Cuidado para comprar mercadorias e agressividade na hora de fazer a venda ao consumidor evitaram que o comércio de Bauru ficasse com peças de inverno “encalhadas†nas prateleiras, já que o frio ainda não veio neste ano. Nas lojas consultadas pelo JC, o estoque de roupas de lã e couro - que, tradicionalmente, entram em liqüidação no início de agosto - já estão em falta.
Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a temperatura média histórica dos meses de inverno em Bauru é de 20ºC, com mínimas que variam entre 11ºC e 13ºC.
Em julho de 2000, por exemplo, a cidade registrou mínima de 1,7ºC. Neste ano, a mínima foi de 7,8ºC. Ontem, dia considerado “frio†para quem estava acostumado ao calor de julho, a menor temperatura registrada foi de 17,8ºC.
Os comerciantes, prevendo temperaturas altas durante junho, julho e agosto, deixaram de comprar roupas “pesadas†e passaram a investir na linha meia-estação. Aliado a essa estratégia de compras, as promoções também começaram mais cedo neste ano. “Nossas compras foram cautelosas, justamente porque não parecia que estava chegando um inverno intensoâ€, revela Luciane Martinho, gerente de uma loja de confeções.
Segundo Luciane, as vendas de artigos pesados continuam, mas durante julho, foram pontuais, concentradas em dias frios. “Nos dias em que fez frio, acabamos com o que tinha de estoqueâ€, afirma. Ainda de acordo com a gerente, resta menos de 30% do que foi comprado pela loja, a maioria de roupas mais leves.
A comerciante Tatiana Viúde concorda que foi a cautela o que permitiu chegar ao início de agosto sem prejuízo. Para ela, o inverno de 2001, também com pouco frio, foi melhor que o deste ano. “Com a experiência do ano passado, que foi fraco de vendas no inverno, eu já não investi tanto para 2002. Este foi o inverno em que eu comprei menos mercadorias para a lojaâ€, declara.
Segundo Tatiana, com as compras direcionadas para roupas de meia-estação, ainda resta pouco mais de 10% da mercadoria em estoque. “Se tivesse feito bastante frio, este inverno seria excelente. Além disso, os clientes aproveitam essas peças mais leves até setembroâ€, revela.
Ainda de acordo com Tatiana, o movimento de clientes em busca de mercadorias para o verão, no entanto, já começa a aumentar. “O pessoal já está perguntando pela coleção de verão, o que quer dizer que quem tem roupa de inverno vai vender pouco daqui para frenteâ€, prevê.
Bons resultados
Mesmo com o frio tímido, alguns comerciantes comemoram as vendas de inverno. “Alguns lojistas estão reclamando, mas nós vendemos 30% a mais do que no ano passado, porque antes do comércio em geral entrar com promoções, nós já entramosâ€, conta o gerente de uma confecção da cidade, André Ribeiro Miranda.
Segundo ele, os artigos de inverno venderam bem, resultando em estoque quase zero. Para Miranda, o fato da empresa onde ele trabalha fabricar seus produtos traz facilidades para flexibilizar os preços e lançar promoções mais agressivas quando há ameaça de encalhe.
A vendedora Rinara Verre também afirma que a loja de confecções onde trabalha comprou na “medida certa†para este inverno.
Para as promoções deste fim de estação, conta ela, não sobrou quase nada. “Não temos mais muita coisa porque nós não investimos em roupas pesadas. Mesmo assim, quando há dias mais frios, as vendas sempre dão uma aquecidaâ€, conclui.