O nível de emprego na indústria em Bauru e região caiu 0,82% em junho se comparado ao mês anterior, de acordo com levantamento da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O resultado de junho é, até agora, o pior do ano. Em maio, houve variação positiva de 0,52%. O segundo pior resultado havia sido registrado em janeiro: diminuição de 0,72%. O mês de julho ainda não foi avaliado.
O índice de queda em junho equivale à redução de 134 postos de trabalho em Bauru e em 17 municípios abrangidos pela regional. A pesquisa do Ciesp obtém a projeção estatística do número de postos através de uma amostragem matemática em empresas escolhidas por setor, cada qual com peso específico.
Em 2002, a taxa de redução de empregos na indústria, acumulada até junho, é de 1,71%, o que significa 280 postos de trabalho a menos na região. Levando em conta os últimos 12 meses, a queda é menor: 0,62%, o equivalente à diminuição de 99 postos. Em junho de 2001, foi registrado resultado positivo de 0,61%.
No Estado de São Paulo, o nível de emprego acumulado no ano é negativo em 1,06%. Nos últimos 12 meses, o Estado teve redução de 3,44%, taxa de queda mais acentuada que a da região de Bauru.
Setores
Ainda de acordo com a pesquisa, os setores que mais influenciaram a redução de emprego na área abrangida pela regional do Ciesp foram o de editorial e gráfica, com queda de 1,73% nos postos, e o de produtos alimentícios, que registrou diminuição de 1,22%. Esses setores, pelo seu elevado número de empregados na região, têm maior peso no cálculo ponderado total.
Apesar da baixa nesses segmentos da indústria, a queda do nível de emprego só não foi maior devido à alta no setor de mecânica, que obteve aumento de 1,49%.
Na opinião do diretor regional do Ciesp, José Luiz Miranda Simonelli, o resultado de queda em alguns setores já era esperado. “A inadimplência está altíssima, os investimentos estão baixos e a matéria-prima de muitos produtos com base no dólar está subindoâ€, argumenta.
De acordo com Simonelli, o que mais surpreendeu na pesquisa de junho foi a redução de emprego no setor alimentício. Para ele, a alta do preço do trigo - baseado em dólar porque é, em grande parte, importado - acarreta aumento nos custos da produção de alimentos que o tem como matéria-prima. Em conseqüência, os preços sobem e há queda no consumo.
Simonelli ressalta, no entanto, que não houve registro de demissões em massa em nenhum segmento da indústria na região. “O que ocorreu foram demissões pulverizadas: um ou dois postos a menos em cada empresaâ€, diz.
Para o diretor regional do Ciesp, o acordo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê a liberação de US$ 30 bilhões para o País, deve refletir positivamente na indústria. “Numa economia que se movimenta para cima e para baixo a partir de especulação, pelo menos essa (o acordo) é uma ‘especulação positiva’â€, declara.