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Festa no céu

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Foram dois dias de pura adrenalina no céu e solidariedade na terra, suficientes para atrair cerca de 6 mil pessoas ao Aeroclube de Bauru no último final de semana.

O responsável por tal façanha foi o Festa Aérea Solidariedade no Ar, evento promovido através de uma parceria entre a Skydive Radical Center, o Aeroclube e as secretarias municipais da Cultura e Bem-Estar Social com o apoio do grupo Baurucar/Volkswagen, Top Aviation, Jornal da Cidade, Expresso de Prata, Rádios 96 FM e Auri Verde AM, Gráfica Líder e Quality Garden Hotel.

O Festa Aérea elaborou uma extensa programação de atividades para agradar os mais variados gostos, especialmente o dos amantes dos esportes radiciais. A principal delas foi o festival de paraquedismo, que reuniu 50 atletas vindos de inúmeras cidades paulistas, como Araçatuba, Ribeirão Preto, Lins e Presidente Prudente, e até de outros Estados.

O evento contou ainda com a participação especial do 12º grupamento do Corpo de Bombeiros de Bauru, que organizou uma exposição de fotos que retrataram simulações e socorro à vítimas de acidentes executados pela corporação. Também compareceram a Polícia Ambiental, Canil da Polícia Militar, da Associação de Mergulho e Esportes Radicais de Bauru (Giramundo), do Clube dos Carros Antigos do Centro Oeste Paulista e da Baurucar.

A Giramundo montou uma exposição de fotos mostrando paisagens já fotografadas por seus integrantes e toda a estrutura aos interessados em filiar-se à associação, fundada recentemente na cidade. Também marcou presença o Clube de Carros Antigos, que expôs três Fuscas dos anos de 1954, 1955 e 1963.

A Baurucar/Volkswagen exibiu duas versões, a 1.0 e a 1.6, do novo Polo, o mais recente lançamento da marca no País, e ofereceu a possibilidade de efetuar test-drives em ambos. Outra iniciativa criada pela concessionária foi a oportunidade de tirar fotos ao lado dos veículos que representam as várias gerações de produtos Volkswagen no País.

Entretanto, uma das atrações mais aguardadas e prometidas pela comissão organizadora - o helicóptero Águia do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar (GRPAe) - não pôde comparecer ao evento. Segundo César Assis, um compromisso de última hora foi o responsável pela ausência da equipe. “A aeronave precisou participar de uma missão em Avaré”, explicou ele.

Mas o Festa Aérea não se resumiu apenas às atrações aéreas. O evento também arrecadou alimentos não-perecíveis - cerca de 800 quilos - para serem distribuídos a duas entidades assistenciais de Bauru: Pequenos Obreiros de Curuçá (Poc) e Casa das Crianças.

Os saltos

Eles foram o ponto alto do evento. Os pára-quedistas garantiram a emoção para o público, que torcia o pescoço para acompanhar suas evoluções e manobras no ar. No total, durante os dois dias, mais de 250 saltos, em 18 lançamentos com média de 14 integrantes por decolagem, coloriram o céu bauruense.

O lançamento dos atletas era feito em uma aeronave militar da Força Aérea Brasileira (FAB), um bandeirante C-95, com a participação do 4º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA) da FAB. Após os saltos, todos filmados e fotografados pelos próprios pára-quedistas, o público podia conferir em uma televisão como eles foram executados em pleno ar.

O linense Leandro “Piui”, campeão da Copa Free Fly de Marilia, era um dos responsáveis para “documentá-los”. Com uma máquina fotográfica e uma câmera acopladas ao seu capacete, Piui cumpriu à risca sua missão de flagrar aqueles que são os momentos de maior adrenalina. Exemplo disso pode ser visto nas fotos áereas desta reportagem, gentilmente cedidas pelo pára-quedista.

Para executá-las, através de um disparador acionado pela boca, Piui explica que a maior dificuldade é acompanhar individualmente cada pára-quedista. “Devido ao peso, cada um cai de um jeito e, por isso, sempre saio antes do grupo para poder acompanhar os saltos de todos e registrar o momento da saída do avião”, ressalta ele.

Os saltos em Bauru, segundo Piui, foram feitos a uma altitude média de 3.600 metros, o que fez com que os pára-quedistas atingissem velocidades superiores a 200 km/h e caírem, por segundo, distâncias equivalentes a prédios de 15 a 20 andares. “Quando estamos deitados, não passamos de 200 km/h, mas em mergulho chegamos a 300 km/h. Além disso, recordes já foram registrados a 400 km/h”, acrescenta Piui.

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Susto

O espetáculo aéreo foi coordenado pelo experiente pára-quedista bauruense Paulo Assis, que já acumula mais de 4 mil saltos na carreira. “Nosso objetivo foi organizar um evento para manter a tradição da cidade nos esportes aéreos”, destaca ele. “Prova disso é que Bauru é um celeiro na formação não só de pára-quedistas, mas também de pilotos”, complementa ele.

Assis foi o protagonista de um dos momentos de maior aflição durante o Festa Aérea. Logo após ter saído do avião da FAB, ele teve de se desvencilhar de seu pára-quedas principal, pois este apresentou algum problema e não abria. Apesar disso, o bauruense acabou aterrisando normalmente na pista do aeroclube, enquanto o pano de seu primeiro equipamento caiu nas imediações do evento.

Mas o susto, garante Assis, foi apenas do público. Para ele, o fato integra o cotidiano de todo pára-quedista, que, conforme Assis, já está preparado para tal circunstância. â€œÉ um procedimento normal de segurança que todos prevêem a possibilidade de ocorrer. É como se furasse o pneu de um carro”, compara Assis, falando com naturalidade.

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