As medidas a serem tomadas em relação aos pontos de surgimento de chumbo nas proximidades da Ajax dependem de um parecer oficial da Direção Regional de Saúde (DIR-10), que deve pronunciar-se no início da próxima semana.
As análises de amostras de terra superficial coletadas nas proximidades da fábrica de baterias indicam que a incidência de chumbo ultrapassa os chamados valores de intervenção e, portanto, exige medidas por parte dos órgãos públicos de saúde para evitar que a população continue sendo exposta a riscos.
A água de poços localizados na região também apresentou quantidade de chumbo que extrapola os índices aceitáveis.
O estudo foi feito pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que, nesta segunda campanha de amostragem, analisou a concentração de chumbo na camada superficial do solo - de 0 a 2 centímetros de profundidade.
Em dois pontos próximos à fábrica, as concentrações encontradas ultrapassam largamente o valor de intervenção, que é de 350 miligramas de chumbo por quilo de solo. Em um ponto em frente à Ajax, por exemplo, foram encontradas 2.660 miligramas de chumbo por quilo de solo. Trata-se de uma das maiores incidências de chumbo do País.
No meio do Jardim Tangarás, foram detectados 800 miligramas de chumbo por quilo de solo. Em outros pontos intermediários, as concentrações ultrapassam o valor de alerta (100 miligramas de chumbo por quilo de solo), chegando perto do valor de intervenção, como 270 miligramas de chumbo por quilo de solo.
“Isso comprova que existe uma contaminação séria naquela área e alguma coisa precisa ser feitaâ€, alerta o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), do Instituto Ambiental Vidágua.
A presença de chumbo no solo superficial é superior à encontrada na análise de profundidade, realizada anteriormente, que coletou solo a 20 centímetros de profundidade.
“Isso indica que a principal via de contaminação do solo é a atmosférica. Ou seja, com as emissões de poluentes da Ajax, pela chaminé sem filtros, sem equipamentos, houve contaminação do soloâ€, reforça Agostinho.
As amostras de terra coletadas a 20 centímetros do solo, divulgadas anteriormente, mostraram que há chumbo no solo, mas não em concentrações que, segundo os critérios da Cetesb, exijam a remoção de moradores de suas casas.
Medidas
A Cetesb fez algumas recomendações referentes a medidas que podem ser adotadas na área contaminada, tendo em vista os altos índices analisados .
Entre elas está a raspagem do solo; pavimentação das ruas e passeios; limpeza de telhados e paredes das casas; concretagem dos quintais ou plantação de grama nos mesmos; e verificação das caixas d’água das residências, já que, nos casos em que elas estiverem sem tampa, há possibilidade de que as pessoas estejam ingerindo água com chumbo.
O Instituto Vidágua, por sua vez, deverá encaminhar os laudos da Cetesb a especialistas do Estado que possam auxiliar no que refere-se às alternativas para a área. “Pode ser desde a alternativa mais drástica - condena-se a área - até a mais amena, de fazer alguma coisa no sentido de que a população não seja contaminadaâ€, observa Agostinho.
Para o vereador José Humberto Santana (PV), presidente da Comissão de Saturnismo da Câmara Municipal de Bauru, a Cetesb deve tomar providências em relação aos resultados. “Qualquer definição tem que partir de quem interditou a fábrica, com base em uma pesquisa mais aprofundada. No caso, é a Cetesbâ€, diz.
Ele acrescenta que a Comissão de Saturnismo discutirá o caso na próxima semana.
O gerente da agência local da Cetesb, Rogério Chini, afirma que as medidas a serem tomadas serão discutidas com o diretor técnico da DIR-10, Affonso Viviani, que não foi localizado durante esta semana para falar sobre o assunto.
“Vamos fazer algo em conjunto. O estudo envolve a Secretaria Estadual de Saúde também. Ela tem que se pronunciar, até porque envolve pessoas contaminadas. Tudo vai depender de uma reunião com o pessoal da Saúdeâ€, enfatiza Chini.
Ele acrescenta que os estudos terão continuidade. “Os estudos têm que continuar. Isso é o início de um trabalho. Mas o que já fizemos é suficiente para começar a agirâ€, expõe o gerente da agência da Cetesb.
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Chumbo também contamina água
O laudo da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também aponta a existência de chumbo nas águas subterrâneas da área em que localiza-se a Ajax.
Foram coletadas amostras de poços rasos. As concentrações chegam a seis vezes o valor de intervenção, que é de 0,01 miligramas de chumbo por litro de água.
“De imediato, as áreas contaminadas terão que ser lacradas. O Vidágua já tinha recomendado ao Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado, mas vamos reiterar o pedido esta semana porque a gente sabe que a população continua ingerindo essa águaâ€, afirma Rodrigo Agostinho, do Instituto Ambiental Vidágua.
Ele enfatiza que não foi detectada contaminação na água da rede do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. “São poços profundos, que dificilmente podem ser contaminados dessa formaâ€, diz o ambientalista.
Agostinho destaca, ainda, que não existe outra fonte de contaminação por chumbo na área em que localiza-se a Ajax. “Não existe outra indústria naquela áreaâ€, salienta.
O Instituto Vidágua encaminhará os resultados para o Fórum, já que está em andamento uma ação cível pública sobre o caso e, ainda, ao 4.º Distrito Policial (DP), responsável pelo inquérito criminal sobre o caso Ajax. “Poluição ambiental é crime e a empresa é responsabilizada também na área criminalâ€, explica Agostinho.