Arealva - Os mais afetados com a decisão da prefeitura em reformar as barracas da prainha é, sem dúvida, os barraqueiros. De acordo com Orlando Furlaneto, 59 anos, até um advogado já foi contratado para tentar encontrar um meio legal dos barraqueiros permanecerem no local. Mas até agora nada nenhuma novidade teria sido anunciada.
Furlaneto contou que possui uma barraca desde 1998 e pagou por ela R$ 6,5 mil. Segundo ele, as vendas no verão sempre são boas. Impulsionada, principalmente, pelo comércio de bebidas e de porções.
Embora demonstre irritação com a atitude do prefeito, ele não descarta a possibilidade de participar de uma possível concorrência pública para ficar com uma das quatro barracas que a prefeitura irá construir no local.
A situação de um outro barraqueiro é ainda mais complicada. Ele disse que comprou a barraca em setembro do ano passado e ainda não terminou de pagá-la.
Em troca, ele ofereceu um Chevette (avaliado em R$ 3 mil) mais parcelas mensais de R$ 500,00. Com a decisão da prefeitura, ele ficou sem carro e sem barraca. “Perdi tudo. Agora estou com uma mão na frente e outra atrásâ€, resumiu ele, que pediu para não ter o nome revelado.
O barraqueiro disse que entrou em contato com o antigo dono da barraca e conseguiu anular sua dívida. Pelo menos uma boa notícia.
Dona de uma das melhores barracas da praia, segundo avaliação de freqüentadores, Viviane Longo Furlaneto, 22 anos, ainda não sabe o que vai fazer.
Segundo ela, 90% dos barraqueiros são pessoas humildes, que não tinham outro meio de ganhar dinheiro. O faturamento dela, em um dia bastante movimentado, chegava a R$ 1,2 mil.
No local desde os 9 anos de idade, Viviane disse que a ordem da desocupação foi comunicada há cerca de dois meses.
Enquanto ela ainda não decidiu o que fazer, outros barraqueiros não perderam tempo e negociaram as telhas e madeiras de suas barracas, antes que a prefeitura chegue e coloque tudo abaixo.
Um dos compradores, Hélio Hermínio Fassoni, 57 anos, disse que pagou R$ 300,00 pelo material. Segundo ele, o proprietário reformou a barraca há pouco tempo e, por isso, o material ainda estava em boas condições de uso. Segundo Fassoni, o antigo proprietário chegou a gastar R$ 8 mil com a reforma.