Febre nos países orientais, as “LAN houses†chegaram a Bauru há cerca de três meses. Só nos últimos 15 dias, foram inauguradas duas casas do gênero na cidade - uma delas, franquia da maior rede da América Latina. Os valores impressionam: o custo de implantação de uma loja varia entre R$ 100 mil e R$ 250 mil.
O nome “LAN house†vem de “Local Area Networkâ€, ou seja, uma rede de computadores que funciona a partir de um servidor local. Em outros termos, é um estabelecimento com dezenas de computadores interligados, onde os usuários jogam entre si em máquinas de última geração. Para o consumidor, os preços são atraentes: de R$ 2,50 a R$ 4,00 por hora.
Em Bauru já há quatro “LAN houses†em funcionamento, todas na zona Sul da cidade, que também permitem acesso à Internet em alta velocidade. Para atrair os clientes, as lojas têm horários bastante flexíveis e costumam permanecer abertas durante a madrugada, no chamado “corujãoâ€, a preços mais acessíveis. Nesse horário, menor de idade desacompanhado não entra. Só é permitida a entrada de menores das 10h às 22h.
As casas também fazem promoções criativas, como a do boletim escolar. Quem tem média de notas maior que nove, por exemplo, ganha determinado número de horas para jogar.
â€œÉ uma diversão barata, se comparada com outras opções de lazer nos dias de hojeâ€, ressalta Daniel Sakai, proprietário de uma franquia do gênero. A rede da qual faz parte tem mais de 30 lojas no País e é referência internacional no ramo. Para a instalação de uma franquia, o custo é de R$ 200 mil a R$ 250 mil.
De acordo com Sakai, apesar do investimento pesado, o Interior é um local onde o segmento ainda é novidade. Ele veio de São Paulo há um mês, especialmente para instalar a loja. “O retorno deve vir em dois anos, no máximo. Mas já vi casos em que a casa recuperou em oito mesesâ€, afirma. Segundo o gerente de comunicação da rede, Leonardo De Biase, cada máquina fatura, mensalmente, cerca de R$ 1 mil.
Concorrência
De acordo com o gerente de outra “LAN houseâ€, Diego Pugliese, o período de férias foi bastante rentável para sua loja, que recebia cerca de 70 usuários por dia. Segundo ele, o investimento para abrir a casa foi de R$ 110 mil, há cerca de três meses.
Para manter a freqüência alta, Pugliese calcula que, em breve, os computadores terão de receber novos acessórios para não ficarem em desvantagem em relação aos concorrentes. “A pessoa pode ter até o jogo em casa, mas não tem a mesma qualidade. É preciso sempre atualizar as máquinas para manter o diferencialâ€, observa.
A concorrência, apesar de crescente, não assusta André Pontes, proprietário de outra casa do gênero, que foi inaugurada há cerca de uma semana. “Acho que tem espaço para todas (casas) na cidade. Somando todas as máquinas, existem cerca de 120 para Bauru inteiroâ€, declara.
Na opinião de Pontes, o pesado investimento inicial deve retornar em cerca de dois anos, apesar da preocupação em comprar novas placas 3D para as máquinas recém-instaladas. “Creio que dá para recuperar em dois anos, mas numa previsão não muito otimistaâ€, completa.
Em equipe
Nem todos os freqüentadores das “LAN houses†são adolescentes, mas os adultos não gostam de falar quando abordados. Timidamente, os computadores também começam a ser ocupados por meninas.
â€œÉ a primeira vez que venho, mas estou achando muito legal. Já estou aprendendo bem. É bem melhor jogar em rede do que no jogo individualâ€, revela Julieta Shayeb Rissato, 12 anos.
O irmão dela, Renan, 13 anos, também é um jogador assíduo. Ele apresentou o boletim escolar com boas notas e ganhou algumas horas grátis. “Não venho todos os dias, mas quando venho, jogo mais ou menos por duas horasâ€, conta. E completa: “Como em rede dá para formar equipes, é bem mais legal que jogar em casaâ€.
Já Felipe de Carvalho Passos, 13 anos, admite que vai ter de diminuir as horas de jogo agora que as férias acabaram. Ele conta que, sem aulas, costumava jogar todos os dias, quando gastava cerca de R$ 20,00 por semana. “Jogo em média uma a duas horas por dia. Tenho o jogo em casa, mas aqui é melhor brincar porque é todo mundo junto, então a gente se diverte maisâ€, argumenta.
Sucesso
O campeão de público nas “LAN houses†é o Counter Strike, que está há três anos no mercado. No jogo, policiais e terroristas se enfrentam no resgate de reféns - o jogador pode escolher para que lado quer jogar.
Como também é possível escolher o cenário, um grupo de brasileiros criou uma simulação de resgate num morro carioca. Para se ter uma idéia do sucesso do jogo no País, uma equipe brasileira terminou em sétimo lugar na categoria, disputada no último World Cyber Games, realizado na Coréia do Sul.
“O Counter Strike é um jogo rápido. Uma partida demora, no máximo, quatro minutos. Então, por pior que o jogador seja, ele vai ficar esperando apenas quatro minutos por uma nova partidaâ€, explica Daniel Sakai, proprietário de uma franquia do ramo.
Ainda segundo Sakai, o sucesso do jogo se deve à possibilidade de disputa por times - terroristas contra policiais -, formado por usuários no mesmo ambiente. “Quase nenhum jogo comporta 40 pessoas de uma só vezâ€, finaliza.