Cada vez mais as vendas de livros de auto-ajuda estão crescendo no mercado. Muitas pessoas que, há algum tempo, não haviam ainda aderido a esse tipo de leitura, já viraram fãs de carteirinha, devotos dessa literatura. Esse sucesso que teve início há algumas décadas gerou vários best-sellers e rendeu altos lucros a alguns autores. Mas há um lado que, talvez, as pessoas desconheçam: esses livros também têm desvantagens e para que realmente a leitura valha só para coisas positivas, especialista orientam com o que o leitor deve se preocupar.
A explicação do crescimento das vendas de livros de auto-ajuda é simples: o leitor busca algo que encontra facilmente nesses livros que prometem e cumprem o papel de ajudar. Isso acontece porque, na maior parte das vezes, o autor utiliza a abordagem direta e conversa com os seus leitores de forma tão pessoal que ocorre uma identificação entre os dois (autor e leitor). Assim, parece que o livro foi escrito especialmente para aquela pessoa que está lendo.
Está provado que, atualmente, a solidão é maior que há algumas décadas. As pessoas estão cada vez mais independentes e levando suas vidas totalmente isoladas de afeto, atenção, diálogo. É difícil encontrar alguém de confiança para conversar. Portanto, os livros de auto-ajuda acabam sendo esse amigo, parceiro, que ajuda, ensina, dá conselhos e conforta quem pretende ser confortado. O atendente Reginaldo Manoel Sodré, 23 anos, é um leitor desses livros. Ele garante que, ao ler alguns títulos, realizou mudanças na sua vida. “Esse tipo de livro levanta a auto-estima. A mim ajudou e muitoâ€, diz. Para ele, alguns dos títulos que mais foram úteis são: “O sentido da vida†e “A semente da vitóriaâ€.
Porém, como qualquer regra tem sua exceção, nesse caso não é diferente. Psicólogas afirmam que a literatura de auto-ajuda pode ser positiva, mas há que se ter alguns critérios antes de adotá-la. “A pessoa interessada em ler um livro de auto-ajuda deve procurar saber sobre o autor, os tipos de técnicas ou mensagens. Sabemos que há alguns livros que não possuem seriedade e ética nos seus conteúdosâ€, alerta a psicóloga Cláudia Tebet Manaia.
Em comum acordo, a também psicóloga Heloísa Maria Martins Juncal diz que as pessoas devem ter cuidados na escolha da leitura que, por se tratar de um assunto que vende muito, surgiram muitos escritores apenas interessados na vendagem, abordando os assuntos de maneira superficial. “Os livros de auto-ajuda são de grande valia, mas é preciso ter esse tipo de cuidado. Outro ponto a ser esclarecido é que os livros podem trazer conhecimentos e clarezas de algumas situações, mas não substituem o trabalho de um profissionalâ€, alerta.
Cláudia também garante os livros não são substitutos para outros tratamentos. Ela afirma que a pessoa, antes de adotar esse tipo de literatura, deve estar ciente do quê e o por quê está buscando isso, ou seja, o que esta leitura pode realmente proporcionar. “Apesar dessa leitura trazer alívio imediato para algumas situações, não substitui outras formas de tratamento, não resolve problemas que sejam de ordem psicológica ou emocional e vale lembrar também que temos sempre a tendência de buscar no exterior o que está no interior. Os benefícios da leitura podem proporcionar sensação de conforto, força, fé e alívio para a ansiedade. Este tipo de leitura costuma proporcionar, também, sentimento de auto-confiança, mesmo que seja temporárioâ€, diz.
Heloísa explica que, muitas vezes, as pessoas desejam mudar, trabalhar suas emoções, se conhecer mais e, para isso, apenas livros não bastam. De acordo com ela, este é um trabalho árduo, intenso e profundo dentro de cada um e tem de ser acompanhado por quem entende e estudou para isso. “Quando sentimos alguma dor física, procuramos um médico para não cairmos no erro da auto-medicação. O mesmo acontece com as dores emocionais (dores da alma). Devemos procurar um psicólogo para que essas dores sejam tratadas adequadamenteâ€, detalha.
Cada vez mais
A psicóloga Cláudia Manaia avaliou o motivo pelo qual os livros de auto-ajuda não páram nas prateleiras das livrarias. Para ela, o ser humano parece não ter tempo nem dinheiro para se tratar, buscar a verdadeira causa dos seus problemas. As pessoas, de acordo com ela, muitas vezes precisam de ajuda e não têm a quem recorrer. “O ser humano é social e necessita de amigos verdadeiros que, muitas vezes, podem auxiliá-lo em momentos de precisão. Assim como os livros, a religião, entre outras coisasâ€, afirma.
Por outro lado, a psicóloga Heloísa Juncal diz que apesar de ter observado muitos livros de auto-ajuda nos rankings de vendas das editoras, não há nada de novo no mercado. Ela afirma que, se voltarmos no tempo, é possível observar que muitos assuntos que são modismos hoje, já foram abordados por alguns escritores anteriormente. “Podemos citar alguns autores como Og Mandino, Lobsang Rampa, Joseph Murphy e outros que colaboraram nessa área de auto-ajudaâ€, afirma.
Ela explica que os escritores atuais possuem uma linguagem um pouco modificada, mas que, basicamente, não há nada de novo. “Porém, há alguns escritores que se aprofundam um pouco mais. Buscam embasamento científico atualizado para suas pesquisas e outros que vão além, se submeteram às técnicas por eles descritas discorrendo suas próprias experiência e mudanças interioresâ€, conta.
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Vantagens
• ler é uma atividade muito rica, pois é possível introjetar alguns conteúdos, inclusive mensagens positivas ou de ajuda;
• pode (ás vezes), proporcionar alívio imediato para alguns problemas;
• muitos indicam formas de relaxamento;
• pode servir como material de apoio terapêutico, ou seja, como indicação para alguns casos (pessoas que necessitam ser mais confiantes e para doenças como câncer, aids, depressão, transtorno de pânico, entre outras).
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Desvantagens
• acreditar que resolve todos os problemas, ou seja, que faz milagres;
• não substitui o tratamento médico e/ou psicoterapêutico;
• utilizar o livro de forma obsessiva, tornando-o consultor para todas as questões da vida;
• em pessoas que depositam tudo nos livros e que não alcançaram a mudança esperada, pode causar sentimento de frustração.