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Circulando - Penélope Charmosa de Piratininga

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Se você acha que já viu de tudo nessa vida, então é porque ainda não foi para Piratininga. Lá, o Paulo Eduardo Silva, 22 anos, e seu irmão André, mais conhecidos por irmãos Willys, transformaram uma Brasília 1978 em verdadeira atração da cidade.

E não é para menos. O carro possui uma particularidade raríssima de poder ser vista circulando pelas ruas: por dentro e por fora, a cor predominante é o rosa pantera. O capricho dos irmãos transformou o automóvel em uma “jóia rara”, tal a sua beleza e estado de conservação.

Por fora, além da cor, o que mais chama a atenção são as rodas esportivas aro 15, as lanternas traseiras fumês, um engate e um pequeno adesivo colado no vidro traseiro que homenageia a personagem dos desenhos “Penélope Charmosa”, dona de um veículo da mesma cor.

No interior, o volante e a alavanca do câmbio são esportivos, o painel é revestido de corvim rosa e os bancos mesclados de branco com o tom pantera cor-de-rosa. Além disso, a Brasília ainda possui instalação completa de som, com direito a CD player e alto-falantes.

Entretanto, as ligações, principalmente de Paulo Eduardo, com a Brasília vão muito além do simples prazer e “privilégio” de ser seu proprietário. É que ele pretendia dá-la de presente para a sua então namorada, o que acabou não se concretizando porque ambos romperam antes o relacionamento.

Tudo começou quando o jovem procurou um amigo para comprar a Brasília, originalmente na cor azul, que já a possuía há muitos anos. “Disse-lhe que iria pintá-la de rosa para fazer uma surpresa a uma pessoa. Ele me respondou brincando que eu não seria louco ao ponto de pintá-la na cor que pretendia”, conta Paulo. E acrescenta: “Mas como a vida dá voltas, o carro não pode ser dado, pois terminamos antes que ela estivesse pronta.”

Entretanto, engana-se quem pensa que o jovem desanimou-se com a desilusão amorosa e com o fato de não ter feito a surpresa para a então namorada. Atualmente, com a Brasília já concluída, Paulo Eduardo aproveita ao máximo o carro e pretende participar freqüentemente dos encontros de autos antigos.

Ele também deixa claro que um dia deve encontrar um novo amor. “Todos cobiçam a Brasília. Ainda tenho muito o que curtir com ela e, quem sabe, não existam candidatas a serem as Penélopes Charmosas”, brinca o jovem.

Trabalho árduo

Quem vê hoje a Brasília não imagina o trabalho que Paulo e seu irmão tiveram para restaurá-la. Ele a comprou, em dezembro do ano passado, em péssimo estado de conservação e, após seis meses de muito esforço e dedicação, conseguiu deixá-la como se encontra hoje.

A grande dificuldade, conta Paulo, foi encontrar o tom de rosa desejado. “Não encontrava de forma alguma e o problema só foi solucionado graças ao Osnir, que trabalha em uma loja de tintas e a fez rapidamente”, revela ele.

Mesmo já tendo gasto cerca de R$ 5,5 mil nas reformas e adaptações na Brasília, que obviamente já foi apelidada de Penélope Charmosa, Paulo planeja efetuar ainda várias modificações no veículo, como a colocação de um motor de Santana e freios a disco. “Um carro feito nunca acaba, pois sempre surgem idéias novas”, filosofa o jovem. Vendê-la, nem pensar. “Fazemos mais pelo carinho pelos carros e não para visar lucro”, complementa.

Paulo também agradece aqueles que, segundo ele, sempre lhe deram o apoio moral e material necessário para terminar a restauração da Brasília. “Sem o auxílio da minha mãe e do meu irmão, que para mim são verdadeiros anjos, não teria conseguido”, diz ele. E conclui: “Além deles, contei com a ajuda especial de uma auto escola, uma tapeçaria, um pintor e um funileiro.”

Perfil

• Nome Paulo Eduardo Silva

• Idade 22 anos

• Profissão Mecânico

• Lugar para passear Brotas (SP)

• Time do coração Palmeiras

• Quem você levaria no porta-malas da sua Brasília?

“O Fernando Henrique Cardoso.”

• E quem você faria questão de ter como passageiro?

“A mãe de um amigo, a Sissi da farmácia, que é muito bacana.”

• O que mais lhe irrita no trânsitode Bauru e Piratininga?

“As barbeiragens daqueles que não sinalizam a intenção de conversões e as lombadas irregulares e totalmente fora dos padrões.”

• Que nota você daria para os motoristas dessas cidades?

“Não sei, pois há mais motoristas bons do que ruins. Imprudências acontecem em qualquer lugar.”

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