Polícia

Polícia esclarece morte de ex-jogador

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Menos de 12 horas depois do crime que vitimou Carlos Alberto Gomes da Costa, ex-jogador de futebol e supervisor do Esporte Clube Noroeste, o caso foi esclarecido. O acusado de co-autoria do crime está preso e o autor está sendo procurado pela polícia.

O assassinato foi esclarecido durante a madrugada de ontem, quando a Polícia Militar localizou uma adolescente de 17 anos que mantinha um relacionamento amoroso com o ex-jogador. Ela presenciou o crime e foi quem acionou a Unidade de Resgate e a polícia usando o celular da Carlos Alberto, o Carlão.

Pela versões apresentadas na polícia até ontem, a menor estava no interior do carro do ex-jogador, um Tempra, placas BLN 2973, de Bauru. O veículo estava estacionado em frente ao número 3-43 da rua Olavo Moura, Jardim Lili, onde a adolescente mora nos fundos.

Na versão dela, o casal conversava quando dois rapazes passaram de moto e olharam fixamente para Carlão, que não gostou de ser observado desceu do carro armado com uma pistola 6.35. O ex-jogador teria apontado a arma para o tapeceiro Nilson Pinto Ramalho, 22 anos, passageiro da moto.

Entre eles surgiu uma discussão. Ramalho teria dado um tapa na arma que estava na mão de Carlão, derrubando-a ao chão. Os dois teriam entrado em luta corporal, momento em que Ramalho pediu para o mototaxista Marcos Contrin Barcos, 28 anos, o outro rapaz, entregar um revólver calibre 38 para ele.

Com o revólver, conforme apurou a polícia, Ramalho teria disparado os quatro tiros que atingiram a vítima no peito, axila, cabeça e orelha. Após o crime, o mototaxista fugiu sem dar fuga ao colega, apontado como autor dos disparos. Ramalho teria fugido a pé até a esquina e embarcado em uma moto cinza.

A adolescente que acompanhava Carlão, pegou o celular dele e acionou a Unidade de Resgate e a polícia. Porém, os ferimentos foram tão graves que o ex-jogador não resistiu e morreu. A versão apresentada pela adolescente e por Barcos está sendo confirmada pela equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Nilson Ramalho continua sendo procurado pela polícia não só em Bauru, mas em toda a região, onde ele tem parentes. Após o crime ventilou-se a versão de que a adolescente teve relacionamento amoroso com Ramalho, que tem várias passagens pela polícia por receptação e furto de veículos.

Na residência da adolescente teriam sido localizadas cartas dela endereçada a Ramalho quando ele esteve preso na Cadeia Pública de Bauru.

Carlão foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Jardim do Ypê. Ele foi sepultado ao lado de Luiz Carlos de Oliveira, o Bolão, ex-técnico do Noroeste. Muitos amigos, familiares e jogadores do clube acompanharam o sepultamento.

Investigações

O titular da DIG, delegado J.J. Cardia, diz que o crime não está completamente esclarecido. “A equipe de homicídios está trabalhando na busca por Nilson Ramalho e na confirmação das versões apresentadas por Marcos Barcos e pela adolescente. Ambos já foram ouvidos”, conta.

A prisão temporária de Barcos e de Ramalho foi solicitada e concedida, por 30 dias. Após a prisão temporária, pretendemos estar com o caso esclarecido e pedir a prisão preventiva”, avisa.

Segundo Cardia, Barcos será enquadrado como co-autor do crime. “Todo aquele que concorre para um fato é co-autor. Como ele estava presente e deu a arma para que o autor efetuasse os disparos, é co-autor”, explica.

O delegado diz que ainda é cedo para dizer se o motivo do crime foi apenas a discussão, ou se já havia uma rixa entre a vítima e o acusado. “Estamos tentando confirmar a causa do crime”, ressalta.

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Mototaxista diz que envolveu-se sem querer

O mototaxista Marcos Contrin Barcos alegou que entrou de gaiato no crime. “Eu não conheço o Nilson Ramalho. Fiz quatro corridas para ele. Não sabia que ele era ex-presidiário”, disse à polícia.

Ele conta que no dia do crime fez uma corrida para Ramalho. “Levei ele até a quadra 3 da rua Olavo Moura. Quando chegamos lá, ele começou a discutir com um rapaz que estava dentro do Tempra”, relata.

O rapaz do Tempra, segundo Barcos, teria descido armado. “Os dois discutiram. Partiram para a luta corporal. Ele pediu para eu pegar o revólver que estava na moto e eu havia acabado de comprar dele. Eu não dei, mas ele pegou a arma e disparou os tiros”, conta.

Depois de entregar a arma, Barcos diz que fugiu sem dar fuga a Ramalho. “Eu embarquei na moto e ouvi os tiros de longe. Minha mãe, que mora no mesmo cortiço que a adolescente, viu quando o Ramalho apontou para mim”, diz.

Na versão do co-autor, a mãe dele teria ajoelhado no chão e implorado para que Ramalho não atirasse nele. “Minha mãe me contou que ele queria me matar porque eu não dei fuga a ele”, afirma.

O mototaxista diz que ficou sabendo que Ramalho teria obrigado um motoqueiro que passava pelo local a lhe transportar. “Ele enquadrou o motoqueiro para que desse fuga a ele. A polícia precisa encontrar o motoqueiro para esclarecer essa situação”, diz.

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