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Bauru: Feliz Aniversário!


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Bauru é uma cidade linda, portentosa, arborizada, de ruas largas e extensas; suas manhãs brilham com o sol, às vezes escaldante, cujos raios iluminam o povo trabalhador da urbe. As noites são claras devido às estrelas que as abrilhantam. O crepúsculo vem naturalmente, como a água que jorra nos rios. São anos de existência, de progresso e de desenvolvimento; o futuro, porém, é incerto. Aristóteles afirmava: “Fecham-se os olhos diante de um pequeno inconveniente, mas quando ele assume certa dimensão, não podemos deixar de vê-lo”.

Com efeito, enquanto a natureza é bela e indica a felicidade, a estagnação econômico-social refuta a esperança de dias melhores. Apesar dos esforços - louváveis, diga-se - e das enormes dificuldades, operacionais, econômicas e políticas, da municipalidade, ruas públicas estão em estado lamentável, devido aos buracos e às sujeiras que se avolumam nelas; terrenos baldios ostentam matos e propagandas comerciais, que enfeiam a cidade; muros são espicaçados por indivíduos mal-intencionados, que lançam seus pincéis sobre eles, com pouca preocupação com o ambiente visual, apesar da contrariedade dos proprietários; placas sinalizadoras de trânsito estão sendo destruídas devido à conduta indelével de pessoas risíveis; motoristas apresentam sinais de sofreguidão, tendo em vista o trânsito que já se faz caótico em algumas vias públicas.

Órgãos públicos, do Estado e da União, seguram-se na barca estupidante, para não afundarem no mar raivoso da cidade; sobrecarregados de serviços burocráticos, da falta de vagas, de servidores e de equipamentos para o serviço público, aguardam o milagre do reconhecimento de sua importância à comunidade, à medida da necessária conscientização dos detentores do poder local.

Tudo acrescentado por uma boa dose de aculturação de grupos menores, preocupados mais com o sucesso de seus integrantes do que com o bem-estar social. Olvidam, contudo, as palavras de Aristóteles: “Em todo Estado há duas coisas a considerar, a qualidade e a quantidade de pessoas.”

Lutas insensatas travam-se na sociedade, com resultado pífio ao bem comum. Deseja-se destruir o suposto inimigo, prevê-se, ao contrário, consequências danosas ao povo. Quer-se manter a unidade de uma facção qualquer, em detrimento do universal, daquilo que interessa à comunidade. Não se sabe, ao certo, qual a autoridade com anseios de um vencedor.

A cidade dorme, extasiada, na esperança de poder acordar e ver novos horizontes, como os de outra era, que parece que se perderam. Nesse cipoal de agruras sócio-econômicas, poucos regozijariam o aniversário dela; talvez, nem mesmo o político Azarias Ferreira Leite, brutalmente assassinado, em 1910, se conteria, ao ver a outrora bela e promissora Bahuru. Feliz Aniversário, Bauru! (O autor, Heraldo Garcia Vitta, é bauruense, mestre em Direito pela PUC-SP, prof. de Direito, pres. do Instituto Bauruense de Direito Público, Juiz Federal)

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