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Hipnose mágica


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Na capital francesa, a partir da qual foi inserido entre as cominações científicas, o hipnotismo está sendo objeto de comemorações difusas, alusivas aos 225 anos daquele acontecimento cujo reflexos ainda hoje ganham corpo, reconhecidamente observados por todos os povos, para os quais sua adoção é tida como muito importante como ciência do corpo e da mente. Introduziu-o, nos idos de 1778, um jovem médico australiano, Franz Anton Mesmer, que, por isso, se tornou famoso no mundo, passando-se para a história como iniciador da matéria, pois surpreendia a todos acenando com as mãos sobre as faces de seus pacientes e, fixando-os dentro de seus olhos, curava-os de determinadas enfermidades de natureza psíquica e física, técnica que ele adotava, certamente, com base em estudos que fizera segundo os quais a hipnose fora cultivada, há muitos séculos, nos templos do sono do velho Egito. Convinha o ilustre cientista que, consoante conclusões de seus antepassados, diversas doenças que campeavam no universo podiam ser rapidamente curadas mediante “energias emanadas do olhar” de pessoas naturalmente privilegiadas, ou seja, da força do magnetismo humano. Define-se a hipnose como um estado particular semelhante a um sono profundo e no qual o paciente só age por sugestão externa.

Foi assim que no decurso dos últimos séculos a hipnose deixou de ser apenas mística e passou a ser considerada profunda ciência, como já se disse, das entranhas do corpo e da mente. Contudo, só se firmou definitivamente dentro das terapias durante a Segunda Guerra Mundial quando, nos campos de concentração, os anestésicos só eram utilizados nas grandes intervenções cirúrgicas. As demais os médicos-prisioneiros tratavam mediante práticas hipnóticas, inclusive para atender às imposições de racionamento que a grande conflagração determinava às tropas. A psicoterapia ganhara, finalmente, amplíssimo terreno, porque permitia se acudissem os soldados feridos nos casos de sangramentos, pruridos e vômitos, agindo também sobre o sistema gênito-urinário e gastro-intestinal, bem como no controle da dor e bem assim aliviando males como artrite, ciática, angina pectoris, emicrânia e até mesmo o câncer. Em suma, o introdutor do hipnotismo tem tido milhões de seguidores através dos tempos, eis que, paralelamente aos legítimos, honestos e bem-intencionados, soma-se uma quantidade enorme de ilegítimos, moderninhos, aproveitadores, que a adotam, como grosseira artimanha, no ludibrio - logicamente desonesto - dos circunstantes incautos, mal avisados, que nunca faltam em seus caminhos. São os pseudos encontrados, infelizmente, em todas as esquinas da desonestidade. Mas, por justas razões e merecimentos, Mesmer faz jus ao reconhecimento da humanidade, o que, como em outras oportunidades, agora se ressalta com inteira justiça. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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