Quase todos os dias o jornalista percebe alguém batendo palmas junto ao seu portão. Até adivinha quem seja, pois já se acostumou com o alerta. E até gosta imensamente porque se trata sempre de sua carteira, a jovem postalista que vem trazer-lhe alguma correspondência, ora cartas, ora circulares, ora folhetos, ora tudo isso mesmo. E gosta porque a moreninha, além de bonita, recebe-o sempre com um sorriso sem dúvida simpático, igualzinho ao da coleguinha que na telinha da TV traz nos lábios aquele gracioso “amanhã de manhãâ€... Sabemos de outras residências cujas entregadoras de correspondências têm, igualmente, os mesmos traços de encanto e simpatia. E perguntamos, então: será que os Correios costumam investigar, em seus concursos de admissão de pessoal, os traços fisionômicos dos candidatos? Só pode fazê-lo e agem muito bem porque a afabilidade pessoal é fundamental nos funcionários que tratam com o público, especialmente os que conduzem nas mãos e nos ombros a carga da comunicação humana e a realizam com uma pontualidade elogiável e uma segurança que se mede pela forma com que promovem o relacionamento entre as pessoas nas oportunidades que se lhes oferecem.
Há hoje no mundo inúmeros meios de comunicação, mas a história dos Correios soma aos mais antigos impérios do Oriente, porquanto já existiam, no Egito, quatro mil anos antes de Cristo. Eram os cognominados “Sigmanacisâ€, que transportavam as mensagens a pé, a cavalo e até montados em camelos. O primeiro Correio oficial, regular, surgiu no Império Romano, por iniciativa do Imperador Augusto, mas no decurso da Idade Média, em razão do desenvolvimento comercial da Europa, os serviços se expandiram, atingindo as longínquas placas do Extremo Oriente.
Em nosso País, a história postalista aparece com um fato marcante. Corria o ano de 1822, era flagrante a ansiedade nacional pela imediata proclamação da independência e, certa manhã, surgiu no Palácio um jovem mensageiro - Paulo Bregaro - que entregou a D. Pedro I cartas de D. Leopoldina apressando a emancipação. Tornou-se ele, então, “símbolo do carteiro brasileiroâ€. Cerca de sete anos depois, os Correios como instituição e criando, conseqüentemente, a distribuição citadina das correspondências em geral. Curiosidade: os estafetas chegavam às localidades em dias certos e se faziam anunciar por toques de cornetas que reuniam a população em uma praça para a entrega das cartas. Finalmente, em 1844 foram criados o corpo de carteiros e condutores de malas e a distribuição em domicílio. As inovações continuaram e a EBCT descentralizou inteligentemente os serviços e modernizou seus equipamentos, por isso que, não é de hoje, efetua para a sociedade uma tarefa de extraordinária valia, fruto de cursos práticos e teóricos a que submete seus postalistas, categoria profissional que jamais poderá acabar, mercê de seus serviços rápidos e eficientes que, rotineiramente, acontecem “amanhã de manhãâ€. Muito bem! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.)