Bairros

Perigo de atropelamento é iminente

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Além do perigo de se machucar com cerol - mistura feita de pó de vidro e cola - os pipeiros correm um outro tipo de risco ao brincar nas ruas: o de ser atropelado. A polícia não tem estatísticas relativas somente a esse tipo de ocorrência, mas diz que é comum acontecerem acidentes nos quais as vítimas são crianças ou jovens em busca de uma pipa.

O último foi registrado domingo, dia 28, no Parque São Geraldo. Alexandro Leonardo Mendes de Souza, 17 anos, morreu ao ser colhido por um ônibus circular, quando corria atrás de uma pipa. De acordo com testemunhas, o rapaz seguia em sua bicicleta em alta velocidade para tentar alcançar o brinquedo que estava caindo. Chegando ao cruzamento da alameda do Ipê com a rua Plínio Camargo, ele tentou frear, mas a bicicleta empinou e o jogou ao chão. O ônibus não teve tempo para desviar e acabou atropelando o rapaz, que morreu antes mesmo de ser socorrido.

Quando estão tentando resgatar uma pipa que está caindo, crianças e adolescentes costumam correr sem olhar o que tem pela frente. “A gente nem olha para a rua. Os carros é que têm que parar para não nos atropelar”, diz I.A.C.L., 9 anos. Fissurado na brincadeira de empinar papagaio, ele conta que quando vê um desses caindo, corre até alcançá-lo.

A reportagem do JC nos Bairros pôde constatar isso bem de perto. Quando estava fazendo essa matéria, no Jardim Bela Vista, um grupo de crianças e jovens avistou uma pipa caindo e disparou atrás do brinquedo. Um dos meninos entrou na frente do carro de reportagem sem se dar conta do perigo. Por sorte, o motorista estava estacionando o veículo e conseguiu brecar sem maiores problemas.

R.R.S., 15 anos, destaca que um amigo seu foi atropelado certa vez no Núcleo Geisel enquanto corria atrás de uma pipa. “Ele quebrou as duas pernas”, diz.

Direção defensiva

O motociclista Marcos da Silva Rio, 26 anos, diz que existe uma preocupação grande dos motoristas com relação às crianças nas ruas. “Além, do perigo da linha do cerol, nós tememos atropelar alguém”, salienta.

Ele destaca que as crianças entram na frente dos veículos sem se preocupar se poderão ser atropeladas ou não. “A gente é que tem de ficar atento”, frisa.

O coordenador operacional interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), capitão Manoel Messias Mello, reforça a tese do motociclista. Ele diz que no caso do iminente perigo do atropelamento cabe aos motoristas ficarem atentos ao que pode vir pela frente. “O motorista precisa ter essa percepção e diminuir a velocidade do veículo. Nós sabemos que onde tem uma pipa no ar ou bola, sempre vem uma criança correndo atrás”, diz.

Ele ressalta que isso é uma questão de direção defensiva, ou seja, cabe ao motorista se prevenir do acidente. “Também é bom destacar que a participação dos pais é essencial nesse caso, dando orientação e alertando os filhos para os perigos das ruas.”

A recomendação do capitão da PM é para que as brincadeiras com pipas sejam feitas em campos abertos, praças ou locais onde não haja o perigo dos veículos e dos fios elétricos. “Empinar pipa é uma brincadeira que requer certos cuidados e os pais devem ficar atentos a isso”, destaca o policial.

Comentários

Comentários