Economia & Negócios

Por norma do BC, Caixa deve vender dois imóveis em Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

A Caixa Econômica Federal (CEF) deve colocar à venda do prédio de duas de suas agências em Bauru, localizados nas ruas Agenor Meira e Gustavo Maciel, no Centro da cidade. O edital para concorrência pública será publicado em uma semana, no dia 21. No Brasil, serão vendidos cerca de 680 imóveis da Caixa até o final do ano, que devem render um total de aproximadamente R$ 600 milhões em divisas para a instituição. O objetivo é desimobilizar parte dos ativos do banco, seguindo definição do Banco Central (BC).

Os imóveis à venda serão divididos em cinco lotes. O primeiro, cujo prazo final de contratação está previsto para 10 de outubro, compreende 125 agências no País - 39 delas no Estado de São Paulo. Porém todas continuarão pertencendo à CEF.

Destas, além dos imóveis em Bauru, provavelmente serão vendidas uma agência da Caixa em Jaú e, em Marília, a agência localizada na avenida Sampaio Vidal. As informações são do superintendente nacional de Recursos Materiais da CEF, José Odalgir Brizolin.

Os imóveis vendidos, contudo, continuarão a ser ocupados pela CEF. O contrato de locação será feito por um prazo de dez anos, renováveis pelo mesmo período, e com a garantia de que o banco pagará o aluguel por cinco anos, mesmo que deixe o imóvel.

“Nós só venderemos com contrato de locação instantâneo. A venda só será realizada se, concomitantemente, o comprador alugar para a própria Caixa. De outra maneira a gente não negocia”, afirma Brizolin. E completa: “Damos garantia para o investidor. Somos um inquilino ‘especial’”.

Teto menor

A venda de ativos imobilizados da Caixa será efetuada para atender a uma norma do BC, que, conforme princípios do Acordo de Basiléia, prevê índices máximos de imobilização sobre o patrimônio líqüido das instituições financeiras. Até dezembro deste ano, esse teto deverá diminuir de 60% para 50%.

De acordo com Brizolin, a CEF pretende seguir a regra guardando uma margem de segurança de 13%. “Nosso programa de desimobilização prevê deixar em torno de 37% do nosso ativo imobilizado”, ressalta.

Como conseqüência, a Caixa deve aumentar sua carteira de empréstimos. “A instituição terá recursos líqüidos com mais abundância”, afirma Brizolin. Para ele, com grande parte dos ativos concentrado em imóveis, a Caixa - assim como outros bancos - poderia deixar de corresponder a suas atribuições.

“O objetivo final da instituição financeira não é aplicar em imóveis. É aplicar em empréstimos, para que a população progrida”, explica Brizolin.

____________________

Aluguel x juros

De acordo com o superintendente nacional de Recursos Materiais da Caixa Econômica Federal, José Odalgir Brizolin, ainda estão sendo realizados laudos para avaliar os imóveis e definir o valor dos aluguéis. “Nós pretendemos lançar o edital com uma taxa de retorno em aluguéis que varie de 1% a 1,4%, 1,5% (do valor de venda do imóvel)”, diz.

A previsão da CEF é arrecadar um total de aproximadamente R$ 600 milhões com a venda de 680 agências em todo o País, que terão custo unitário médio de pouco menos de R$ 900 mil. No entanto, a idéia de que vender um imóvel próprio para pagar aluguel seria um contrasenso é afastada por Brizolin.

Como os aluguéis serão corrigidos pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), atualmente em torno de 8,8%, Brizolin explica que os gastos em aluguel referentes a esses 680 imóveis serão superados pela taxa de juros da carteira de empréstimos gerada pelas divisas da venda - que deve variar entre 17% e 20% ao ano, segundo calcula o superintendente.

“Fazendo girar este recurso, ele vai dar muito mais lucro do que o aluguel que estaremos pagando”, afirma Brizolin. E finaliza: â€œÉ um investimento calcado no tripé liquidez, garantia e segurança.”

Segundo a assessoria da imprensa da Caixa em Bauru, o banco ocupa seis imóveis na cidade, e paga aluguel em quatro deles.

Comentários

Comentários