Bairros

Calçada ainda é o 'terror' de deficientes

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Transitar poucos metros pelas ruas de Bauru ainda é uma tarefa difícil para deficientes usuários de cadeiras de rodas ou muletas. Ausência de rampas de acesso, degraus, desníveis e buracos são alguns dos problemas encontrados por eles.

“A calçada é um terror. Pela lei, ela tem que ter uma inclinação de, no máximo, dois por cento. Mas elas têm muito mais. Para quem anda de cadeira de rodas, muletas e bengalas, é um terror”, diz Francisco Takao Kajino, coordenador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comud).

Até mesmo obstáculos provocados pelo mau assentamento do piso de pedra pode significar um problema intransponível para o usuário de cadeira de rodas, que muitas vezes prefere arriscar-se trafegando pelo asfalto.

Lei

Uma lei municipal de 1999 estabelecia ao poder público 12 meses para que a área central da cidade fosse adaptada para os deficientes, assim como as áreas consideradas prioritárias - acesso a hospitais, centros de saúde, escolas e terminal rodoviário.

“O poder público não conseguiu cumprir”, lamenta Takao, que lembra que, no final de 2001, foi aprovada uma lei que garante acesso aos deficientes em serviços prestados também pelos setores privados, como bares, hotéis e teatros.

“Hoje, a Seplan não permite aprovar planta de prédio de prestação de serviços sem adaptação”, afirma o coordenador do Comud.

O resultado geral, no entanto, não é muito satisfatório. Takao afirma que avanços foram feitos, mas muita coisa não mudou de um ano para cá. “Mudar, mudar, não mudou muito não”, observa.

Para ele, as calçadas na área central estão melhores. No entanto, a dificuldade é mudar de quarteirão, já que não há rampas. O Calçadão agora tem rampas, mas foram malfeitas: elas têm um pequeno degrau no início e há um desnível entre a sarjeta e o asfalto. â€œÉ perigoso cair ou ficar entalado ali”, conta Takao. Outro problema é a danificação das cadeiras de rodas.

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Prioridades da Seplan

O acesso a deficientes físicos na área central ainda não é adequado porque foram estabelecidas prioridades. É o que afirma a titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano.

Hospitais, escolas e áreas como cinemas foram colocadas em primeiro plano. Maria Helena destaca o acesso ao Centrinho, às esquinas da Rodrigues Alves e ao Calçadão.

Ela afirma também que as novas escolas agora são todas adaptadas. “Alguma coisa já foi feita. Onde nós mexemos por algum motivo, nós também adaptamos, mas não é possível cumprir o prazo de 12 meses pelo volume de obras”, justifica a secretária.

A execução das obras, além disso, depende de recurso da Secretaria Municipal de Obras.

Quanto aos desníveis nas calçadas, causados por irregularidades cometidas pelos proprietários de imóveis, Maria Helena afirma que está havendo fiscalização e controle, apesar de ainda haver problemas nesse sentido.

Se depender dos futuros arquitetos, talvez o problema de acesso aos deficientes seja amenizado daqui a alguns anos. Na manhã de ontem, alunos do curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sentiram na prática como é difícil andar em cadeira de rodas no Centro.

Sentados em algumas delas, eles tentaram percorrer quarteirões nas imediações do Calçadão e encontraram muitas dificuldades.

“Nada como sentar numa cadeira de rodas e tentar passar num local, entrar num banheiro, vencer as deficiências do piso que não é bem assentado e ter acesso a lojas e bancos”, observa a professora da disciplina, Maria Helena Rigitano.

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