Economia & Negócios

Volume de penhores cresce 30% no semestre em Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

O volume de empréstimos através de penhor realizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru aumentou em 30% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de 2001, de acordo com a gerente-geral do Escritório de Negócios (EN) da CEF, Selma Peres Rubira. Por medida de segurança, a Caixa não divulga o valor em reais dos penhores na cidade.

No País, o penhor da CEF realizou empréstimos no total de R$ 1,55 bilhão durante os seis primeiros meses de 2002, que corresponde a uma evolução de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor de penhores efetuados ficou em R$ 1,23 milhão. Segundo informações da Caixa, o número de operações também cresceu 10% no semestre, passando de 4.118.929 para 4.558.300.

Ainda segundo dados da Caixa, em 2002 a média diária de empréstimos chega a R$ 13 milhões. Por penhor, o valor médio de empréstimo é de R$ 329,00. Em 1999, por exemplo, essa média era de R$ 270,00.

No entanto, o aumento da cotação do ouro no mercado pode ter contribuído para o crescimento do valor dos empréstimos. No último dia 1 de julho, a Caixa alterou o valor da unidade de Penhor (UP), que passou de R$ 18,00 para R$ 20,00. Com isso, a mesma jóia vale 20% a mais hoje do que valia em junho.

Rapidez

De acordo com Selma, o penhor é uma operação que vem registrando crescimento ano a ano. Para ela, o que mais atrai no “prego” é a pouca burocracia e a segurança do negócio. “Tem crescido pela facilidade, por não depender de terceiros, de pesquisas cadastrais. É um empréstimo rápido”, relata a gerente-geral.

Para realizar empréstimo através de penhor, basta ter as jóias e os documentos. A Caixa libera recursos equivalentes a 80% do valor da jóia avaliada. A taxa de juros é dividida em duas faixas: a primeira, de 2,95%, é aplicada para quem empresta até R$ 300,00. Acima desse valor, na segunda faixa, os juros ficam em 3,5%. “A taxa de juros é mais baixa do que em outros tipos de empréstimos”, observa Selma.

De acordo com um dos avaliadores da CEF em Bauru, Eugênio Bertoli, o valor do empréstimo é definido pelo peso da jóia. “A avaliação que a Caixa faz não é o valor da jóia, é o peso que ele tem em ouro, por exemplo. É o valor do material que conta, pode ser ouro branco, platina, diamante”, explica.

Emergência

Um grande número de pessoas que penhoram as jóias voltam a fazê-lo em outra oportunidade, segundo Selma. Além das facilidades, o cliente sabe que corre pouco risco de “perder” o bem se fizer um empréstimo bem planejado, fato difícil em tempos de crise econômica. “O cliente tem uma certeza que, tendo uma jóia, ele vai poder levar os recursos”, declara a gerente-geral.

O comerciante Daniel Rodrigues, 32 anos, afirma que já colocou jóias no “prego” em outras oportunidades, sempre que quer regularizar uma conta ou quando precisa do dinheiro com urgência. â€œÉ um negócio seguro. Quando tenho de pagar alguma conta de emergência, recorro ao penhor”, revela

Para Rodrigues, o principal atrativo do penhor são os juros baixos, além da garantia de que vai poder recuperar seu bem ao fim do contrato. â€œÉ uma coisa que compensa. É seu e retorna para você”, afirma.

A artesã Doraci Florentino, 48 anos, concorda que o penhor é um recurso bastante seguro, mas afirma que, antes de fazer o contrato, é necessário programar bem o pagamento. “Numa emergência, é ótimo, mas desde que você tenha consciência para poder resgatar”, diz.

Doraci conta que, quando precisou de dinheiro rápido certa vez, fez o “teste” do penhor e gostou, mas, mesmo assim, evita ao máximo contrair empréstimos. “No mês de resgate, você tem de ter esse dinheiro, porque se deixar a jóia aqui vira uma bola de neve. É fácil emprestar dinheiro, o difícil é pagar”, completa.

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Desde 1861

O penhor, junto com a poupança, foi uma das primeiras atividades da Caixa Econômica Federal desde 1861, quando a instituição foi criada, segundo estudo do historiador Nildo Wilson Luzio.

O Imperador Dom Pedro II idealizou a atuação da Caixa como disponibilizadora de recursos mediante garantia feita por objetos de ouro e prata, a juros abaixo dos praticados pelas famosas “casas de prego”.

O próprio nome “prego” vem daquelas casas - onde o que se praticava, na verdade, era “agiotagem”. Lá, as jóias eram depositadas em sacolas de pano, penduradas em uma espécie de cabide de pregos na parede.

A atividade de penhor na Caixa era realizada pelo chamado Monte de Socorro, expressão de origem portuguesa, que funcionava conjuntamente com o banco.

Com o decreto 24.427, de 14 de junho de 1934, a Caixa passa a deter o monopólio sobre o penhor em todo o terrirtório nacional, extingüindo, pelo menos aparentemente, as casas de prego controladas por particulares.

Conforme o decreto, não só jóias podiam ser penhoradas. Até brinquedos de criança passaram a ser aceitos como garantia. De acordo com o historiador Luzio, passou a ser comum ocorrer devoluções desses objetos, especialemnte na Semana da Economia. Além dos brinquedos, naquelas ocasiões eram devolvidos instrumentos de trabalho, roupas e alianças.

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