Jaú - Criadores de cavalos appaloosa de todo País estão reunidos no Parque de Exposições Sebastião Ferraz de Camargo Penteado desde ontem em Jaú, participando de três eventos: o Congresso Pan-Americano, Potro do Futuro e Futurity Appaloosa. É a primeira vez na história da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Appaloosa (ABCCA) que um evento oficial da raça passa a ser organizado por uma empresa terceirizada.
A Horse Consultoria, de Botucatu, comandada por Francisco Garcia, assumiu a responsabilidade de busca de patrocínios, definição de programação e da infra-estrutura para a realização do Congresso Pan-Americano, Potro do Futuro e Futurity Appaloosa. A ABCCA, no entanto, continua responsável pelas inscrições e supervisão técnica das competições.
De acordo com a associação, mais de 300 inscrições foram confirmadas, onde se registrou aumento nas provas funcionais como Três Tambores e Seis Balizas, especialmente entre as categorias Mirim e Infantil. “E os classificados até a sexta colocação nestas duas modalidades e categorias receberão fivelasâ€, disse Vilma Simas, presidente da ABCCA.
A premiação em dinheiro é de R$ 48 mil, mas outras surpresas estão sendo reservadas aos campeões, entre elas as fivelas alusivas ao Potro do Futuro.
Entre as atrações extras programadas pela ABCCA e Horse Consultoria estão duas palestras: uma sobre a modalidade de Team Penning e outra sobre Acessórios. “Os dois temas escolhidos foram definidos visando atender aos usuários do appaloosa funcional, segmento da criação que tem mostrado crescimento expressivo nos últimos anosâ€, comenta Francisco Garcia.
Vale lembrar que no último final de semana o appaloosa foi o recordista de tempo na prova de Team Penning realizada na Exporural, em Salvador-BA, onde competiram trios de diferentes raças, com predominância do quarto de milha.
Com o crescimento das provas funcionais e a participação de conjuntos appaloosa em competições abertas a todas as raças, a palestra sobre “Acessórios†chega em boa hora. Ela será ministrada pelos juízes da exposição, que pretendem esclarecer quais os acessórios permitidos no animal durante uma prova, como devem ser usados corretamente e os motivos que levam à desclassificação de um animal por uso indevido de acessórios.
Nas pistas os competidores prometem disputas acirradas. Quem for assistir às competições poderá conferir as performances dos apaixonados pelo appaloosa que estarão representando diferentes regiões do País e revelando a evolução de suas performances.
O Congresso Pan-Americano, instituído em 1992, foi o resultado da evolução do plantel de appaloosas no Brasil e refletia o “boon†da eqüinolcultura nacional naquele momento.
O direcionamento morfológico da tropa já estava mais definido e a ABCCA passava a investir na criação de eventos próprios que promovessem o fomento e valorizassem a raça.
Na mesma época os Núcleos Regionais se tornavam uma realidade e chegavam para reforçar esse objetivo. Mas faltava um evento diferenciado, único, que pudesse reunir numa mesma ocasião os melhores animais da raça de todo o País. Assim, nascia o Congresso Pan-Americano que em suas primeiras versões tinha como palco o Parque da Água Branca, na Capital paulista. O evento ganhou “status†da maior festa anual da raça.
Posteriormente, seguindo o conceito de “regionalizaçãoâ€, o Pan-Americano também passou a ser realizado em outras cidades. E, neste 2002, pelo segundo ano consecutivo, volta a Jaú, reduto de alguns dos criatórios pioneiros a selecionar a raça no Brasil.
Já o “Potro do Futuro†foi instituído pela ABCCA em 1994; e a partir de 1999 foi criado o “Futurity Appaloosaâ€. Buscando valorizar a nova geração de produtos nacionais, os dois eventos têm limitação de idade dos animais inscritos.
O Congresso Pan-Americano, Potro do Futuro e Futurity Appaloosa acontecem simultaneamente. As provas de Trabalho abriram o evento ontem e seguem até o próximodomingo.
Os animais de Conformação do Pan-Americano e Potro do Futuro entram em pista nos dias 10 e 11, mesmo período em que acontece o Futurity Appaloosa, competição que apresenta disputa apenas em Conformação.
Depois de quatro dias de intensas disputas serão revelados os campeões Pan-Americanos e do Potro do Futuro de Apartação, Laço de Bezerro, Laço em Dupla, Team Penning, Rédeas, Western Pleasure, Seis Balizas, Três Tambores e Cinco Tambores em suas diferentes categorias, assim como os campeões de Conformação da temporada destes dois eventos e do Futurity Appaloosa.
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Legado da história americana
As pelagens negra, alazã, castanha, zaina, baia, palomina, tordilha e rosilha ganharam composições como em nenhuma outra raça da espécie eqüina.
Formada a partir dos cavalos introduzidos pelos colonizadores europeus na América, estes animais de plástica inigualável corriam soltos pela bacia do rio Colúmbia e seus afluentes onde foram capturados e domesticados pelos Nez Perce, índios guerreiros que habitavam o vale do rio Palouse, uma região dominada pelos colonizadores franceses. Os Nez Perce domavam os cavalos pintados, usando-os como meio de transporte, montaria de caça e como instrumento de guerra nas constantes batalhas com os brancos.
Ágeis, rústicos, velozes e resistentes, os cavalos pintados dos Nez Perce atraíam a atenção dos colonizadores, atribuindo-se aos franceses o nome que estes animais receberam, “La Palouseâ€, numa referência ao rio de mesmo nome, situado, hoje, no Estado do Oregon.
Excepcionais para cavalgadas de longas distância e na travessia de regiões íngremes e áridas, o cavalo dos Nez Perce foram submetidos a uma rigorosa seleção baseada na resistência, coragem e pelagem pintada.
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A raça no Brasil
No início da década de 70 chegou ao Brasil o primeiro exemplar de Appaloosa. Foi trazido ao pé de uma égua quarto de milha numa importação feita pelo criador paulista Carlos Raul Consoni. Mas coube a outro criador, Jorge Rudney Atalla, de Jaú, o mérito de ter o registro n,º 1 da raça no País: Comanche’s Double, importado em 1975.
O animal era exposto nas mostras do quarto de milha e impressionava. Atalla acabou sendo o cicerone de vários criadores em viagens para os Estados Unidos, em visitas a diversos haras selecionadores de Appaloosa. As viagens renderam as primerias importações e o desejo de se fundar uma entidade própria para a raça.
O intento virou realidade em 27 de novembro de 1977 quando nasceu a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Appaloosa, reconhecida pelo Ministério da Agricultura.
Entre os fundadores estavam Jorge Attala, Carlos Raul Consoni, Toni Persone, Antonio Luiz Teixeira de Barros Filho, Sérgio Augusto Zonno, Mário Sérgio Vasques e as empresas Comercial Agropecuária Borborema e Paisa Pinfild Agropecuária.
O “Stub Book†contava, inicialmente, com 45 animais, principalmente de origem importada. Dois anos depois o número de produtos já havia sido triplicado, e na década seguinte - marcada pelo apogeu da eqüinocultura brasileira - o appaloosa já tinha conquistado várias regiões do País.
Os anos 90 reforçaram a seleção e evolução da raça, notadamente com o aumento das importações, possibilitando programas criteriosos de cruzamentos, restringindo-se os acasalamentos com alguns agrupamentos de indivíduos e priorizando-se os de appaloosa entre si.
Pureza racial passou a ser palavra de ordem. Neste início de terceiro milênio, antes mesmo de completar 25 anos, o controle nacional do plantel brasileiro está em sua sexta geração.
Atualmente, o appaloosa já conta no Brasil com mais de dois mil criadores e proprietários espalhados por todas as regiões do País. Eles são detentores de um plantel estimado em 20 mil animais que se distribuem em maior número pelo Estado de São Paulo, seguido pelo Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal.
Objetivando a formação do plantel a partir das características morfológicas da raça, a seleção inicial da tropa brasileira se baseou em linhagens de Conformação. A partir do final dos anos 80, com o crescente interesse pelas provas funcionais, intensificou-se a seleção de animais de competição.
A primeira prova exclusiva do Appaloosa no Brasil aconteceu em 1987. Começavam a ser instituídos os eventos oficiais como o Congresso Pan-Americano, o Campeonato Nacional, o Potro do Futuro, o Futurity Appaloosa, o Potro de Ouro e os campeonatos regionais criados em diferentes Estados do País com a proposta de fomentar e promover a raça, símbolo de um povo nativo que ajudou a escrever a história do Continente norte-americano.