Política

Herrmann aceita apoio de ACM a Ciro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

O deputado federal João Herrmann Neto (PPS) disse ontem à noite que a Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) não vai se opor a nenhuma manifestação de apoio ao candidato Ciro Gomes (PPS) para a eleição à Presidência da República. Herrmann considera natural o apoio dos que se desapontaram com o governo Fernando Henrique (PSDB), inclusive do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), a quem se referiu, recentemente, como o último ranço ultrapassado da política nacional.

Herrmann concedeu entrevista ao JC por telefone depois de realizar campanha na região de Itapeva (SP), no Sul do Estado. O coordenador nacional de política de Ciro afirmou que todos os candidatos que responderem por acusação comprovada de mau uso do dinheiro público serão desligados da campanha. Leia a entrevista na íntegra com o candidato a deputado federal.

Jornal da Cidade - Há pouco tempo o senhor se referiu a ACM como o último ranço da política nacional. O que mudou? João Herrmann - Nós não mudamos nada. Nós não tivemos nenhum tipo de mudança política no nosso comportamento até hoje. O que estamos recebendo são os descolados do governo Fernando Henrique. Os que se desapontaram e se desfraldaram em relação ao comportamento ético, moral, do comportamento, de encaminhamento dessa nação, de dependência externa. Romperam com o governo Fernando Henrique e querem, através das nossas idéias e de nossos programas, mudar o País. Isso faz parte de um diálogo nacional de mudança do País que instalamos há cinco anos, nas eleições de 1998. Nós dizíamos que tínhamos que criar um diálogo nacional não só de oposição, mas de todas as pessoas de oposição ao governo Fernando Henrique. Nós defendíamos um candidato único de oposição ao governo FHC. Não deu certo entre as oposições. Nós assumimos o nosso candidato e as pessoas que romperam com esse modelo estão chegando para nos apoiar.

JC - O perfil desses dissidentes não prejudica a candidatura Ciro, como a aproximação de ACM? Herrmann - Não posso negar apoio ao nosso programa. Eu posso divergir de pessoas que não compartilham das idéias que eu não tenho. Mas as idéias que eu tenho, eu compartilho. Não há nenhum problema deles apoiarem esse diálogo nacional.

JC - O senhor continua achando o ACM um ranço da política nacional? Herrmann - Considero o Antonio Carlos Magalhães uma pessoa que não fará parte de um projeto do meu País. Se ele servir para apoiar esse projeto futuro ele é bem-vindo.

JC - Mas o PFL não apóia sem interesse de participar do governo. É tradicional na situação e sempre quer estar junto. Herrmann - Quem explora isso não conhece Ciro Gomes. O Ciro é capaz de manter a hegemonia do processo sem misturar. Na hora em que você ver Ciro Gomes, Roberto Freire e João Herrmann discutindo esse processo você vê uma massa crítica. O nosso invólucro nós vamos definir.

JC - A campanha vai aprofundar o debate dos grandes temas nacionais? Herrmann - Se nós compararmos com 1994 e 1998, nós estamos em um outro país. Em 1998, não houve nenhum debate. O presidente da República não concedeu nenhuma entrevista. Não foi a debate. Havia só o discurso da continuidade do governo FHC. Em relação a 1998 há um avanço enorme. A mídia está cobrindo, discutindo. Os debates estão sendo marcados. Parece um novo país. E vamos avançar mais.

JC - O que difere o conteúdo de Ciro e Lula? Herrmann - É a capacidade única de se manter fiel e o Lula de se render. O Lula se rendeu ao mercado, se rendeu aos interesses e colocou em risco sua candidatura. Não deve jamais fazer isso. É sua carta de rendição que o tirou da oposição. E o levou hoje a ser escolhido pelo Fernando Henrique em um eventual segundo turno.

JC - Qualquer que seja o próximo presidente vai enfrentar um cenário duro na economia e na prática de governo? Herrmann - O atual presidente da República terá que manter uma postura muito democrática, muito séria e não poderá fazer a utilização de seu governo na campanha. É este presidente que tem que salvar o próximo, tem que salvar o País.

JC - Como o coordenador nacional de política da campanha do Ciro vê as denúncias contra o vice, Paulinho? Herrmann - O Paulinho foi ótimo para o governo enquanto durou. Eles diziam: o Paulinho, a grande liderança sindical. Iam visitar o Paulinho. O presidente da República achava o Paulinho o artífice da luta sindical do País nos últimos anos. Elogiavam o Paulinho o tempo todo. Quando o Paulinho virou vice de um grande candidato, inverteram.

JC - E as acusações contra o coordenador geral da campanha, José Carlos Martinez? Herrmann - Quem dever alguma coisa comprovadamente em termos de mau uso da coisa ou dinheiro público não ficará conosco. Não é o caso do deputado Martinez até este momento. Se comprovarem qualquer coisa com um candidato nosso, hoje e sempre ele sai. Isso vale até para o próprio Ciro.

JC - Como o coordenador vê a atração do eleitorado feminino, a metade dos que votam no País, pela expressão do Ciro e o chamariz da namorada, a Patrícia Pillar? Herrmann - Esta é uma questão que não sei analisar. Agora, quanto a Patrícia, é uma história "shakespeareana", uma história de amor. O povo viu que há um amor profundo entre os dois.

JC - Por que a Frente Trabalhista está sem força em São Paulo com a candidatura prematura do Cabrera? Herrmann - Olha, vamos esperar. Em São Paulo há uma pasteurização do debate. São o Chirac e o Le Pen nossos. Vamos esperar um pouco para ver se o debate chega até o governador. Por enquanto, este debate está concentrado quase que todo no presidente da República. Ninguém discute o modelo de São Paulo profundamente neste momento. Vamos chegar lá.

JC - Como o senhor recebe o apoio da Força Sindical ao tucano Aécio Neves em Minas Gerais? Herrmann - Eu pessoalmente apóio o Aécio. Já o fiz para presidente da Câmara e o faço como governador agora. Eu não faço diferenciação de democratas. Estou em um projeto nacional, não estou em um projeto partidário.

JC - Mas o PPS diz que os tucanos não compartilham desse projeto nacional? Herrmann - Há tucanos de bem e tucanos de mal. Isso é natural na política. Eu não faço essa avaliação de que todos os integrantes de um partido não prestam. Eu quero e procuro democratas para mudar o Brasil.

JC - O que o senhor espera do programa eleitoral de TV? Espera a exploração de denúncias ou de idéias? Herrmann - Eu posso esperar do nosso tempo na televisão e no rádio. O nosso será de programas, de idéias, de debate dos problemas nacionais e de suas soluções. Vamos difundir o que queremos fazer para o País. O dos outros, vamos ver.

JC - Uma vez atacados, qual será a reação? Herrmann - Se o ataque for pessoal, nós simplesmente desprezaremos. Se o ataque for político, nós vamos combater, vamos responder.

JC - O senhor vai dobrar com o ex-secretário Raul Duarte na região? Herrmann - Tenho uma relação intensa com a prefeitura de Bauru. A aliança que eu ajudei a promover na eleição de 2000 permitiu a eleição do Nilson. Não é diferente na região. Eu sou da região. Eu só acho que esse trabalho é natural, mas tem que ser feito com respeito à Eliane, que também é candidata. É evidente que o Ciro eleito o trabalho com a região vai se aprofundar. Vamos trabalhar pela região de Bauru no Palácio do Planalto.

JC - O senhor vai fazer uma dobradinha com o Raul Duarte na região? Herrmann - Eu adoraria, com respeito à doutora Eliane, é evidente.

JC - Para finalizar, o que esperar do Ciro Gomes presidente? Herrmann - Uma janela democrática para o futuro do Brasil.

Agenda

O presidenciável Ciro Gomes (PPS) desembarca em Bauru amanhã, às 8h45. O candidato vai cumprir sua primeira agenda na cidade no período eleitoral.

A assessoria informa que Ciro tem chegada prevista no aeroporto local às 8h45. Às 9h, ele concede entrevista coletiva à imprensa no Hotel Obeid Plaza.

Às 10h, Ciro se reúne com empresários, políticos e sindicalistas no hotel. Em seguida, faz uma caminhada no Calçadão da Batista de Carvalho. O candidato encerra sua agenda na cidade ao meio-dia, quando retorna para São Paulo.

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