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'Lauro' restaura teatro de ex-colônia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto Lauro de Souza Lima - referência mundial no tratamento e pesquisa da hanseníase - está restaurando suas instalações antigas, tombadas como patrimônio histórico em Bauru. No século passado, o local foi usado como exílio para portadores de lepra e a comunidade construída ali recebeu o nome de Asilo-Colônia Aimorés.

Investimentos já chegam a R$ 100 mil

O diretor de Serviço Médico do Instituto Lauro de Souza Lima, Fernando Monti, informa que cerca de R$ 100 mil já foram investidos nas obras de reforma e restauração do ex-asilo-colônia. “Fizemos boa parte com recursos próprios e, recentemente, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O diretor técnico do instituto, Marcos Virmond, informa que, mesmo com a abertura do museu, as obras continuam na outra parte do teatro, onde havia o palco, auditório e salão de bailes. Terminado o teatro, a restauração será feita na igreja do local, que hoje permanece fechada. Segundo os médicos, é impossível estimar o custo de toda a obra, tampouco o prazo para a conclusão.

Serviço

Empresários e pessoas interessadas em colaborar com a restauração podem entrar em contato pelo telefone (14) 221- 5855.

Há cerca de quatro anos, a diretoria do instituto decidiu recuperar os prédios mais velhos. São obras planejadas, projetadas e executadas pelos próprios moradores, que eram internados compulsoriamente ali tão logo recebiam o diagnóstico da doença.

As obras de reforma e reconstituição começaram pelo antigo centro de convivência dos moradores, inaugurado em 1938. Um teatro onde eles se reuniam para as mais variadas atividades. Apelidado de “cassino”, o prédio servia como palco de apresentações, cinema, salão de baile, sala de jogos, consultório odontológico, biblioteca, emissora de rádio e muito mais.

“Só que as telhas foram quebrando com o passar dos anos e não foram trocadas. A água foi apodrecendo tudo - o forro, o palco, o assoalho, a pintura das paredes”, conta Nivaldo Mercúrio, 75 anos, um dos asilados que ainda vive e trabalha no local.

A reforma começou pelo reforço nas estruturas do prédio. Em seguida, foi feita a troca do assoalho das salas frontais do teatro. Agora, a artista plástica Maria Cabreira está fazendo a restauração da pintura remanescente e a reconstituição das partes perdidas na entrada e salas frontais do teatro. O resultado deverá ficar muito próximo ao original.

“A construção e pintura do teatro foram feitas pelos próprios moradores. Exilados aqui, alguns artistas usaram as paredes para expressar seus talentos”, comenta Cabreira.

Memória

A parte do prédio cuja reforma está sendo concluída será transformada em um museu. Ali, serão expostos alguns dos utensílios usados pelos moradores da ex-colônia. Entre os objetos, há um antigo gabinete odontológico, muitos livros e cerca de 400 discos de vinil - usados para a realização dos bailes na época.

Também há um órgão e alguns instrumentos musicais que compunham a “orquestra” de Aimorés. “Eles tocavam todos os dias em que havia sessão de cinema. Eles tocavam no coreto até as 19h, quando começava o filme”, lembra Mercúrio.

A artista plástica estima que a pintura da fachada e da parte frontal do teatro deverá ser concluída ainda este mês. O diretor de Serviço Médico do instituto, Fernando Monti, estima que a abertura do museu deverá ocorrer, oficialmente, em outubro.

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