A palavra diálogo vem de dia, e a sua origem significa, entre outras, separação, divisão. Significa, também, por medo de, um com o outro. O diálogo, portanto, pode unir ou separar, dependendo de como é feito. Em cada dia de nossa vida, mesmo que não o queiramos, dialogar (a fala entre duas pessoas) é uma necessidade. Todos dialogam: nações, instituições, homens e mulheres. A falta de diálogo provoca rupturas no relacionamento humano, que têm como conseqüências guerras, conflitos, desentendimentos, caos, até mortes. É só dar uma olhada no jornal. No casamento podem ocorrer as mesmas coisas. Quando o casal conversa, se entende e se respeita, a família vive em harmonia.
Na verdade, o casamento nasce de um grande diálogo: começou num encontro, transformou-se em namoro, virou noivado e acabou em casamento. Não há pessoas que mais dialoguem que um casal de namorados ou de noivos. Esse diálogo não é uma simples relação boca-ouvido, mas uma grande e afinada comunicação entre dois seres e duas almas, no preparo de um magnífico projeto de vida: a família. Isso é amor, em que, na feliz frase do poeta: “tudo é dois e tudo tende a ser umâ€.
Se o diálogo constrói o amor, o que o destrói? No relacionamento entre o casal, muitas são as armadilhas que, despercebidas, capturam os cônjuges. Vamos conhecer algumas delas. Tempo e rotina. O tempo passa rápido, repentinamente, a novidade tão atraente, passa a fazer parte de uma rotina. Tudo acontece de forma repetida, já conhecida. O diálogo, portanto, torna-se dispensável, e a primeira armadilha já engoliu o casal.
Falta de tempo. Imaginemos uma típica família brasileira, o casal soma esforços para manter a família. São tantas as preocupações desde a hora de acordar até a hora de dormir, o casal não tem mais tempo para si, para estar junto e se curtir. Caiu-se na segunda armadilha: sem tempo não há diálogo.
Surdez. Num diálogo de surdos, todos falam, mas ninguém escuta, uma zoeira! Será que se ouvem? Chegou a terceira armadilha.
Mudez. Há quem não fale com o cônjuge, falta de assunto, preocupações, falta de jeito, vergonha, não quer preocupar o outro... Quando um não fala, o outro não tem o que ouvir, e a quarta armadilha os prende.
Como não cair nas armadilhas, como enfrentá-las? Alguém pode responder: “Não casem!†Ocorre que homem e mulher foram naturalmente feitos um para o outro. O diálogo é fundamental: por meio dele conversam e se entendem o corpo, a mente e a alma dos cônjuges.
Administração do tempo. O tempo é a coisa mais democrática que existe, onde há ordem e todos se ajudam, o tempo de cada um rende mais. Depois de um dia corrido e cansativo, nem sempre estamos dispostos e com paciência para ouvir o que o outro tem a dizer. Se o casal inicia seu diálogo com oração, é bem difícil o diálogo transformar-se em discussão e esta em briga.
Participação e criatividade. Marido e mulher devem trabalhar sempre somando, cada um aproveitando o que há de melhor em seus dons. A co-participação de marido e mulher em cada aspecto de sua vida conjugal traz solidez ao casamento, à vida a dois; a criatividade no casamento é uma eficaz arma de combate à rotina. Por exemplo: se o marido tem conhecimento de alguma coisa que sua mulher queira, ele faz a vontade dela, mesmo que seja uma caminhada juntos ou um passeio a dois, uma ida a um cinema ou, simplesmente, estar juntos. Vale botar a imaginação para funcionar, criar situações de alegria, fazer surpresas. Nossa imaginação não tem limites, empregada para facilitar a convivência do casal e a fazer crescer seu diálogo, é bênção para os dois e para a família.
Depois de ler o texto todo, alguém vai dizer: â€œÉ muito fácil falar, na prática é diferente!†Bem, podemos até concordar. No entanto, sempre vale tentar algo quando o que está em jogo é nossa felicidade. Afinal, “tudo vale a pena quando a alma não é pequenaâ€! (Profa. Izabel Ramos - RG: 4.779.639)