Presença diária no noticiário e nas conversas cotidianas, embora muitas vezes sob críticas por suas decisões na esfera pública, os economistas comemoram hoje o seu dia. A data, estabelecida por lei federal em 1951, relembra a regulamentação da profissão e o estabelecimento das normas que a organizam.
“A profissão está em reflexão. Há um paradoxo: nunca se abriu tanto espaço para manifestações dos Economistas sobre o destino do País e, por outro lado, há baixa demanda pelas vagas nos cursos superiores de economia. É uma fase delicadaâ€, afirma o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Bauru.
De acordo com Cafeo, graduado em 1982 pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), o que parece assustar os interessados na área econômica é o alto nível de abstração que a profissão exige, apesar do déficit crescente de pessoal qualificado.
“Há mais de 20 áreas em que o economista pode atuar. O setor público é o principal, mas há a possibilidade de seguir ‘carreira solo’ ou partir para o terceiro setor, isto é, o das Organizações Não Governamentais (ONGs)â€, observa o delegado do Corecon.
A carreira de Cafeo é um exemplo de como a profissão de economista não se torna, necessariamente, uma ‘camisa-de-força’ de números e estatísticas. Além do trabalho com a economia “brutaâ€, ele ministra aulas na ITE desde 1983 e, no próximo mês, defende sua tese de mestrado na área do jornalismo econômico.
Política
Na opinião da economista e professora Salete Aparecida Rossini Lara, a opinião pública, em geral, tem uma “visão equivocada†do economista. Para ela, parte desse problema pode ser atribuido à confusão entre economia e política. “Na maioria das vezes, os problemas econômicos acabam esbarrando na políticaâ€, afirma.
Salete, que exerce a profissão desde 1982, acredita que ainda há certo desconhecimento dos jovens quanto à economia na hora de escolher um curso universitário; daí a baixa procura. “Quando chego em uma sala de aula nova, os alunos pensam que a disciplina é só matemática. Então eu peço para eles lerem as notícias: todo dia tem economia nos jornaisâ€, ressalta.
A economista revela que uma área de atuação bastante em alta atualmente é a de perito econômico-financeiro, que paga salários altos e tem déficit de mão-de-obra.
Para o economista Said Yusuf Abu Lawi, graduado há 15 anos, os “interesses políticos†se configuram no principal fator que leva os economistas, muitas vezes, a receber o rótulo de “vilãoâ€. Em conseqüência, há o desinteresse dos jovens pelo assunto. “Às vezes, por conta do setor governamental, a imagem que se forma é transportada para todos os economistasâ€, afirma.
Apesar disso, Said acredita que a profissão vale a pena, especialmente para quem trabalha no setor privado. â€œÉ gratificante ver a empresa conseguindo crescer, se expandir, mas dentro de uma racionalidade aplicadaâ€, revela. E adverte: “Por outro lado, qualquer erro do economista deixa a empresa engessadaâ€.
• Serviço
Para marcar a data, hoje, às 19h30, será realizado um debate sobre o atual cenário econômico do País, promovido pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). O evento será na Sala do Júri, da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, e é aberto à participação de todos. Os economistas Reinaldo César Cafeo, Wagner Ismanhoto e Herman Vos coordenarão o debate, acompanhados por técnicos do Banco do Brasil (BB).