Política

Morais defende SP na guerra fiscal

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O jornalista e escritor Fernando Morais, candidato do PMDB ao governo do Estado, é a favor da guerra fiscal para atrair mais indústrias em direção a São Paulo. Ontem, ele fez campanha em Bauru ao lado do presidente da executiva municipal do PMDB, Alex Gasparini, do candidato a deputado estadual Mauro Bianco (PMDB) e militantes.

“Sou totalmente a favor. Todo mundo fala em desemprego. Por quê? Porque esses tucanos incompetentes, que fazem política com luva de pelica, decidiram que não iam entrar na guerra fiscal”, critica.

Segundo ele, essa decisão custou a mudança de dezenas de indústrias paulistas para outros Estados. “Minha equipe econômica pensa em oferecer incentivo fiscal para a instalação de novas indústrias nacionais e não somente estrangeiras”, adianta.

O peemedebista, porém, preferiu não falar em taxas de isenção, como fez o candidato a governador Paulo Maluf (PPB), que promete, se eleito, isentar do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por cinco anos os empresários que instalarem suas indústrias em São Paulo.

“Isso varia de indústria para indústria. Uma coisa é uma indústria que oferece 8 mil empregos para mão-de-obra pouco qualificada. Outra coisa é uma indústria que oferece 200 empregos para mão-de-obra altamente qualificada”, explica.

Morais diz que nesse caso não se pode tratar as duas empresas com o mesmo tipo de isenção. “Seria injusto. Nós temos que entrar na guerra fiscal. O emprego que está faltando aqui em Bauru está no Paraná; está na Bahia de Antonio Carlos Magalhães com a Ford e a Ásia Motors; está no Rio Grande do Sul de Olívio Dutra, que levou a General Motors para lá”, comenta.

O peemedebista afirma que os dois grandes culpados dessa situação são o ex-governador Mário Covas (PSDB) e o atual, Geraldo Alckmin (PSDB). “Eles disseram que não iriam entrar na guerra fiscal e os outros governadores vieram e comeram eles”, critica.

Tempo de TV

O fato de não ser citado nas pesquisas eleitorais para governador não assusta Morais. Ele argumenta que sua campanha ainda não começou. “Na verdade, minha campanha começou há dois dias. Pouquíssimas pessoas sabem que eu sou candidato”, diz.

O candidato enfatiza que 48% da população paulista desconhece que haverá eleição para governador de Estado.

â€œÉ um dado espantoso. Tenho experiências de candidatos que começaram com 1% nas pesquisas e ganharam a eleição. Orestes Quércia, em 1974, começou com 3% e ganhou o Senado. Em 1986, Quércia foi candidato a governador. Em primeiro estava Antonio Ermírio de Moraes e lá embaixo, arrastando a lanterna, Quércia. Ele ganhou a eleição”, lembra.

O peemedebista diz que o segundo maior tempo de televisão é de seu partido. “São cinco minutos e 30 segundos por bloco. Só perco para o governador Alckmin. O tempo do Maluf e do Genoíno (José Genoíno, candidato a governador pelo PT), juntos, somam aproximadamente o meu tempo”, informa.

Ele analisa que cinco minutos de televisão é uma “eternidade”. “E além disso terei 24 inserções de comerciais de 30 segundos durante o dia.”

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Quem é Fernando Morais

Filho de pai bancário e mãe dona-de-casa, o jornalista e escritor Fernando Gomes de Morais nasceu em 1946 na cidade de Mariana (MG), numa família de nove irmãos.

É casado com a historiadora Marina Maluf e tem uma filha, Rita. Começou a trabalhar aos 13 anos como office-boy. Aos 14 anos foi chamado para ser repórter da revista Banlavoura, house-organ do antigo Banco da lavoura (hoje Banco Real).

Em 1965 mudou-se para São Paulo, onde trabalhou no jornal A Gazeta, Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, TV Cultura, Bondinho, Ex, Opinião, Movimento, Playboy, Visão, Aqui São Paulo, Veja, Repórter Três e Status.

Nos últimos dois anos foi colunista do Último Segundo, jornal eletrônico do portal iG. Recebeu três vezes o Prêmio Abril de Jornalismo.

Em 1993, recebeu no Japão o título de Doutor Honoris Causa pelo Soka University, de Tóquio. Autor de best-sellers como “A Ilha”, “Chatô”, “Olga” e “Corações Sujos”, Morais já vendeu mais de 2 milhões de exemplares e tem livros traduzidos em 18 países.

O escritor milita no PMDB há 30 anos, desde os tempos do MDB, partido de oposição ao regime militar.

Foi eleito duas vezes deputado federal em São Paulo pelo PMDB (1979/1982 e 1983/1986) e chefiou duas secretarias estaduais: a de Cultura, no governo de Orestes Quércia (1987/1990), e a de Educação, no governo de Luiz Antonio Fleury Filho (1991/1994).

A militância de esquerda marca a trajetória de Morais, que participou do movimento pela anistia, em 1979; pela diretas-já, em 1983/1984; e pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

Posições que o aproximaram de partidos como o PT, com quem mantem boas relações. Foi vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (1977/1980).

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