O anúncio feito na terça-feira da semana passada pelo Ministério de Minas e Energia - de que se os preços de venda do botijão de 13 quilos do gás de cozinha não baixassem dentro de dez dias a Agência Nacional de Petróleo (ANP) tabelaria o valor em R$ 23,00 - não surtiu efeito nas revendedoras de Bauru e não existem indicativos de mudança. Em consulta feita ontem pela reportagem, os preços são os mesmos do início da semana passada, variando de R$ 25,00 (em apenas uma revenda entre cinco consultadas) a R$ 28,90.
Proprietários e gerentes desses estabelecimentos dizem que as distribuidoras de gás não estão repassando nenhuma redução de preços e que os valores aplicados na cidade estariam dentro da média do mercado. Segundo o ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, se dentro de dez dias - a contar de quarta-feira passada - os preços não baixassem para os valores de dezembro de 2001 somados a R$ 5,00, a ANP iria intervir com o tabelamento do chamado Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP).
“A questão é que em janeiro deste ano, quando o governo acabou com o subsídio para o gás, o botijão de 13 quilos custava, em média, R$ 25,00. Se você somar R$ 5,00 a esse valor, conforme o ministro disse, já sobe para R$ 30,00. Ou seja, os preços do botijão de gás aqui em Bauru estão abaixo disso. Então, não há porque baixar. Se as distribuidoras descerem o preço, é claro que as revendas também reduzirão o valor ao consumidor. Mas isso não está acontecendo e a culpa não é nossaâ€, destaca Francisco Carlos de Góes, proprietário de um depósito de gás na cidade.
De acordo com ele, na sua revendedora o botijão está sendo comercializado a R$ 28,90 (na portaria e para entrega), o mesmo preço desde o último aumento autorizado pelo governo em julho - que foi de 6,2%. Góes diz que as revendedoras não têm como baixar os valores para o consumidor final se as distribuidoras não fizerem isso antes. O comerciante afirma que sua margem bruta de lucro por botijão comercializado está em R$ 5,00. Tirando impostos, custo operacional e pagamento de funcionários, ele calcula que fatura menos de R$ 2,00 por unidade.
Impostos
Além disso, Góes lembra que, para os revendedores, a composição de impostos do GLP seria recolhida antecipadamente sobre um valor presumido de R$ 34,46 por botijão. “Eu acho que o preço tem que baixar nas regiões em que a unidade é vendida a mais de R$ 30,00 para o consumidor final. Esse não é o caso de Bauru, mas as pessoas não estão entendendo isso e acham que os vilões da história somos nós. O ministro tem a obrigação de, pelo menos, explicar as coisas direitoâ€, irrita-se Góes.
Segundo levantamento divulgado pela ANP, o preço médio do gás de cozinha no País caiu apenas 0,46% na semana passada. A queda na média nacional foi de R$ 26,20 (preço em vigor na semana de 28 de julho a 3 de agosto) para R$ 26,08 na semana passada (de 4 a 10 de agosto). Por outro lado, conforme o Jornal da Cidade já divulgou, neste ano a alta acumulada do botijão de 13 quilos do GLP é de 63,3% - contra inflação acumulada até julho de 2,56%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Fipe. Desde o início do ano foram quatro aumentos: janeiro (23%), abril (14,5%), junho (9,2%) e julho (6,2%).
Sem redução
O gerente de outra revenda, Sérgio Roberto Bonfim, diz que há um mês o estabelecimento no qual trabalha pratica o preço de R$ 25,00 por botijão vendido ao consumidor na portaria e R$ 26,00 para entrega em domicílio. “Como a empresa tem prédio próprio, fazemos um esforço para reduzir alguns custos operacionais com o objetivo de oferecer preços melhores aos clientes. Até agora, a distribuidora não nos passou nenhuma informação sobre redução de preços e não há nenhum indício de que os valores caiamâ€, observa.
Em outra revendedora, Ailton Pereira também informa que os preços continuam os mesmos do mês passado: R$ 28,00 na portaria e R$ 28,90 para entrega.
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Queda nas vendas
Alguns comerciantes do setor estão reclamando de que a confusão que teria sido causada entre a população com o anúncio sobre o possível tabelamento do gás de cozinha - feito pelo ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide - está resultando em queda nas vendas. José Carlos Marques, proprietário de uma revendedora de gás em Bauru, é um deles.
“Tem gente adiando a compra do botijão porque está esperando o valor baixar. Mas isso não deve acontecer aqui em Bauru, porque os preços são inferiores ao patamar que o ministro anunciou. Em dezembro do ano passado, eu vendia cada botijão por R$ 23,00 e, agora, vendo a R$ 28,90. Desde que ele fez aquele anúncio, as vendas caíram, porque as pessoas acham que os preços vão obrigatoriamente baixarâ€, diz Marques.
O comerciante desabafa dizendo que se o governo não tivesse autorizado tantos aumentos desde o início do ano, o preço do gás não estaria tão alto. “Não somos nós que mandamos nos preços. Logo depois que acabou o subsídio, em janeiro, já foi aplicado um aumento de 23% e agora o governo vem com essa história de que o preço tem que cair. As coisas não são simples assimâ€, opina.
O comerciante Luiz Carlos Afonso diz que em dezembro de 2001 comercializava, em sua revendedora, cada botijão a R$ 24,90. Atualmente, o valor nessa empresa é de R$ 28,70 para o consumidor. Segundo o ministro, os preços corretos deveriam ser baseados no valor de dezembro - em média R$ 25,00 - acrescidos de R$ 5,00, o que daria um valor de R$ 30,00, acima da média praticada atualmente em Bauru.
“A conta do Ministério de Minas e Energia não faz sentido e essa confusão toda está se refletindo em queda nas vendas. Desde a semana passada, estou vendendo de 8% a 10% menos na comparação com o movimento das semanas anteriores. Se a distribuidora baixar o preço para mim, eu também vou reduzir para o consumidor. Mas ninguém disse nada sobre isso até agoraâ€, relata o comerciante.