Política

Emdurb já analisa reajuste de tarifa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) pretende definir até o final deste mês o pedido de reajuste na tarifa de transporte coletivo, feito em julho pelas empresas. O presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, informou ontem que está analisando as argumentações das concessionárias para enviar um relatório ao prefeito Nilson Costa (PPS). Desta vez, o reajuste não foi feito em forma de percentual em relação ao valor atual de R$ 1,00 da tarifa. O protocolo projeta os custos em algo próximo de R$ 1,25 para cobrir as despesas.

Contudo, dificilmente este valor será autorizado pelo Executivo Municipal. Em junho do ano passado, data do último reajuste, o prefeito Nilson Costa (PPS) autorizou a passagem da tarifa de R$ 0,90 para R$ 1,00. Na época, a dívida na Câmara de Compensação Tarifária (CCT) já superava R$ 2 milhões e nem por isso o prefeito aceitou o índice solicitado pelas empresas.

A CCT compõe o custo do sistema por quilômetro rodado, o volume de passageiros e outros indicadores. Os custos operacionais, fixos e de manutenção são projetados no cálculo. O resultado final leva a uma planilha que indica o valor necessário para que o sistema não seja deficitário.

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) apontou na planilha de custos enviada à Emdurb o aumento dos insumos e o prejuízo acumulado de cerca de R$ 3 milhões na operação. O valor é reconhecido pelo própria Emdurb na compensação entre receita e custo do sistema. O presidente da Transurb, José Antonio Jacomelli, - que fala em nome das empresas Grande Bauru, Cidade Sem Limites e TUA - disse, ontem à noite, que o pedido foi formulado em julho.

Jacomelli justificou que a solicitação visa aproximar a receita do sistema ao seu custo total. “Nós não estamos pedindo a recomposição com base em um percentual. Nós fizemos uma projeção dos custos operacionais, levantamos o déficit operacional verificado pela própria Emdurb na Câmara de Compensação e projetamos a necessidade para recompor os valores. A partir disso é que estamos discutindo um valor que dê fôlego ao sistema e que não ofereça grande sobrecarga sobre o usuário”, comenta.

O presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz, avalia que deverá concluir o estudo no final do mês. Após, o relatório opinando pela concessão ou não do reajuste será enviado ao prefeito para análise. O chefe do Executivo é que decide pelo reajuste ou não e qual o valor, através de decreto. “As discussões sobre tarifa no transporte coletivo têm a análise final pelo prefeito. É uma questão sempre polêmica. De um lado temos os custos pressionando a execução dos serviços e de outro a proteção do usuário”, cita.

Edmilson indica que dificilmente o pedido será recusado. O que falta definir é o valor. “Tecnicamente, está difícil manter a tarifa atual. As empresas elencam os aumentos nos combustíveis, que foram seguidos, o reajuste no custo dos pneus e outros indicadores como o dissídio coletivo da categoria concedido em julho retroativo a maio. Estamos analisando com o cuidado que o caso merece levando em conta todas as variáveis”, afirma. Os trabalhadores das empresas obtiveram 8,16% de aumento no dissídio deste ano.

Reestruturação

O presidente da Emdurb conta que também está pesquisando os custos de outras cidades do porte de Bauru e avaliando as diferentes realidades. â€œÉ claro que essa abordagem tem que levar em conta critérios técnicos, econômicos e sociais. Até o desenho do sistema com seus itinerários pode implicar em custo maior ou mais reduzido de uma cidade para outra. Estamos também iniciando uma análise que leva a uma projeção com o início do processo de integração do sistema”, comenta.

A reestruturação do sistema, batizada pela Emdurb de modelagem, deverá ter a sua principal etapa inicial em janeiro do próximo ano. O estudo aponta para um sistema com linhas, horários e distâncias mais racional. Outra providência será a instalação de um software de monitoramento do sistema de transporte coletivo. Edmilson diz que as pesquisas já foram iniciadas. “Acreditamos que a integração das linhas possa ocorrer bem antes dos próximos dois anos, como estava projetado inicialmente”, diz.

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