Regional

Prefeito de Iacanga quer anular decreto

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Iacanga - A assessoria jurídica da Prefeitura de Iacanga entrou na última quarta-feira com um pedido de anulação do decreto legislativo emitido pela Câmara Municipal, na segunda-feira. O decreto rejeitou as contas do prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL), referentes ao exercício financeiro de 1999.

Por cinco votos contra quatro, os vereadores aceitaram o parecer desfavorável à aprovação das contas da prefeitura emitido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A principal irregularidade apontada pela fiscalização do TCE foi a aplicação insuficiente de recursos na área da Educação.

Por lei, toda prefeitura precisa gastar pelo menos 25% de seu Orçamento com o ensino. Em Iacanga, esse gasto teria ficado em 21,24%, em 1999, segundo apontou o TCE. Por isso, o órgão emitiu parecer desfavorável à aprovação das contas daquele ano.

Alegando cerceamento de defesa, o prefeito Durvalino, por meio da assessoria jurídica da prefeitura, acionou a Justiça com pedido de anulação do decreto.

A ação ordinária foi protocolada na última quarta-feira no Fórum de Ibitinga. Segundo o advogado José Augusto Pereira de Oliveira, não há previsão de quando a ação será julgada.

De acordo com o advogado, a defesa do prefeito é um direito fundamental, que está assegurado pela Constituição Federal. Ele usou o inciso 55 do artigo 5º da Constituição como o principal argumento de sua ação.

Segundo a lei, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.

O prefeito alega que em momento algum ele foi convidado pela Câmara a apresentar sua defesa. “Não foi dado (ao prefeito) o conhecimento de que suas contas estavam sendo julgadas”, argumenta Oliveira em sua ação.

Por esse motivo, Durvalino não teve como “justificar as questões dúbias surgidas no procedimento administrativo de julgamento de suas contas”, pontuou o advogado.

Chances remotas

Na opinião do presidente da Câmara Municipal de Iacanga, Carlos Francisco Abdala (PPB), são remotas as chances do prefeito conseguir anular o decreto legislativo.

Segundo ele, o procedimento da Câmara foi correto e seguiu as determinações de seu Regimento Interno.

Ele citou o artigo 173 do Regimento para tentar justificar a legalidade da decisão dos vereadores.

Na letra “e”, do parágrafo 3º desse artigo, está escrito que, quando se trata de parecer do TCE sobre as contas do prefeito, o orador tem direito de usar a palavra por 15 minutos, com apartes.

O Regimento não especifica quem será o orador, nesse caso. De acordo com o presidente da Câmara, normalmente, quem usa a tribuna, nessas ocasiões, é o líder do prefeito. Segundo Abdala, o vereador Antônio Carlos de Almeida (PFL) teria se encarregado da defesa do prefeito.

“O Tribunal de Contas deu todo o direito de defesa ao prefeito. E as contas foram rejeitadas. Nós apenas julgamos o parecer do Tribunal”, alegou Abdala.

Dívidas da Câmara

Iacanga - As dívidas da Câmara Municipal de Iacanga com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de R$ 106 mil, estão sendo cobradas da prefeitura. Incorformado, o prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL) se prepara para ingressar no Ministério Público (MP) em busca de amparo legal para não pagar essa dívida.

Essa inversão de cobrança ocorre porque a Câmara não tem personalidade jurídica.

As dívidas se referem ao não-recolhimento de contribuições previdenciárias de vereadores e de funcionários da Câmara, desde 1998.

De acordo com o advogado Acir Gomes de Oliveira, a intenção é alertar o MP sobre essas supostas irregularidades. Ele informou que deve procurar o MP já na próxima semana.

Para o presidente da Câmara, Carlos Francisco Abdala (PPB) as contribuições não foram pagas porque o dinheiro que seria usado para saldar essas dívidas foi devolvido à prefeitura.

“Se fosse para a Câmara pagar (as contribuições previdenciárias), não teria devolvido dinheiro para a prefeitura.” Segundo as contas de Abdala, de 1999 a 2001 a Câmara devolveu aos cofres municipais cerca de R$ 142 mil.

“Com esse valor, daria para pagar todas as dívidas e ainda sobraria dinheiro”, declarou Abdala.

Mensalmente, a prefeitura repassa à Câmara 6% de tudo o que o município arrecada. No fim do ano, aquilo que não foi usado pelos vereadores é devolvido aos cofres do município.

Do total da dívida com o INSS - cerca de R$ 106 mil - R$ 26 mil referem-se apenas a multas pelo não-pagamento das contribuições previdenciárias.

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