Regional

Índio é preparado para o magistério

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de amanhã, 20 índios dos municípios de Avaí, Braúna e Arco-Íris estarão participando do Curso de Formação de Professores Índios para a Educação Infantil e Ciclo I (1ª a 4ª séries) no Centro Estadual de Formação do Magistério (Cefam) de Bauru.

A formação de professores indígenas, segundo a diretora do Cefam-Bauru, Olynda Aparecida Bassan Franco, tem como objetivo principal assegurar o fortalecimento da escola indígena.

“De modo que essa escola se fortaleça como um espaço culturalmente situado, intercultural, bilíngüe e que garanta ao professor indígena a formação mínima exigida por lei para o exercício da docência na educação infantil, mediante a implantação de uma estrutura de formação reflexiva e crítica”.

As aulas serão desenvolvidas com metodologia própria, preservando o caráter intercultural dos alunos, que nesta primeira turma representam as etnias Kaingang, Krenak e Terena. A primeira fase do curso teve início dia 15 julho, em Itapecerica da Serra, e serviu para integrar os participantes.

A iniciativa é do Núcleo de Educação Indígena, vinculado à Secretaria Estadual da Educação, e visa assegurar aos professores das aldeias, a formação mínima exigida por lei para o exercício da docência no Ciclo I do ensino Fundamental.

As aulas serão ministradas por professores de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e os alunos terão a oportunidade de colocar em prática o aprendizado durante estágio supervisionado e realizado regularmente nas classes onde atuam como orientadores de ensino indígena.

Etapas

Com duração de 15 meses, o curso divide-se em duas etapas: básica e específica. Na primeira delas, serão realizadas atividades de aprendizagem e projetos de intervenção e aplicação em sala de aula.

Já na fase de estudos específicos, são desenvolvidas atividades de estudo dos conteúdos conceituais e trabalhada a prática profissional supervisionada, que é realizada por meio de projetos interdisciplinares.

Ao final do curso, os inscritos farão parte do quadro de magistério Estadual ou Municipal como Professor de Educação Indígena. O objetivo é melhorar a qualidade do atendimento dos alunos das escolas localizadas nas reservas indígenas do Estado de São Paulo.

Outras duas turmas, de 20 alunos cada, também participam do curso no Guarujá (litoral paulista) e no Tucuruvi (Capital). No Cefam do Guarujá serão preparados os índios da etnia Guarani das cidades de Cananéia, Pariquera-Açu, Sete Barbas, Itariri, Iguape, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe.

Na Capital, participam os índios (Guarani) das reservas de Bertioga, Ubatuba e dos bairros do Jaraguá e Parelheiros.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Educação Indígena, Deusdith Bueno, a intenção é ampliar o projeto e posteriormente capacitar esses profissionais também para o Clico II dos Ensinos Fundamental e Médio. E, ainda, fazer com que aos poucos o ensino nas aldeias seja ministrado apenas por professores índios.

Escola indígena

Cerca de 700 crianças e adolescentes indígenas do Estado de São Paulo estudam atualmente em escolas da rede oficial de ensino. A maioria deles (487) é formada por alunos de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental, que freqüentam aulas na própria aldeia de origem.

São ao todo sete escolas criadas pelo Governo do Estado, através do Programa de Apoio à Educação Indígena, em parceria com as prefeituras. Outras 13 estão em fase de construção em 13 aldeias do Estado. Além do local apropriado, as aulas são bilíngües (em português e na língua materna).

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