20 mil pessoas passaram pela quermesse nos três dias de festa.

“Caminhoneiros e motoristas não só de Bauru, mas de toda uma grande região, vêm mesmo para cá, porque a devoção a São Cristóvão é muito grande”, declara o padre.

Quem foi

Segundo o pároco da igreja São Cristóvão, Wagner Aurélio Palma, a tradição da bênção do santo para os viajantes tem início no século XIII. “A tradição de São Cristóvão começa a ser difundida pelas pessoas que tinham de fazer alguma viagem perigosa, peregrinação. Como naquele tempo essas coisas eram bem mais difíceis, São Cristóvão era invocado para protegê-las”, revela.

Padre Wagner conta que, no entanto, São Cristóvão viveu no século 3. Até certa idade, ele era pagão, mas depois converteu-se ao cristianismo, pois queria servir a Deus e ao próximo. “A tradição começa na Idade Média, com uma história que contam de São Cristóvão. Ele era um soldado romano, muito forte, e ajudava as pessoas a atravessarem um rio que havia na região onde vivia. Enquanto fazia isso, ia contando histórias do Evangelho”, conta.

A revelação para São Cristóvão ocorreu numa dessas travessias. Padre Wagner relata uma história - não se sabe se real ou não - em que uma criança pediu a são Cristóvão que o ajudasse a atravessar o rio. Quando chegaram a outra margem, a criança teria se revelado como sendo Jesus. O menino agradece então pela ajuda e diz que o soldado será um mártir.

De fato, diz padre Wagner, durante o governo do imperador Décio, por volta do ano 250, São Cristóvão é perseguido, morto, torturado e decapitado. “Ele testemunha a fé dele pela própria vida”, afirma.

“Existe o fato concreto: ele foi um soldado pagão que se converteu ao cristianismo, e foi preso e decapitado; e na Idade Média começam a ser difundidas sua histórias, que, com o tempo, se transformaram na tradição que vemos hoje”, observa o padre.

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