Tribuna do Leitor

Prédio da estação


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Tenho acompanhado, com apreensão, os acontecimentos que envolvem o prédio da estação central de trens em Bauru, que no passado abrigava as extintas Noroeste, Paulista e Sorocabana.

Com temor porque, como ex-servidor da Noroeste, vivi aqueles tempos de grandeza das três ferrovias, que muito contribuíram para o progresso de nossa cidade. E agora vejo, como ato final da decadência do que já foi grandioso, a decisão do Governo Federal de vender o majestoso edifício, majestoso pela sua história, seu tamanho e seu estilo.

Vender por quê? Neste mundo que dá tantas voltas poderá acontecer de as ferrovias em nosso país serem reativadas. E se tal acontecer, no caso de Bauru, onde se localizará a nova estação ferroviária? E aquela imensa esplanada, que já abrigou as três ferrovias? Então tudo isso estará na posse de quem agora comprar aquele imenso patrimônio imobiliário. E a retomada daquilo tudo até que poderá acontecer, porém a um preço bem maior que aquele a ser pago agora pela iniciativa privada.

Se a Rede Ferroviária deve obrigações trabalhistas a seus funcionários, que faça o Governo Federal pagá-las com outras verbas e não com o que for recebido pela venda da estação.

Entendo que, para se achar uma solução mais certa, o prédio deveria ser cedido em comodato (ocupação gratuita) a uma repartição pública ou a várias delas ao mesmo tempo (Prefeitura, Justiça Federal, Correios etc.), com a obrigação de ser restituído após a decorrência de um longo prazo - digamos 20 anos -, com a possibilidade de renovação do comodato na hipótese de a Rede não precisar do prédio.

No contrato desse comodato deverá constar, naturalmente, que a conservação do prédio e os outros ônus a ele atinentes ficarão por conta exclusiva das repartições que nele se instalarem, sejam municipais, estaduais ou federais. (Waldomiro Fabiano - RG: 1.551.916)

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