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Troca de pontos dos camelôs é tranqüila no Centro

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A instalação dos camelôs em novos pontos do Centro da Cidade foi tranqüila, ontem. Apenas pequenos acertos foram feitos pelos fiscais e pela secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, que percorreu pessoalmente as áreas problemáticas.

Munidos de mapas e com orientações na ponta da língua, os fiscais da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) driblaram a maioria das reclamações dos ambulantes. O problema mais constante foi a localização dos pontos.

Ao todo são 120 pontos e o mesmo número de ambulantes cadastrados. “Temos 19 candidatos na lista de espera. Como houve sobras no setor I (Centro da cidade), vamos chamar os classificados e tentar remanejar os insatisfeitos”, disse a titular da secretaria do Planejamento, Maria Helena Rigitano.

Segundo ela, na seqüência serão aceitas novas inscrições. “Encerrada a fase de implantação, vamos aceitar novas inscrições para novos pontos que aparecerem na cidade.”

Ela frisa que as calçadas já estavam demarcadas e por isso não houve confronto entre os camelôs e os fiscais. “Na rua, a Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) não conseguiu fazer a demarcação, o que deve acontecer na próxima semana.”

Para cooperar com a secretaria, a Polícia Militar montou a base móvel na praça Rui Barbosa, onde os camelôs consultavam os fiscais e dirimiam dúvidas. Segundo o tenente Jovercy Bergamaschi Júnior, quatro viaturas e 20 homens acompanharam a instalação dos ambulantes. “Para manter a ordem, vamos permanecer por alguns dias na área central.”

Não concorda

O camelô e integrante da Comissão Organizadora dos Trabalhadores Autônomos de Rua de Bauru, Fabrício Genaro, mais uma vez protestou. “Eu participei do processo e deixei de entregar um documento porque não concordo com a lei, assim como a maioria dos ambulantes.”

Ele acha que a lei coloca um trabalhador contra o outro. “Coloca um contra o outro o que acaba gerando conflito na categoria. “A troca de pontos pode ameaçar o futuro dos camelôs. Na troca, muitos vão perder seus clientes.”

Erro foi nosso

O garapeiro Júlio Bonfim assumiu que sua família errou e por isso perdeu pontos. “O carrinho é do meu genro. Ele ficou com medo de perder o ponto porque era empregado e passou para o cunhado dele que estava desempregado. Perdemos pontos com isso.”

Ele diz que aceita trabalhar em qualquer outro ponto no centro comercial. “Eu sou aposentado e ganho pouco. Preciso trabalhar. Aceito qualquer ponto. O que eu não posso é ficar sem trabalhar.”

Estou satisfeita

A ambulante Fabíola Ligia da Silva Felix ficou satisfeita com o novo ponto. “Eu estava instalada na rua 13 de maio, próximo de uma ótica. Fui instalada na quadra de cima da mesma rua. Este ponto não era ocupado anteriormente. Estou satisfeita.”

Na opinião da ambulante Roseli Aparecida de Carvalho, falta organização por parte da prefeitura. “Estão privilegiando algumas pessoas e tirando emprego de outras. Eu tenho 20 anos de banca, no meu ponto oito anos. Fui classificada com 80 pontos.”

Na escolha, segundo ela, foram apresentados apenas dois pontos na rua 13 de maio entre a avenida Rodrigues Alves e Calçadão da Batista. “Na hora da instalação, observei que tinha um terceiro ponto que não me ofereceram”, reclama.

Há dez anos no mesmo ponto, no cruzamento da rua 13 de Maio com Calçadão, Eleontina da Silva acha que a regulamentação é boa. “Não temos que ficar brigando com lojistas e com pedestres. A partir de agora eles têm que reclamar na prefeitura.”

Otimista, a ambulante pretende conquistar novos fregueses. “Vim para a quadra 4 da rua 13 de maio. Hoje já senti a queda nas vendas, mas vou conquistar novos fregueses.”

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