Política

Câmara mantém veto a assédio moral

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A Câmara Municipal manteve o veto do prefeito Nilson Costa (PPS) ao projeto de lei que puniria a prática do assédio moral na administração pública. Na sessão legislativa realizada ontem, o prefeito conseguiu 13 votos a seu favor contra seis que disseram não ao seu veto.

A decisão resultará no arquivamento do projeto, de autoria do vereador José Clemente Rezende (PSB). Em junho passado, o Legislativo aprovou por unanimidade o processo.

Mas Nilson vetou a matéria justificando vício de iniciativa. Ele alega que não cabe à Câmara legislar sobre normas que regulamentam a conduta dos servidores públicos municipais.

No ano passado, o vereador José Carlos Batata (PT) apresentou proposta similar, mas a Comissão de Justiça, Redação e Legislação apontou inconstitucionalidade na matéria.

O relator do processo, na época, foi o vereador Pastor Luiz (PL). Na matéria deste ano, a relatoria do projeto ficou sob a responsabilidade de Milton Dota Jr. (PTB). O petebista não enxergou vício de ilegalidade na proposta e a endossou para o plenário.

Dota Jr., no entanto, mudou de idéia e reconheceu a falha. Votou a favor do veto de Nilson e pediu ao prefeito que encaminhe a proposta à Câmara. “Não podemos incorrer no erro de aprovarmos o projeto e depois termos o seu texto suspenso pelo Tribunal de Justiça”, argumentou.

Perseguição

Clemente tentou convencer seus colegas de plenários a votar contra o veto do prefeito. “Já aprovamos projetos de lei nesta Casa com parecer de ilegalidade”, lembrou.

Ele relatou que recentemente um servidor de carreira foi envolvido numa briga com ocupante de cargo de confiança. O funcionário foi exonerado diante da perseguição de sua chefia.

A articulação do parlamentar para derrubar o veto de Nilson ao projeto contou com o reforço do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB).

“Esse projeto não cria cargos, o que é prerrogativa exclusiva do prefeito. Apenas regulamenta a conduta dos servidores. Essa lei já existe em São Paulo e em outros municípios. O assédio moral existe em todas as esferas da administração pública. É preciso combatê-lo”, afirmou.

Já o vereador Edmundo Albuquerque (PPS), integrante da base governista, acha que não há necessidade da lei. “A Corregedoria da prefeitura está aí para tomar as providências necessárias”, disse.

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