Política

Garotinho pede voto em show gospel

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O candidato a presidente Anthony Garotinho (PSB) disse no sábado à noite, em Agudos, que não vai renunciar. Garotinho chegou à cidade às 22h15 para participar de um show gospel em comemoração aos 104 anos de Agudos. No palco, ele interrompeu a apresentação da Banda Comunidade de Nilópolis (RJ) e pediu aos presentes para ir ao segundo turno da eleição “em nome de Jesus”.

O candidato do PSB foi convidado pelo prefeito da cidade de 33 mil habitantes, José Carlos Octaviani (PMDB), a comparecer no evento comemorativo ao aniversário de Agudos. Octaviani disse que o show gospel não foi pago com verba da prefeitura, mas não indicou o patrocinador. Garotinho desceu no aeroporto de Bauru em um jatinho e foi direto para Agudos, onde falou por sete minutos para um público de cerca de 3 mil pessoas.

Garotinho pediu bênçãos à cidade aniversariante e fez uma relação entre um trecho bíblico e o período eleitoral. “Primeiro eu quero desejar muitas bênçãos a esta cidade para que ela possa continuar sendo administrada de forma correta, para o bem de seu povo mais humilde. Senhor prefeito, o Brasil precisa de um presidente que governe com o coração. A Bíblia diz assim: Onde estiver o seu coração, aí estará o seu tesouro. Infelizmente, nós temos um governo que não tem o coração no Brasil”, disse.

O candidato evangélico concluiu o comentário bíblico dizendo que esta situação está influenciando negativamente o País. “Hoje, quando vi no jornal ser vetado para o ano que vem um salário mínimo de R$ 240,00 e o presidente querendo dar R$ 208,00. Oito reais de aumento depois que tudo subiu da forma como está, eu me pergunto se está certo. Os tucanos dizem que não têm dinheiro para aumentar o salário mínimo. Mas tiveram R$ 108 bilhões para dar aos banqueiros. Para pagar juros da dívida”, discursou.

A profetização política prosseguiu com uma estranha referência ao salário mínimo em seu Estado. “Eu coloquei um propósito no meu coração. No Rio de Janeiro eu coloquei o salário mínimo maior do Brasil. Eu quero colocar como presidente da República o salário mínimo em R$ 280,00 como eu coloquei no Rio de Janeiro”, apontou. O ex-governador pareceu misturar para o público informação sobre o piso do funcionalismo estadual com o salário mínimo.

O candidato disse ao público que os demais concorrentes foram pedir dinheiro para os banqueiros em encontro recente com a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban). “O Lula, o Ciro e o Serra foram aos banqueiros para se reunir com a Febraban. Foram pedir aos banqueiros dinheiro para a campanha deles. Eu não fui, não vou e não quero dinheiro de banqueiro para minha campanha”, acusou.

Novamente o ex-governador direcionou o discurso para o tom evangélico. “Eu quero ser um candidato livre. Porque só um presidente livre será capaz de libertar o povo brasileiro. Nós estamos oprimidos. O Garotinho não vai pedir dinheiro aos banqueiros. É por isso que eles falam todos os dias que o Garotinho vai desistir. Mas nós não vamos desistir e vamos vencer em nome de Jesus”, disse.

O candidato pediu para que o público evangélico presente ao show o levasse ao segundo turno. “Me ajudem ir ao segundo turno em nome de Jesus”.

Promessas

Garotinho elencou supostas realizações de sua gestão à frente do governo do Rio de Janeiro. “Os três governadores que me antecederam fizeram 30 mil casas juntos. Eu em três anos fiz 35 mil casas e a população paga de prestação R$ 1,00 por uma casa por dois quartos, sala, cozinha e banheiro, com asfalto e com água, com esgoto. Apenas R$ 1,00 por mês de prestação”, afirmou.

Depois, disse que vai utilizar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para construir 500 mil casas aos mais pobres com R$ 6 bilhões. “Vamos construir para o povo mais humilde que não tem onde morar. E vamos fazer muito mais coisas que tenho em meu coração”, prometeu.

Garotinho encerrou seu discurso pedindo para o pastor Marcos Vinícius da Comunidade Nilópolis cantar uma música gospel que faz referência às pessoas doentes que precisam de “Deus para sarar suas feridas”. A música diz: “Deus sare esta Nação. E encerrou sua participação pedindo: “Me levem para o segundo turno em nome de Jesus. Eu quero voltar aqui no próximo aniversário como presidente da República”.

Desistências

Anthony Garotinho disse em Agudos que os candidatos que desistirem serão imediatamente substituídos em seus estados. Ele não quis polemizar com a desistência da deputada Lídice de concorrer na Bahia. “Todos os candidatos que desistirem serão substituídos. A nossa candidatura é pra valer, vamos para o segundo turno e vamos ganhar”.

Ele disse que o substituto de Jacó Bittar para o governo de São Paulo será conhecido na quarta-feira em reunião do diretório estadual. “Quarta-feira o diretório estadual se reúne e define o nome para o governo do Estado. Têm cinco pretendentes”, cita.

Apesar disso, o coordenador regional da campanha de Garotinho no Interior do Estado de São Paulo, Antonio Pedroso Júnior, informou que a vaga vai ficar entre quatro nomes. Os indicados são o vereador de São Vicente (SP) e ex-vice de Jacó Bittar, Raimundo Oliveira, o ex-prefeito de Diadema, Gilson Menezes, o ex-deputado federal por São Paulo, Vicente Cascione e o advogado e militante de Bauru, José Roberto Pittoli.

Os socialistas acreditam que Pittoli e Raimundo devem polarizar a indicação. Menezes enfrenta problemas de saúde e Cascione é considerado candidato a deputado federal praticamente eleito pela legenda. Carlos Roberto Pittoli é militante no partido há muitos anos, foi sargento do Exército servindo no 4º. RI de Quitaúna (SP) no período logo após a saída de Carlos Lamarca da guerrilha urbana.

Pittoli foi preso por dois anos e três meses e torturado pelos agentes da ditadura militar. Ele foi exonerado do Exército na época e guarda sequelas físicas do episódio. Pittoli tem formação em direito, administração de empresas e economia. Foi militante marxista.

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