O vice-presidente da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, o palestino Battrekhi Wail, está convencido de que a paz entre Israel e a Palestina só será conquistada com o cumprimento das resoluções aprovadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O conselho do órgão referendou a criação do Estado da Palestina, mas até hoje, por pressão de Israel via Estados Unidos, a resolução não é cumprida.
Ontem, Wail fez palestra em Bauru para defender a causa palestina. Ele foi recepcionado pelo presidente da executiva municipal do PMDB, Alex Gasparini, e pelo vice-presidente brasileiro da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, Mauro Bianco.
O palestino relatou o quadro em que seu país e seu povo vivem atualmente. “A situação na Palestina atualmente é muito difícil e crítica. Nós, palestinos, vivemos o regime do apartheid promovido pelo governo de Sharon (primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon)â€, conta.
Wail explica que as autoridades palestinas têm consciência de que com o atual governo de Israel a conquista da paz será difícil.
“O atual governo de Israel é formado por partidos radicais religiosos de extrema direita. Esses grupos não reconhecem o direito dos palestinos de autodeterminação. Não reconhecem as resoluções da ONU nesse sentidoâ€, denuncia.
Ele diz, porém, que o povo palestino tem uma visão clara de como proceder para alcançar um acordo de paz. “Nós exigimos que o governo de Israel reconheça e aplique as resoluções da ONU. É com base nessas resoluções que faremos o acordo de pazâ€, afirma.
Chances perdidas
O palestino avalia que o Estado de Israel perdeu várias chances para firmar um acordo de paz com os palestinos. “Repetidas vezes esse acordo não pôde ser feito por ações do governo de Israel, que insiste em provocar o povo palestino, assassinar líderes políticos, crianças e civis.â€
Wail lembra que os grupos palestinos já suspenderam por três vezes suas ações para atender ao chamado do governo israelense. “Mas a resposta de Israel foi a manutenção dos massacres. A parte oeste de Gaza está subdividida em quatro partes e a Cisjordância em seis. As pessoas não podem se locomover livremente entre essas regiõesâ€, denuncia.
O vice-presidente da federação diz que essa é uma situação inaceitável para a população palestina.
“As pessoas enfrentam barreiras para ir à escola, para chegar aos postos de trabalho. Até mesmo o acesso aos hospitais é feito com dificuldades. Não são raros as mulheres que dão à luz nessas barreiras, o que leva a morte de seus bebês. Isso é um crime internacional pouco falado.â€
Yasser Arafat
Para o palestino, a liderança de Yasser Arafat (Autoridade Palestina) não está abalada. Em janeiro do ano que vem, a Palestina realiza eleições para escolher suas lideranças. Arafat já tem oposição e concorrente. Mas isso não assusta Wail.
“Arafat foi eleito democraticamente em 1994. Nós não concordamos com a proposta do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que pede ao povo palestino e à comunidade internacional que troque a autoridade palestina.â€
Ele considera essa situação uma intromissão norte-americana nos assuntos internos da Palestina. “Isso é anti-democrático. É uma interferência inaceitável em nossas instituições. Só o povo palestino tem o direito de eleger seu líder ou reeleger Arafatâ€, avisa.