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Eles não usam bigodes


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Bigodes, definitivamente, estão fora de moda. Cada vez conheço menos gente que os tenha. É raro, por exemplo, encontrá-los enfeitando o rosto dos jovens. Talvez porque a onda seja fazer musculação – e bíceps avantajados, salvo engano, parecem não combinar com pêlos. O que explicaria o fato de tantos homens optarem pela máquina zero e por depilar pernas, axilas e outras partes menos visíveis. Alguns se superam. Aproveitam o embalo, pintam os beiços de vermelho-carmim, pegam a bolsa e vão à luta. Mas essa é uma outra história.

Bigodes também parecem não combinar com o poder. Vejamos. Dos seis candidatos à Presidência da República, nenhum tem apenas bigode. Quatro têm a cara limpa. Dois – Lula e Pimenta, do PCO – destacam-se mais pela barba que pelo bigode. Pela simples razão de que ninguém apelida os que usam barba e bigode de “bigode”. Quando muito, os chamam de “barba”.

Dos últimos 12 presidentes que tivemos, FHC incluso, só três usavam bigode: Jânio Quadros, Costa e Silva e José Sarney. O primeiro, como se recorda, renunciou. O segundo, por sua vez, morreu no meio do mandato. O terceiro foi até o fim, mas nos deixou com uma inflação de 80% ao mês. Além disso, até hoje tem o hábito de tingir os fios abundantes. Ocorre que um bigode, por melhor tingido que seja, não tem a mesma credibilidade de um ao natural.

Idêntico fenômeno ocorre no Estado mais rico da federação. De 1978 até hoje, são Paulo nunca teve um governador que usasse bigode. Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury, Mário Covas e Geraldo Alckmin, como se sabe, exerceram o poder, por assim dizer, de cara limpa. Muito embora alguns deles tenham se valido do óleo de peroba.

Dos 12 candidatos ao governo paulista, apenas três disputam para valer: Maluf, Alkmin e José Genoíno. Outros dois – Fernando Moraes e Antônio Cabrera – estão na disputa para dar palanque aos seus candidatos ao Senado e à Presidência. Dos cinco citados, apenas Cabrera tem bigode. Genoíno e Moraes, a exemplo de Lula, se destacam pela barba e – por que não dizer? – pela inteligência.

Não se pode dizer que nossos ex-presidentes e ex-governadores fossem chegados a uma musculação. Fora Figueiredo e Collor, não há notícias de que os demais tenham se exibido em público com sungas minúsculas ou desfechando golpes de caratê. De onde se deduz que bigodes, ao menos entre aqueles bem-sucedidos, há muito estão fora de moda. Compreende-se. Se há muito o fio de bigode não vale uma pataca, por que ostentá-lo? (O autor, Orlando Silveira é jornalista)

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