O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso denunciou ontem a Ferrovias Bandeirante (Ferroban) no Ministério Público do Trabalho.
Segundo o coordenador-geral da entidade, Roque Ferreira, licenciado da função, a operadora ferroviária quer alterar o modelo de condução de trens no trecho Bauru-Mairinque, de 250 quilômetros.
Atualmente, os comboios são operados por dois maquinistas, um dos quais na condição de auxiliar. A empresa tentou, na semana passada, retirar o auxiliar da função para manter apenas um condutor na operação.
O sindicalista licenciado afirma que o procedimento é de “alto risco†para o condutor e para a população ribeirinha que reside à margem da linha ferroviária.
“A segurança da composição fica seriamente prejudicada com esse tipo de condução. Inclusive os funcionários destacados para a função recusaram-se a operar a composição desta maneira e aguarda do Ministério Público a proposição de ação cautelar para suspender o procedimentoâ€, relata.
Ferreira diz que esse tipo de operação contraria todas as normas vigentes do transporte ferroviário, principalmente as composições que envolvem produtos perigosos, como os derivados de petróleo.
Ontem, a Ferroban oficializou o procedimento em reunião realizada em Botucatu. Seus técnicos informaram a decisão a um grupo de maquinistas. Os condutores, porém, se recusaram a acatar a ordem e protocolaram um documento junto a chefia informando os motivos de seu descumprimento.
“Eles argumentaram que querem preservar a integridade física e a segurança da populaçãoâ€, diz Ferreira.
A direção do sindicato também encaminhou à Delegacia Seccional de Polícia de Bauru ofício pedindo a abertura de inquérito policial para apurar responsabilidades penais na situação.
O Ministério Público do Trabalho em Bauru agendou reunião para sexta-feira entre a entidade sindical e os representantes da Ferroban.
A assessoria de imprensa da operadora ferroviária informou que a empresa passa por um processo de reestruturação pós-privatização e que “algumas mudanças†são necessárias para adequar o sistema.