O volume de empréstimos através de penhor realizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru aumentou em 30% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de 2001, de acordo com a gerente-geral do Escritório de Negócios (EN) da CEF, Selma Peres Rubira. Por medida de segurança, a Caixa não divulga o valor em reais dos penhores na cidade.
No País, o penhor da CEF realizou empréstimos no total de R$ 1,55 bilhão durante os seis primeiros meses de 2002, que corresponde a uma evolução de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor de penhores efetuados ficou em R$ 1,23 milhão. Segundo informações da Caixa, o número de operações também cresceu 10% no semestre, passando de 4.118.929 para 4.558.300.
Ainda segundo dados da Caixa, em 2002 a média diária de empréstimos chega a R$ 13 milhões. Por penhor, o valor médio de empréstimo é de R$ 329,00. Em 1999, por exemplo, essa média era de R$ 270,00.
No entanto, o aumento da cotação do ouro no mercado pode ter contribuído para o crescimento do valor dos empréstimos. No último dia 1 de julho, a Caixa alterou o valor da unidade de Penhor (UP), que passou de R$ 18,00 para R$ 20,00. Com isso, a mesma jóia vale 20% a mais hoje do que valia em junho.
Rapidez
De acordo com Selma, o penhor é uma operação que vem registrando crescimento ano a ano. Para ela, o que mais atrai no “prego†é a pouca burocracia e a segurança do negócio. “Tem crescido pela facilidade, por não depender de terceiros, de pesquisas cadastrais. É um empréstimo rápidoâ€, relata a gerente-geral.
Para realizar empréstimo através de penhor, basta ter as jóias e os documentos. A Caixa libera recursos equivalentes a 80% do valor da jóia avaliada. A taxa de juros é dividida em duas faixas: a primeira, de 2,95%, é aplicada para quem empresta até R$ 300,00. Acima desse valor, na segunda faixa, os juros ficam em 3,5%. “A taxa de juros é mais baixa do que em outros tipos de empréstimosâ€, observa Selma.
De acordo com um dos avaliadores da CEF em Bauru, Eugênio Bertoli, o valor do empréstimo é definido pelo peso da jóia. “A avaliação que a Caixa faz não é o valor da jóia, é o peso que ele tem em ouro, por exemplo. É o valor do material que conta, pode ser ouro branco, platina, diamanteâ€, explica.
Emergência
Um grande número de pessoas que penhoram as jóias voltam a fazê-lo em outra oportunidade, segundo Selma. Além das facilidades, o cliente sabe que corre pouco risco de “perder†o bem se fizer um empréstimo bem planejado, fato difícil em tempos de crise econômica. “O cliente tem uma certeza que, tendo uma jóia, ele vai poder levar os recursosâ€, declara a gerente-geral.
O comerciante Daniel Rodrigues, 32 anos, afirma que já colocou jóias no “prego†em outras oportunidades, sempre que quer regularizar uma conta ou quando precisa do dinheiro com urgência. â€œÉ um negócio seguro. Quando tenho de pagar alguma conta de emergência, recorro ao penhorâ€, revela
Para Rodrigues, o principal atrativo do penhor são os juros baixos, além da garantia de que vai poder recuperar seu bem ao fim do contrato. â€œÉ uma coisa que compensa. É seu e retorna para vocêâ€, afirma.
A artesã Doraci Florentino, 48 anos, concorda que o penhor é um recurso bastante seguro, mas afirma que, antes de fazer o contrato, é necessário programar bem o pagamento. “Numa emergência, é ótimo, mas desde que você tenha consciência para poder resgatarâ€, diz.
Doraci conta que, quando precisou de dinheiro rápido certa vez, fez o “teste†do penhor e gostou, mas, mesmo assim, evita ao máximo contrair empréstimos. “No mês de resgate, você tem de ter esse dinheiro, porque se deixar a jóia aqui vira uma bola de neve. É fácil emprestar dinheiro, o difícil é pagarâ€, completa.
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Desde 1861
O penhor, junto com a poupança, foi uma das primeiras atividades da Caixa Econômica Federal desde 1861, quando a instituição foi criada, segundo estudo do historiador Nildo Wilson Luzio.
O Imperador Dom Pedro II idealizou a atuação da Caixa como disponibilizadora de recursos mediante garantia feita por objetos de ouro e prata, a juros abaixo dos praticados pelas famosas “casas de pregoâ€.
O próprio nome “prego†vem daquelas casas - onde o que se praticava, na verdade, era “agiotagemâ€. Lá, as jóias eram depositadas em sacolas de pano, penduradas em uma espécie de cabide de pregos na parede.
A atividade de penhor na Caixa era realizada pelo chamado Monte de Socorro, expressão de origem portuguesa, que funcionava conjuntamente com o banco.
Com o decreto 24.427, de 14 de junho de 1934, a Caixa passa a deter o monopólio sobre o penhor em todo o terrirtório nacional, extingüindo, pelo menos aparentemente, as casas de prego controladas por particulares.
Conforme o decreto, não só jóias podiam ser penhoradas. Até brinquedos de criança passaram a ser aceitos como garantia. De acordo com o historiador Luzio, passou a ser comum ocorrer devoluções desses objetos, especialemnte na Semana da Economia. Além dos brinquedos, naquelas ocasiões eram devolvidos instrumentos de trabalho, roupas e alianças.