O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) José Carlos Simonelli reconhece o trabalho desenvolvido no complexo penitenciário como sendo o quarto distrito produtivo de Bauru.
Ele conta que existem várias indústrias, inclusive de fora, que terceirizam alguns componentes de seus produtos dentro das penitenciárias. Outras colocam máquinas modernas à disposição. Simonelli aponta também que a prática de política de incentivo ao trabalho do detento desonera em parte o governo da manutenção dos presídios.
“Os presos, de certa forma, recebem salário, obtêm redução na pena, mas o que é mais importante: têm uma atividade. Eu acho que deveria até existir um condição semelhante em todas as unidades penitenciárias do Brasil. Não vejo o que ocorre em Bauru em muitos lugares não. Existe na região de Matão e Pirajuí. Mas não vejo em grandes centros como era o caso do Carandiru. Isso não acontecia por lá.â€
O diretor do Ciesp diz que este modelo com uma desconcentração de detentos produzindo, seja na agricultura ou o que for, é uma forma de reeducar o preso e uma condição do indivíduo se reintegrar na sociedade. “Na maioria das vezes, a pessoa muito tempo afastada do trabalho perde o referencial.
Vagas
Simonelli rebate a crítica de que as indústrias nos presídios estariam tirando vagas de pessoas que nunca cometeram crimes e estão no mundo fora das grades, mas presas pelo desemprego.
“A situação ideal seria ter vagas aqui fora e proporcionar vagas lá dentro. O mercado aqui fora tem que ser estimulado não em detrimento de se fechar vagas num lugar como esse. O trabalho tem que ser desenvolvido e se por um lado a sociedade condena esse tipo de trabalho, ela tem que abrir portas de outra forma para que fora da penitenciária também tenha emprego e não fechando as vagas no presídio.â€
Ele reconhece que possa ocorrer uma diminuição nas vagas de trabalho dentro destas indústrias em virtude de empregar na penitenciária. Mas por outro lado, ressalva a necessidade da reintegração à sociedade cujo único caminho eficaz é o trabalho. “Na hora em que você pondera e põe numa balança esta situação, percebe o quanto é importante.â€
O diretor comenta que existem casos de empresas em Bauru que nasceram de oficinas dentro das penitenciárias e que conseguiram se expandir, abrir frentes de trabalho fora dos presídios e chegaram a ganhar prêmios de qualidade.
“Na verdade, o trabalho nos presídios é pouco significativo no universo do mercado. Mas as pessoas não têm noção da dimensão do que esse trabalho pode reverter em benefícios para a sociedade.â€