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Ciesp reconhece setor

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) José Carlos Simonelli reconhece o trabalho desenvolvido no complexo penitenciário como sendo o quarto distrito produtivo de Bauru.

Ele conta que existem várias indústrias, inclusive de fora, que terceirizam alguns componentes de seus produtos dentro das penitenciárias. Outras colocam máquinas modernas à disposição. Simonelli aponta também que a prática de política de incentivo ao trabalho do detento desonera em parte o governo da manutenção dos presídios.

“Os presos, de certa forma, recebem salário, obtêm redução na pena, mas o que é mais importante: têm uma atividade. Eu acho que deveria até existir um condição semelhante em todas as unidades penitenciárias do Brasil. Não vejo o que ocorre em Bauru em muitos lugares não. Existe na região de Matão e Pirajuí. Mas não vejo em grandes centros como era o caso do Carandiru. Isso não acontecia por lá.”

O diretor do Ciesp diz que este modelo com uma desconcentração de detentos produzindo, seja na agricultura ou o que for, é uma forma de reeducar o preso e uma condição do indivíduo se reintegrar na sociedade. “Na maioria das vezes, a pessoa muito tempo afastada do trabalho perde o referencial.

Vagas

Simonelli rebate a crítica de que as indústrias nos presídios estariam tirando vagas de pessoas que nunca cometeram crimes e estão no mundo fora das grades, mas presas pelo desemprego.

“A situação ideal seria ter vagas aqui fora e proporcionar vagas lá dentro. O mercado aqui fora tem que ser estimulado não em detrimento de se fechar vagas num lugar como esse. O trabalho tem que ser desenvolvido e se por um lado a sociedade condena esse tipo de trabalho, ela tem que abrir portas de outra forma para que fora da penitenciária também tenha emprego e não fechando as vagas no presídio.”

Ele reconhece que possa ocorrer uma diminuição nas vagas de trabalho dentro destas indústrias em virtude de empregar na penitenciária. Mas por outro lado, ressalva a necessidade da reintegração à sociedade cujo único caminho eficaz é o trabalho. “Na hora em que você pondera e põe numa balança esta situação, percebe o quanto é importante.”

O diretor comenta que existem casos de empresas em Bauru que nasceram de oficinas dentro das penitenciárias e que conseguiram se expandir, abrir frentes de trabalho fora dos presídios e chegaram a ganhar prêmios de qualidade.

“Na verdade, o trabalho nos presídios é pouco significativo no universo do mercado. Mas as pessoas não têm noção da dimensão do que esse trabalho pode reverter em benefícios para a sociedade.”

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