Economia & Negócios

Aumento do gás prejudica revendedor e consumidor

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto não termina o impasse entre governo, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Petrobras a respeito do tabelamento - sugerido em R$ 23,00 - do gás de cozinha, donas de casa e revendedores reclamam dos valores praticados atualmente. As primeiras, porque estão tendo de pagar mais pelo mesmo produto. Os últimos, porque mesmo com preço crescente, a margem de lucro tem que ser reduzida.

Neste ano, a alta acumulada do botijão de 13 quilos do Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP) é de 63,3%. Desde o início do ano, já foram quatro aumentos: 23% em janeiro, 14,5% em abril, 9,2% em junho e 6,2% em julho. Em contrapartida, a inflação acumulada até julho é de 2,56%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fipe.

Em Bauru, o valor médio do gás de cozinha nas revendedoras consultadas pelo JC é de R$ 28,47. No Estado de São Paulo, o preço médio do botijão ao consumidor em agosto é de R$ 25,85, de acordo com pesquisa de preços realizada na Região Metropolitana e no Interior - Bauru não está incluída. Em janeiro, esse valor era de R$ 22,14.

Do início do ano até hoje, no entanto, a margem média de lucro bruto das revendedoras em São Paulo diminuiu. Era de R$ 5,17 em janeiro e, neste mês, é de R$ 4,47.

Por outro lado, o preço médio cobrado pelas distribuidoras aumentou no Estado, ainda segundo a pesquisa da ANP. O botijão de 13 quilos saía, em janeiro, por R$ 16,97, contra os R$ 21,38 atuais.

Margens reduzidas

O comerciante Francisco Carlos de Góes, proprietário de um depósito de gás em Bauru, relembra que, na época em que iniciou seu negócio, há cerca de cinco anos, o preço do botijão de gás ao consumidor era tabelado em R$ 7,80. Em julho de 2001, o mesmo produto saía por R$ 18,90 na portaria.

Góes afirma, no entanto, que a revendedora é quem tem de apertar as contas para não espantar o consumidor - que, como o JC já divulgou, está procurando saídas para economizar na cozinha, como o velho fogão à lenha. “Toda vez que há reajuste, nós aqui da ponta temos repassado menos do que vem para a gente. A nossa margem está sendo sempre achatada”, declara.

Segundo Góes, sua margem bruta por botijão é de R$ 5,00, em média. Tirando impostos, custo operacional e pagamento de funcionários, o comerciante acredita que fatura menos de R$ 2,00 por unidade vendida.

De acordo com Luiz Carlos Afonso, proprietário de uma revenda de gás em Bauru, sua margem bruta também é de aproximadamente R$ 5,00 por botijão. Com isso, afirma, o preço deveria ser ainda maior para que o comerciante final obtivesse ganhos. “O preço ideal para a gente trabalhar hoje seria R$ 32,00”, diz.

O medo de assustar o consumidor, no entanto, é maior. “Temos de apertar as margens para não chegarmos a R$ 30,00. Nós não queremos falar (que o gás custa) R$ 30,00”, revela Afonso. E completa: “A ponta não é a culpada pelo aumento do gás. Se tiver uma culpada é a fonte.”

Para o comerciante, outro agravante para os revendedores de gás é a composição de impostos do GLP, que, segundo ele, é recolhida antecipadamente sobre um valor presumido de R$ 34,46 por botijão.

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Opiniões

“Abaixo de R$ 20,00 seria bom, porque do jeito que está é difícil. No ano passado não estava tão caro assim.” (Lourdes Lorenci, 46 anos, doméstica)

“Devia ser R$ 19,00, como era no ano passado. Acho que esse preço estava bom.” (Antônia Gonçalves, 52 anos, enfermeira)

“O preço hoje está muito caro e o gás na minha casa dura 25 dias. Acho que R$ 20,00 estava bom demais.” (Nilza Bagnol Fragnan, 56 anos, costureira)

“Para quem ganha R$ 200,00, não dá para comprar gás a R$ 30,00, fica difícil. Com o gás a R$ 20,00 ia ficar melhor. Mais gente ia poder comprar.” (Neusa Daniel Góes, 73 anos, aposentada)

“Não sei quanto deveria custar, mas quanto menos, melhor.” (Elisabete Maria da Silva, 28 anos, ajudante geral)

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