Tribuna do Leitor

Carnaval ao luar do sertão

Omar Barreto
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Num dos anos 30 eu estava morando e trabalhando em Pirangy, uma rica vila da região do cacau. O único grande melhoramento público que lá existia era a ponte de concreto sobre o rio Almada, muito usada pelas tropas, sendo que, no começo de noite de lua, ficava apinhada de gente passeando ou paquerando, menos certa noite de Carnaval na plenitude lunar. A população comparece à rua sem iluminação acompanhando os fantasiados e mascarados. O desfile começa à tardinha e se prolonga pela noite de lua cheia. Acompanhado do trombone que tocava a melodia, parecia que o saxofone, como num dialeto e voz meio rouca, “cantava” direitinho a letra da marchinha romântica: “Se a lua contasse/ tudo o que vê/ de mim e de você/ muito teria o que contar/ contaria que nos viu brigando/ viu você chorando/ me pedindo pra voltar”.

PS - O tempo passou e daqui de longe um octogenário assim, assim a relembrar um Carnaval de antanho em que só a própria lua clareava a marcha dos foliões pirangyienses... (Omar Barreto - RG: 5.663.388-9)

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