Economia & Negócios

IPI menor eleva procura por carro zero

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, em vigor desde o último dia 1, ainda não se traduziu em aumento nas vendas, mas tem atraído mais consumidores às revendedoras de Bauru, curiosos para conhecer os novos preços. Até o final do mês, a expectativa é de que as vendas tenham um acréscimo médio de 10% a 20%, percentual que deve dobrar no caso dos veículos médios e grandes.

Pelo acordo do governo, a alíquota para carros populares cai de 10% para 9% - os de motores a gasolina terão imposto reduzido apenas até o dia 31 de outubro.

Para carros com cilindradas entre 1.0 e 2.0, o IPI foi reduzido de 25% para 14% nos casos dos motores a álcool e reversíveis. Para veículos a gasolina, a alíquota cai de 25% para 16%. Carros acima de 2.0 a gasolina continuam com IPI de 25% e, a alíquota para motores 2.0 a álcool ou reversíveis, cai para 20%.

Até o momento, as concessionárias ainda não registraram impacto significativo da redução das alíquotas no volume de vendas. As lojas, no entanto, estão com um movimento grande de “interessados” aguardando uma redução ainda maior no preço final.

Expectativa

“A curiosidade dos consumidores faz com que eles venham aqui para ver a que níveis foram os preços de determinados carros, por exemplo”, afirma José Antônio Rossini, diretor comercial de uma revenda da Volkswagen.

“O aumento de tráfego da loja foi muito grande e nós já começamos a fechar negócios com o novo preço”, diz Nilson Jorge Simão, proprietário de uma revenda da Ford. Segundo ele, a expectativa no acréscimo de vendas deve ficar mesmo em torno de 10% a 15%.

Para o gerente geral de outra concessionária Ford, José Antônio Meschini, o reflexo dos novos percentuais deve ser percebido pelo mercado até o final deste mês. “Nestes últimos dias deu para perceber que a redução do IPI mexeu com o mercado, mas ainda é cedo para perceber um resultado significativo”, aponta.

Essa é também a opinião de Leila Maria Farinho, gerente de vendas de uma concessionária Fiat. Para ela, a intenção do governo ao reduzir o IPI é mesmo “alavancar” o mercado de automóveis, estagnado nos últimos meses.

“O fluxo de loja aumentou bastante, então, neste mês creio que devem melhorar as vendas em relação ao que tivemos desde o começo do ano”, afirma Leila. Segundo ela, a expectativa é de aumento de vendas entre 27% e 30%, volume melhor do que o obtido em agosto do ano passado, período que registrou uma “excelente” performance.

O mês de agosto também é esperado pela gerente geral de uma concessionária Renault, Marisa Marono, para quem uma série de fatores - entre eles, o fim das férias escolares - deve aquecer as vendas.

Segundo ela, uma redução de alíquotas semelhante, ocorrida em 1998, teve reflexos positivos no mercado. “Neste primeiro momento há uma pequena retração, porque é natural que o consumidor dê uma parada para esperar o que vai acontecer e se beneficiar disso”, declara.

Médios e grandes

Além da expectativa pelo maior movimento, os representantes das concessionárias concordam em outro ponto: deve ocorrer aumento nas vendas de veículos médios e grandes, com motores acima de 2.0. E é nesse nicho, dizem, que as montadoras deverão direcionar a produção.

“Pelo preço de um carro 1.0 mais equipado, por exemplo, a pessoa vai poder comprar um 1.3 ou 1.6 com quase o mesmo valor”, observa Leila Maria Farinho, da Fiat.

Para Nilson Jorge Simão, da Ford, a explicação para isso é que a nova alíquota para os populares representa redução de preços muito pequena, cerca de R$ 300,00. “O carro 1.0 praticamente não sofre redução de preço. Esse 1%, na verdade, incide sobre o preço lá embaixo, antes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)”, explica.

Já um veículo no valor de R$ 36.000,00, exemplifica Simão, passa a custar aproximadamente R$ 33.400,00, o que equivale a R$ 2.600,00 a menos para o preço ao consumidor.

Para o diretor comercial de uma revenda Volkswagen na cidade, José Antônio Rossini, o IPI menor incidindo sobre os carros médios e grandes deve representar um acréscimo de 30% a 40% nas vendas desse segmento.

“Creio que a redução do imposto não vai interferir na venda de carros 1.0. O que deve aumentar é o comércio dos carros grandes”, diz Aldo Deienno Júnior, gerente de vendas de outra concessionária Fiat.

Para Fernando Vieira de Mello, gerente de vendas de uma revenda GM em Bauru, o percentual de acréscimo esperado para as vendas de veículos maiores se deve ao pouco ânimo do mercado nos últimos meses. “Para carros médios e grandes, o aumento deverá ser maior, em torno de 50%, isso porque a venda de carros médios e grandes estava muito baixa”, declara.

Na opinião do gerente-geral da revenda Peugeot, Alexandre Martins Cedroni, a redução do IPI deve trazer ainda outros reflexos no mercado. “Na verdade, isso vai trazer uma mudança drástica para o mercado em alguns casos, como o do carro usado, por exemplo”, revela.

Para Cedroni, quem possui um veículo usado ano 2001 ou 2002 - que pagou pelo IPI antigo - vai ser bastante afetado, principalmente se o carro tiver motor superior a 1.0. “O preço desses carros vai cair bastante”, afirma.

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