Qual o caminho para votar em um candidato que mereça a nossa confiança, se o sistema eleitoral brasileiro favorece a corrupção. Existe uma parafernália de legendas e siglas (banco de dados do TSE, informa, 30 partidos com estatutos registrados até 24/06/2002) que confunde o eleitor. Se somarmos a isso o desvio que o voto proporcional provoca nas intenções do eleitor, agravado pelas absurdas coligações, ninguém pode ter a certeza em quem votou no dia da eleição (legislativo). Sem a adoção do voto distrital, sem a proibição de coligações para mandatos legislativos, sem a perda do mandato por infidelidade partidária, sem a exigência de desempenho mínimo para a legenda ter direito a cadeiras no Parlamento e sem estabelecer regras de financiamento público para as campanhas, nada mudará, apenas nomes!
O eleitor, que é a base do sistema democrático representativo, que tem o direito de eleger e de reeleger, esse eleitor não dispõe de meios para cancelar a delegação de confiança quando verifica que foi enganado. Precisamos criar mecanismos legais de interrupção de mandatos, para assegurar a vontade dos eleitores. Os governantes e os parlamentares (federal/estadual/municipal) só ficarão nas mãos do povo quando seus poderes e direitos a prazo fixo forem abolidos. Sabemos que não existem sistemas eleitorais perfeitos, mas o nosso tem que ser aperfeiçoado para que a população tenha controle sobre seus representantes, tanto para o bem (reeleição de parlamentares eficientes), quanto para o mal (não votar novamente nos parlamentares que não tiveram boa atuação). Por enquanto, a população elege candidatos que vão favorecer uma minoria (financiadores de suas campanhas), em função da propaganda enganosa. Afinal, propaganda é a arte de explorar a estupidez humana! (Nildo Matos de Araujo - RG. 11.963.052)