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CDP em D. Córregos gera polêmica

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Dois Córregos - Uma questão polêmica. Assim é definida a construção de prisões em qualquer parte do País. Sempre que se abre discussão para tratar do assunto, a comunidade é dividida em duas. Enquanto uma parte apóia, a outra desaprova a idéia. Isso é o que vem acontecendo atualmente em Dois Córregos, onde um vereador luta pela edificação de um Centro de Detenção Provisória (CDP).

Essa possibilidade não agrada parte da população, principalmente aquela que é ligada ao setor de Turismo. Na opinião do vereador Marcos Antônio dos Santos (PT), um dos principais idealizadores da proposta, está havendo uma certa confusão em torno do assunto.

Segundo ele, a comunidade está confundindo cadeia provisória com penitenciária.

“O CDP nada mais é do que uma cadeia. Ele iria tirar os presos do centro da cidade e levá-los para o campo”, explicou o vereador.

Por ser um local que abriga apenas presos provisórios, Santos acredita que não há o risco das famílias desses detentos estabelecerem residência na cidade.

“O tempo que eles (presos) passam no CDP é curto. É o tempo suficiente para que sejam julgados”, disse o vereador.

Santos trabalha como segurança no CDP de Piracicaba e, segundo ele, a experiência que possui na área lhe dá o respaldo necessário para garantir que a segurança da população não corre risco.

“O CDP onde eu trabalho nunca teve problemas. Apesar de ser apenas uma cadeia, ela conta com a mesma segurança de uma penitenciária. É um modelo de segurança máxima e que fica isolado da cidade, sem nenhum contato com os moradores”, afirmou.

O CDP de Piracicaba tem capacidade para abrigar 680 presos

Hoje, todo preso provisório do sexo masculino de Dois Córregos é mandado para Jaú. Na cidade existe apenas uma cadeia feminina.

De penitenciária para CDP

A discussão sobre a ida de um CDP para Dois Córregos teve início no ano passado, após um contato do prefeito José Agostino Salata (PDT) com o secretário estadual de segurança penitenciária Nagashi Furokawa.

Na época, o prefeito estava à procura de informações detalhadas sobre a proposta do governo para a construção de novas penitenciárias no Estado.

Na Câmara, nove dos 11 vereadores mostraram-se favoráveis à idéia. Mas, no meio da população iniciou-se um movimento contra a proposta.

A obra foi então descartada pelo poder público do município. Entretanto, este ano, o vereador Marcos Antônio dos Santos conseguiu incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), por meio de uma emenda, a desapropriação de um terreno para futura construção de um CDP.

O local ainda não foi definido. A única certeza do vereador é que ficaria na zona rural do município, ocupada hoje quase que exclusivamente pela plantação de cana-de-açúcar.

Vantagens

Na opinião do vereador, a construção de um CDP em Dois Córregos geraria renda para o município. Nas contas dele, seriam aproximadamente 150 empregos, com capacidade para gerar uma arrecadação mensal de cerca de R$ 200 mil.

Os concursos para preenchimento de vagas para trabalhar nessas prisões são extensivos aos interessados de todo o Estado.

Para o vereador, isso significa que os funcionários aprovados no concurso, na maioria dos casos, estabelecem residência na cidade onde vão trabalhar.

Conseqüentemente, passam a consumir no comércio local, trazendo assim recursos para o município.

Resistência

Nem mesmo a possibilidade de geração de renda e emprego é o suficiente para convencer parte dos moradores da cidade.

No entanto, a resistência da população tem uma razão de existir, na opinião do vereador petista.

“Criou-se uma imagem tão negativa em torno dos centros prisionais, por causa das notícias sobre fugas e rebeliões, que acabou assustando as pessoas.”

Segundo ele, falta um pouco de esclarecimento à população. “Tem até policial contra (a proposta). Até parece que eles não conhecem o sistema”, comenta o vereador.

Se o prefeito encaminhasse o projeto de desapropriação do terreno, para a construção do CDP, na sessão da Câmara de amanhã, Santos acredita que ele passaria, sem problemas.

O vereador informou ainda que, em Dois Córregos, existem hoje mais de 40 pessoas que trabalham como seguranças em presídios ou em CDPs da região.

Incertezas deixam prefeito confuso

Ainda não há nada definido sobre o assunto. A afirmação é do prefeito José Antônio Salata (PDT). Ele disse que ainda está consultando a população e os vereadores para saber da viabilidade de levar um Centro de Detenção Provisória (CDP) para a cidade.

Salata disse que ainda não sabe se a obra trará prejuízos ou benefícios para o município. Segundo ele, a prefeitura só vai decidir pela construção da cadeia se contar com o apoio tanto dos vereadores como da população.

O chefe do Departamento de Turismo, Heusner Grael, foi mais enfático sobre o assunto. Na opinião dele, o mais importante, nessa discussão, é pensar na qualidade de vida dos moradores.

Segundo ele, a construção do CDP iria afetar o cotidiano da cidade porque a maior parte dos presos, na opinião dele, está ligada ao tráfico de drogas e o risco de fuga, mesmo em cadeia provisória, não deve ser descartado.

Grael faz questão de ressaltar que seu pensamento não é necessariamente o mesmo da administração pública. Particularmente, ele acredita que um CDP em Dois Córregos poderá trazer mais prejuízos do que vantagens para a cidade.

“Um presídio, independente de ser provisório ou não, inibe novos investimentos no município”, declarou.

Grael usou Itirapina, como exemplo, para sustentar sua tese. Para o secretário, os dois presídios que existem hoje naquela cidade não teriam contribuído em nada para o desenvolvimento da cidade.

“Além do mais, a construção de uma cadeia na zona rural vai provocar a desvalorização dos terrenos vizinhos”, prevê Grael.

Na opinião dele, o vereador Santos estaria legislando em causa própria. Por ser funcionário do CDP de Piracicaba, ele poderia estar vislumbrando a possibilidade de uma futura transferência para a unidade de Dois Córregos, na opinião de Grael.

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