Economia & Negócios

Economistas não recomendam troca de aplicação financeira

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Com a medida anunciada anteontem pelo governo, de flexibilizar as normas que regulam o funcionamento dos fundos de investimento para evitar novas fugas de recursos, economistas consultados pela reportagem estão orientando os pequenos investidores que possuem esse tipo de aplicação a permanecer nessa modalidade. Trocar de aplicação significa pagar taxas, impostos e o investidor ainda pode perder rentabilidade.

A partir de agora, os fundos de investimento não serão mais obrigados a contabilizar todos os seus títulos com base no valor de mercado de cada papel. Essa exigência passou a vigorar em 31 de maio deste ano e gerou perdas nos rendimentos.

A economista e professora Salete Aparecida Rossini Lara não aconselha a mudança de investimento porque somando todas as taxas que o aplicador paga nessa transição, incluindo a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), as perdas podem ser maiores do que arcar com um eventual prejuízo nos fundos de investimento.

“Na maioria dos casos em que houve retirada de aplicações em fundos de investimento, a decisão foi tomada devido à insegurança gerada pelas especulações em torno do assunto. Com a flexibilização das normas, a tendência é do mercado se acalmar a partir de agora, principalmente após as eleições (em outubro)”, diz Salete.

O único caso em que a economista recomenda o saque de aplicações em fundos de investimento é para o investidor que possua dívidas a pagar. Utilizar esse dinheiro para quitá-las é mais vantajoso do que recorrer ao financiamento das dívidas.

Para Salete, a flexibilização das normas tem efeito a curto prazo. Após um certo período, as especulações devem voltar, mas ela afirma que os investidores não devem se deixar levar pelo cenário de incerteza. “Os especuladores vivem disso. Portanto, não é motivo para haver uma nova retirada dos fundos quando as especulações voltarem a ganhar força”, orienta.

Efeitos

Na opinião da economista, a atitude do governo foi válida, mas os efeitos seriam ainda mais positivos se fossem adotadas medidas mais contundentes e arrojadas. “Acho que o governo precisava ter agido antes e de forma mais arrojada, mas sempre se mostrou conservador. Pelo menos, alguma coisa foi feita e isso é válido. O fato do presidente ter chamado os candidatos à sucessão para uma reunião também foi positivo. Isso acalma o mercado externo e, conseqüentemente, tende a ocorrer o mesmo com o mercado interno”, avalia.

Insegurança

Sobre a insegurança que muitos passaram a ter em relação a esse tipo de aplicação financeira, Salete diz que essa reação é natural e que pode resultar, até mesmo, no aumento da procura pela Caderneta de Poupança.

“As pessoas se assustaram porque os fundos eram considerados seguros e, até tudo isso acontecer, era uma aplicação que dava bons rendimentos. A partir de agora, os bancos devem começar a fornecer serviços mais atraentes para recuperar os clientes que deixaram de investir nessa modalidade, ou fazer com que os atuais permaneçam. É uma modalidade importante para os bancos”, aponta Salete.

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo César Cafeo também aconselha as pessoas que possuem recursos em fundos de investimento a permanecer com a aplicação. A tendência, segundo ele, seria o resgate da confiança nessa modalidade.

“Para quem passou pela fase de especulações constantes e não retirou suas aplicações, essa não é a hora certa de mudar, mesmo diante da transição de governo. A partir de agora, o investidor pode ser recompensado pelas perdas que já teve”, diz Cafeo.

Por outro lado, para quem trocou os fundos por outro tipo de aplicação, o economista não aconselha o caminho de volta. “Isso envolve cobrança de CPMF e de impostos. Se o investidor se deu bem em outro tipo de aplicação, é porque ele possui um perfil mais conservador. Portanto, deve permanecer onde está”, orienta.

Na opinião do economista, a medida do governo não deve ser suficiente para reconquistar as pessoas que retiraram suas aplicações dos fundos de investimento. “A mudança nas regras terá um efeito positivo a curto prazo, mas não será suficiente para fazer cessar todas as incertezas de quem tem recursos aplicados em outras modalidades”, avalia Cafeo.

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