O candidato a vice-governador do PT, Luiz Marinho, presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, aposta que a campanha de José Genoíno (PT) ao governo do Estado vai decolar com os programas de rádio e televisão, que iniciam no próximo dia 20.
Nas últimas pesquisas eleitorais, Genoíno continua mantendo o índice de 10% na preferência do eleitorado paulista, estabilizado em terceiro lugar na corrida eleitoral ao Palácio dos Bandeirantes.
Ontem, o petista fez campanha em Bauru ao lado de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa. Participou também de eventos políticos organizados pela direção do partido.
“Nós vamos construir um crescimento da candidatura especialmente a partir da entrada da propaganda eleitoral de rádio e televisãoâ€, analisa Marinho.
Ele se diz seguro, em sua avaliação porque na última eleição a candidata ao governo do Estado pelo PT, Marta Suplicy não foi para o segundo turno por uma diferença de 0,03% do resultado total nas urnas.
O petista culpa os institutos de pesquisas que, na época, deixaram de publicar os últimos levantamentos eleitorais que apontavam Marta empatada tecnicamente com o tucano Mário Covas.
O candidato também culpa uma emissora de televisão, que às vésperas da eleição divulgou que Marta estava fora páreo. “Esse fato provocou um deslocamento de votos do PT que beneficiou Mário Covasâ€, lembra.
Marinho destaca, ainda, que a grande mídia está “escondendo†as eleições da sociedade.
“Setenta e um por cento do povo paulista ainda não tomou conhecimento das eleições. A maioria da população não sabe que o Genoíno é o nosso candidato a governador. Portanto, temos uma avenida imensa para crescerâ€, avalia.
Pico da militância
Além dos programas de rádio e televisão, o candidato a vice-governador petista também aposta no corpo-a-corpo da militância.
“Em todas as regiões que nós estamos visitando é visível o pique da nossa militância. Ela está infinitamente superior a outras campanhasâ€, compara.
Marinho acha, ainda, que as administrações municipais que o PT conquistou nas últimas eleições, em 2000, servirão de vitrine para o eleitorado.
“São 38 cidades no Estado de São Paulo que, somadas, chegam a 50% do eleitorado paulista. O volume e a capacidade de campanha do PT hoje é muito superior a da última eleição, em 1998â€, analisa.
A presença do candidato do partido à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a campanha petista paulista também é lembrada. “A soma de Lula na campanha vai nos ajudar na disputaâ€, arrisca.
Guerra fiscal
Marinho criticou a proposta do candidato a governador Paulo Maluf (PPB) para atrair empresas de porte de outros Estados. O pepebista promete, se eleito, isentar do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por cincos anos os empresários que instalarem unidades industriais em solo paulista.
“Isso é uma irresponsabilidade. Não se resolve a guerra fiscal provocando guerra fiscal. Vamos resolver esse problema utilizando a liderança política do Estado na discussão com o governoâ€, explica.
O petista diz que é necessário provocar a geração do desenvolvimento em outros Estados. “São Paulo pode ajudar nesse processo. São Paulo foi atacado, dilapidado, agredido pela guerra fiscal com a ajuda do próprio Estado no seu financiamento.â€
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Quem é Luiz Marinho
Luiz Marinho, 43 anos, nasceu em Cosmorama/SP e trabalhou na lavoura até os 15 anos. É metalúrgico desde julho de 1978, quando se tornou funcionário da seção de pintura da Volkswagen.
Em 1984 foi eleito tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nas gestões seguintes assumiu as funções de secretário-geral e vice-presidente.
É presidente desde 1996 e está licenciado de seu terceiro mandato. No início do ano passado assumiu o comando de negociações que extrapolaram fronteiras nacionais.
Em Miami, negociou com a direção mundial da Whirpool a extensão do prazo de fechamento da fábrica da Brastemp em São Bernardo.
Em Detroit, conseguiu da direção da Ford garantia de emprego por cinco anos para a fábrica de São Bernardo. No mesmo ano, em novembro, fez acordo com a direção da Volkswagen e reverteu três mil demissões.
Terceiroanista do curso de direito, foi homenageado com o prêmio Destaque do Ano de 1999, concedido pela revista Livre Mercado. É apontado pela CNN-Time como uma das 50 lideranças latino-americanas para o novo milênio.