Cultura

Construindo a desconstrução

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

O resumo de quatro carreiras brilhantes, mas sem trabalhos antigos; quatro estilos diferentes que formam um trabalho único; uma grande experiência sensorial aberta idealizada por quatro artistas.

Tudo isso poderá ser conferido a partir de terça-feira, no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, que hospeda, até 31 de agosto, a exposição de artes “Des-Construção”, com trabalhos dos artistas plásticos Laranjeira, Lairana, Yara Martini e Gisele Aidar. A abertura da mostra, que integra a programação de aniversário de Bauru, será às 20h30.

Surgido de várias conversas entre os quatro artistas, o projeto artístico “Des-Construção” não guarda nenhuma semelhança com as exposições de arte comuns. O próprio nome já anuncia um processo incomum, de criação e busca da própria história, da própria imagem, através da desconstrução do que ela representa. “Desconstrução do ser que todos nós somos”, como define Laranjeira, que teve as primeiras idéias de montar a exposição.

Estarão reunidas, na Galeria “Angelina Waldemarin Messenberg”, no Centro Cultural dezenas de obras novas dos quatro artistas, para começar, dispostas de maneira nada convencional. “Não vamos ter nada nas paredes”, adianta Gisele Aidar.

Uma das razões é o fato dos trabalhos (ou o conjunto deles) transitarem pelos mais variados formatos. São poesias, esculturas, quadros e até um vídeo que, na soma geral, formam uma coisa só, como se fossem uma grande instalação que propicia ao visitante uma experiência sensorial única. “A própria construção da exposição pode ser vista como uma obra nossa”, avalia Lairana.

Para Laranjeira, é fundamental que as pessoas vejam a exposição com o intuito de criadores, “de artistas, de co-autores da nossa obra, que não se fecha em momento algum”, diz.

Aliás, toda a exposição foi desenvolvida em conjunto, apesar do trabalho de cada artista retratar seu estilo pessoal. “Todos os trabalhos ganharam um status de produção em brainstorm, quase, porque cada um de nós trabalhou suas obras dentro de suas características sem nenhum tipo de interferência, mas existem detalhes que se devem a um ou a outro”, explica Laranjeira.

Segundo ele, esse tipo de método criativo exigiu muita dedicação e desprendimento dos quatro, “deixamos nossos egos de lado durante esse que foi o período mais importante de tudo, o período de criar, de amadurecer as idéias, de descer dos pedestais nos quais nos colocaram”, revela, “cada um recebeu plenamente o respeito por suas características pessoais”, completa. “Não deixamos de ser quem a gente é e conseguimos ser um grupo”, diz Lairana, “isso é muito importante”.

A exposição “Des-Construção” vai ser montada, em novembro, na reitoria da Unesp, em São Paulo.

• Serviço

Exposição de artes plásticas “Des-Construção”, dos artistas plásticos Laranjeira, Lairana, Yara Martini e Gisele Aidar. De 13 a 31 de agosto, das 9h às 18h, no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072.

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Quem é quem

José dos Santos Laranjeira é escultor e designer. Natural de Bauru, inicia-se em Montevidéu, no Uruguai. Realizou estudos superiores na Unesp na área de Desenho Industrial e desde 1988 atua como professor no Departamento de Artes - Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (FAAC). Suas obras integram numerosas coleções públicas e particulares, recebendo diversos prêmios por seu trabalho artístico, no qual se destaca o “Monumento à Paz Mundial”, na Praça da Paz, em Bauru.

Lair Ana Barreira, a Lairana, é natural de Bauru e atuou como professora de Desenho e Educação Artística na rede pública por quase duas décadas. Doutora em Artes pela USP, no ensino superior atuou como docente, pesquisadora e artista durante vinte e seis anos junto ao departamento de Artes da FAAC de Bauru.

Atualmente, dedica-se somente a seu atelier de pintura, onde já produziu ao longo desses anos, centenas de obras que se encontram em acervos em todos os continentes.

Gisele F. Simão Aidar iniciou os os estudos na área das Artes Plásticas em 72 e em 83 concluiu o curso de Desenho Industrial da Fundação Educacional de Bauru, atual Unesp. Ainda estudou Arquitetura e Decoração de Interiores no Centro Nobel de Artes, em São Paulo. Assim como Aidar, Yara Martini iniciou os estudos de desenho e pintura ainda na década de 70, começando a expor a partir de 1977. Em 95, passou a integrar o grupo da Oficina de Artes e Ofícios (atelier escola).

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