Bairros

Escorpiões assustam o Alto Paraíso

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O aparecimento de escorpiões em casas da quadra 2 da rua Isidoro de Santis, no Jardim Alto Paraíso, tem alterado a rotina de alguns moradores. Sacudir as roupas de cama antes de dormir, assim como os sapatos, antes de calçá-los, agora são detalhes que fazem parte do cotidiano dessas pessoas.

Os animais já fizeram duas vítimas na rua Isidoro de Santis. Os moradores cobram da administração municipal soluções para o problema.

De acordo com Maria Cristina Nadeu, nos últimos meses ela encontrou 14 escorpiões amarelos dentro de sua casa. Ela afirma que eles aparecem com mais freqüência no período da noite. “Um dos que eu peguei e coloquei num vidro teve 21 escorpiõezinhos no dia seguinte”, conta.

Anteontem, Renato Cazuo, vizinho de Maria Cristina, foi picado no pé por um escorpião amarelo quando calçava sua bota. Ele procurou atendimento médico e ficou em observação. “Não consigo colocar o pé no chão porque dói e fica formigando”, diz.

Maria Cristina teme pela saúde de sua filha, de 7 anos, e seu neto, que tem 1 ano. “Nós temos que andar pela casa verificando tudo e perdendo um tempo maior na hora de vestir uma roupa, colocar o sapato e deitar”, diz.

Cazuo acredita que a origem dos escorpiões que invadem as residências é um terreno baldio localizado ao lado de sua casa. “Quando mandaram limpar o terreno, encontraram uma espécie de ninho de escorpiões”, diz.

O terreno estava com mato alto, que foi cortado há algumas semanas, de acordo com os vizinhos.

Maria Cristina acionou o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde, mas não ficou satisfeita com o atendimento.

“Eles vieram até aqui e nos deram orientações sobre como evitar que apareçam e como proceder se aparecerem novamente. O que nós gostaríamos é de uma providência para que esses animais não voltassem a nos incomodar”, reclama.

“Falaram para tomar cuidado, mas cuidado a gente toma”, acrescenta Cazuo.

CCZ

O chefe do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto, esclarece que as atribuições do órgão em casos como o do Alto Paraíso são orientativas. “Na verdade, nós orientamos porque são as pessoas que criam condições adequadas para que esses animais apareçam”, explica.

Além disso, Neto afirma que as medidas a serem tomadas dentro de cada imóvel cabem ao seu proprietário. “Em caso de aparecimento do animal, tomamos medidas preventivas e de orientação. Mas a questão é mais ambiental. Se você cria condições de alimentação e alojamento, o animal vai se proliferar”, destaca.

O chefe do CCZ explica que um dos aspectos que torna difícil o combate aos escorpiões é sua característica de adaptar-se facilmente a diversos locais. Em determinados casos, esses animais podem esconder-se e sobreviver durante oito meses sem alimentação.

Os escorpiões amarelos, de acordo com Neto, são todos fêmeas que se auto-fecundam, tornando mais fácil sua reprodução.

Algumas dicas que podem ajudar no combate aos escorpiões é manter quintais e terrenos limpos e colocar telas nos ralos da casa.

Se alguma pessoa for picada, ela deve procurar atendimento médico imediato e, se possível, levar junto o animal.

As denúncias referentes a terrenos baldios em condições inadequadas podem ser feitas ao CCZ (235-1215) quando o proprietário do imóvel for conhecido. Caso contrário, os munícipes devem procurar a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), através do telefone 235-1000.

“A população jamais deve esquivar-se de responsabilidades que cabem a ela”, salienta Neto.

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