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Mortes no trânsito quase igualam homicídios

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O trânsito em Bauru está mais violento em 2002. Segundo dados da Polícia Militar (PM), nos últimos sete meses o número de mortes ocasionadas por acidentes subiu para 18 vítimas, superando o total registrado - 13 - durante 2001 na cidade e quase se igualando aos homicídios - 23 - registrados de janeiro a julho este ano.

Além disso, se a média de ocorrências fatais de 2002 mantiver-se, cerca de 2,5 óbitos por mês, o município poderá ultrapassar seu recorde negativo no setor, quando em 2000 exatas 29 pessoas morreram nas vias locais.

Os índices, na opinião do tenente Jorge Luis Dias, da 4ª Companhia de Trânsito de Bauru, preocupam principalmente pelo fato de se aproximarem dos homicídios, tradicionalmente maiores, e da hipótese de superar o histórico de vítimas fatais.

“Preocupa porque o cidadão que dirige não sai na rua pensando em matar ou atropelar alguém, e sim por questões de conforto ou necessidade. Assim, os acidentes acontecem por desatenções, imprudências momentâneas ou por falta de consciência do que ele pode ocasionar, como o grande número de óbitos. Já o criminoso, via de regra, age premeditadamente”, compara Dias.

Ele ressalta, ainda, que a maioria das 18 pessoas mortas - 12 - encontrava-se no auge da sua capacidade produtiva, entre 18 e 45 anos, e que os acidentes envolveram veículos, vítimas e pontos da cidade totalmente diferentes (veja quadro sobre as características nessa página), fato que acaba dificultando a ação da PM, conforme o tenente.

“Diferentemente do ano 2000, quando constatamos que havia um grande número de óbitos na madrugada envolvendo adolescentes, estamos lidando este ano com uma nova situação, pois não há um foco único de causas dos acidentes”, justifica.

Apesar disso, o tenente chama a atenção para o fato de que, dos 18 óbitos, seis ocorreram com ciclistas. “A bicicleta hoje, na legislação nacional, é entendida como um veículo. Portanto, ela necessita de equipamentos obrigatórios que os ciclistas deveriam utilizá-los, além de respeitar a sinalização, o que não acontece. Seus condutores precisam entender que fazem parte do contexto do trânsito brasileiro”, enfatiza Dias.

Ele considera ser difícil analisar os motivos do crescimento dos acidentes em virtude das causas envolverem comportamentos humanos. “Infelizmente, em razão dos acidentes ocorrerem devido, principalmente, a ações incorretas no trânsito, a Polícia, em que pese nosso grande esforço para tentar coibi-los, se sente impotente, pois é complicado atuar em cima de atitudes das pessoas a fim de mudar suas atitudes e preveni-las”, pondera o oficial.

Direção defensiva

Dias enfatiza que uma das receitas para se evitar acidentes é buscar a “viagem perfeita”, um dos princípios da direção defensiva. “Quem quiser fazê-la deve obedecer algumas regras básicas. A primeira é não praticar infrações quando em circulação com o veículo. O bom senso também colabora, pois o motorista educado e cortês tem grandes possibilidades de não se envolver em acidentes”, frisa ele.

O tenente alerta, ainda, que a atenção deve ser redobrada em pontos considerados mais propícios a acidentes em Bauru, especialmente as grandes avenidas em horários de pico. “Em acidentes na avenida Duque de Caxias, principalmente no trecho entre a avenida Nações Unidas e a rua Monsenhor Claro, costumam envolver-se três ou quatro veículos porque, infelizmente, os motoristas não mantém a distância de segurança”, afirma ele.

Outros locais problemáticos, segundo Dias, são a avenida Rodrigues Alves e os cruzamentos Nações Unidas x Rodrigues Alves e Nuno de Assis x Nações Unidas.

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