Política

Alca reúne entidades na Unesp hoje

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Representantes de 12 sindicatos de trabalhadores de Bauru e cidades da região e dos partidos PSTU e PC do B iniciam hoje, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o seminário “A Alca e a Reforma Agrária”, aberto à participação da comunidade em geral. O evento é organizado pelo Comitê de Bauru e Região contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), cuja implantação está em curso e deve vingar de vez a partir de janeiro de 2005.

De 1 a 7 de setembro será realizado um plebiscito nacional para se saber dos brasileiros a posição sobre a Alca. Participam da consulta maiores de 16 anos de idade.

Segundo Eliane Koti, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), o projeto da Alca envolve os Estados Unidos que, na sua opinião, querem abrir as fronteiras dos países da América Latina para a circulação de mercadorias e serviços e precarizar as relações de trabalho.

A sindicalista avalia que o governo norte-americano quer e as empresas multinacionais querem que o Brasil inicie os procedimentos para implantar a Alca.

“E o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso obedece. Estão sendo encaminhadas no Congresso Nacional as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT; também já foi aprovada a lei que abre os meios de comunicação para o capital estrangeiro”, alerta.

Ela lembra ainda que o governo brasileiro entregou a Base de Alcântara para os Estados Unidos, visando o controle da biodiversidade da Amazônia.

Para tentar barrar os avanços das negociações, sindicatos de todo o País observaram a necessidade de esclarecer e ampliar os debates sobre o tema junto à população, com a participação de partidos políticos de esquerda, Movimento dos Sem-Terra (MST) e CUT.

Concentração

Na avaliação da comissão organizadora do evento que se inicia hoje, a Alca vai concentrar mais renda e poder nas mãos das transnacionais norte-americanas.

A sindicalista prevê que haverá uma desintegração da cultura própria de cada povo pela pressão hegemonizadora da mídia global. Ela acredita que há outros meios de integrar os países latino-americanos.

A Igreja Católica também está se movimentando para alertar a sociedade sobre os males da Alca. O presidente do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru, Rodney José Bastos, diz que há riscos de o Brasil ser transformado numa colônia, aumentando ainda mais a pobreza.

“A Área de Livre Comércio da América do Norte, o Nafta, implantado em 1994, aumentou a pobreza no México de 49% para 75% da população”, informa.

Ele acha que no Brasil não será diferente. “Quem sairá ganhando aqui são os mesmos que estão ganhando no Nafta: as grandes empresas estrangeiras”, denuncia.

Bastos prevê que a instalação da Alca no País vai trazer desemprego e fechamento de empresas. “Assinar a Alca é se submeter, via contrato internacional, ao poder dos interesses particulares sobre os interesses públicos.”

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