Os dados de 2001 apontam a região de Bauru que inclui as cidades de Jaú, Botucatu e Marília como a mais tranqüila do Estado de São Paulo. Praia Grande, Campinas e Diadema são as três cidade mais violentas.
Essa é a conclusão do estatístico José Peres Netto do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, uma organização não-governamental (ONG) associada à Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
O ranking foi feito através de um estudo, finalizado este mês, que elenca a criminalidade nos 61 maiores municípios de São Paulo, com exceção da Capital, a partir dos coeficientes por 100 mil habitantes para os quatro tipos de crime: homicídio doloso, furto, roubo e furto e roubo de veículos.
Os números mostram que a grande maioria dos crimes que ocorrem na região são sem violência. Bauru é apresentada pela pesquisa como a primeira do Estado em furtos.
O capitão Manoel Messias Mello, da Polícia Militar explica que este resultado é sazonal e em determinadas épocas podem ocorrer com maior freqüência determinados tipos de delitos. No caso de furtos de veículos, o surgimento de comércio de peças e quadrilhas pontuais faz com que esses indicadores cresçam. O número de veículos por habitante também impulsiona índices.
“Quanto mais veículos numa cidade, maior a probabilidade de acontecerem crimes. Mas enquanto gerente de segurança pública, além de trabalharmos na prevenção, nestes casos dirigimos esforços para a geografia do crime e acabamos atuando mais fortemente nos pontos críticosâ€, revela Mello, apontando que este quadro surgiu na região em 2000 e 2001 e o 4º Batalhão de Policiamento do Interior (4º BPM/I), unindo esforços das polícias civil e militar, realizou ações que reduziram os furtos.
A atuação foi feita na fiscalização e fechamento de desmanches, abordagens de veículos e na prisão de quadrilhas inteiras. “Com isso diminuímos o indicador nos 19 municípios do batalhão.â€
O capitão aponta ainda que no caso dos veículos existem três tipos de intenção criminal: os mais velozes eventualmente são usados para cometer outros crimes, os mais luxuosos são comercializados no tráfico de drogas e os mais velhos nos desmanches para comércio de peças e no transporte de produtos roubados em pequenas distâncias.
Entretanto, Messias revela que 70% dos casos têm solução e os veículos são localizado. “Isto é resultado de um esforço conjunto e realização de operações especiais em parceria com Polícia Civil, Receia Federal, Prefeitura e secretarias do Planejamento e Finanças que através de multas, recolhimento de impostos e fiscalizações coibe a comercialização destes produtos furtados e conseqüentemente os crimesâ€, comenta o capitão Messias.
O coronel José Alexandre Cintra Borin, comandante do 4º BPM/I, afirma que esta situação de tranqüilidade na região é mérito da atuação constante do policiamento nestas cidades, bem como dos programas comunitários desenvolvidos pela polícia. “Estamos trabalhando para reprimir o fato dia-a-dia e alertando a comunidade em geralâ€, avalia o coronel citando que grande parte dos crimes que o ocorrem não são seguidos de violência. Em geral, os criminosos levam carros estacionados em ruas, nos finais de semana e nas madrugadas e geralmente, furtam residências vazias, sem fazer vítimas ou reféns.
Alimentando estatísticas
O titular da delegacia seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca também indica a região como pacífica e ressalta que qualquer coisa é motivo para se registrar boletins de ocorrência, que nas estatísticas são todos computados.
Mas desse número se tem desde discussões a furtos de maços de cigarro e até R$ 1,00. Muitos mendigos registram queixa no plantão de polícia e são atendidos como qualquer outro cidadão.
Em contrapartida, segundo Ciocca, os serviços de estatística e inteligência da Polícia Civil, que trabalha em parceria com a Militar, faz um acompanhamento diário da criminalidade e pode perceber que os índices já decrescem consideravelmente em 2002. Para se ter uma idéia, no primeiro semestre de 2001 foram 4629 furtos, no mesmo período deste ano 4022, cerca de 15% em dados oficiais.
“Ainda podemos dizer que Bauru é uma cidade tranqüila e nos orgulhar de ser uma das menos violentas do Paísâ€, finaliza.
O ranking
Conheça o posicionamento das cidades da região no ranking da violência. Foram avaliadas 61 municípios paulistas com população superior a 100 mil habitantes
Furtos Bauru - 1º lugar Marília - 6º lugar Botucatu - 7º lugar Jaú - 36º lugar
Roubos Bauru - 37º lugar Botucatu - 55º lugar Marília - 53º lugar Jaú - 60º lugar
Homicídios Bauru - 44º lugar Botucatu - 48º lugar Marília - 55º lugar Jaú - 60º lugar
Furtos e roubos de veículos Botucatu - 39º lugar Bauru - 42º lugar Marília - 57º lugar Jaú - 54º lugar
Geral Bauru - 43º lugar Botucatu - 49º lugar Marília - 56º lugar Jaú - 61º lugar