Representantes de 12 sindicatos de trabalhadores de Bauru e cidades da região e dos partidos PSTU e PC do B iniciam hoje, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o seminário “A Alca e a Reforma Agráriaâ€, aberto à participação da comunidade em geral. O evento é organizado pelo Comitê de Bauru e Região contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), cuja implantação está em curso e deve vingar de vez a partir de janeiro de 2005.
De 1 a 7 de setembro será realizado um plebiscito nacional para se saber dos brasileiros a posição sobre a Alca. Participam da consulta maiores de 16 anos de idade.
Segundo Eliane Koti, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), o projeto da Alca envolve os Estados Unidos que, na sua opinião, querem abrir as fronteiras dos países da América Latina para a circulação de mercadorias e serviços e precarizar as relações de trabalho.
A sindicalista avalia que o governo norte-americano quer e as empresas multinacionais querem que o Brasil inicie os procedimentos para implantar a Alca.
“E o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso obedece. Estão sendo encaminhadas no Congresso Nacional as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT; também já foi aprovada a lei que abre os meios de comunicação para o capital estrangeiroâ€, alerta.
Ela lembra ainda que o governo brasileiro entregou a Base de Alcântara para os Estados Unidos, visando o controle da biodiversidade da Amazônia.
Para tentar barrar os avanços das negociações, sindicatos de todo o País observaram a necessidade de esclarecer e ampliar os debates sobre o tema junto à população, com a participação de partidos políticos de esquerda, Movimento dos Sem-Terra (MST) e CUT.
Concentração
Na avaliação da comissão organizadora do evento que se inicia hoje, a Alca vai concentrar mais renda e poder nas mãos das transnacionais norte-americanas.
A sindicalista prevê que haverá uma desintegração da cultura própria de cada povo pela pressão hegemonizadora da mídia global. Ela acredita que há outros meios de integrar os países latino-americanos.
A Igreja Católica também está se movimentando para alertar a sociedade sobre os males da Alca. O presidente do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru, Rodney José Bastos, diz que há riscos de o Brasil ser transformado numa colônia, aumentando ainda mais a pobreza.
“A Área de Livre Comércio da América do Norte, o Nafta, implantado em 1994, aumentou a pobreza no México de 49% para 75% da populaçãoâ€, informa.
Ele acha que no Brasil não será diferente. “Quem sairá ganhando aqui são os mesmos que estão ganhando no Nafta: as grandes empresas estrangeirasâ€, denuncia.
Bastos prevê que a instalação da Alca no País vai trazer desemprego e fechamento de empresas. “Assinar a Alca é se submeter, via contrato internacional, ao poder dos interesses particulares sobre os interesses públicos.â€