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Onde as terras que não vêm?


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É expressivo o número dos sem-terra disseminados no amplo território rurícola brasileiro, notadamente nos Estados de Mato Grosso do Norte e do Sul, Goiás, Pará e Maranhão, não se podendo esquecer São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. E já foram algo mais, porquanto, desiludidos, outros conglomerados iguais foram aos poucos retornando para as zonas urbanas das quais tinham saído. Os que permaneceram nas regiões inicialmente ocupadas lá continuam, indiferentes aos seus problemas individuais, familiares e comunitários, ali tentando quase sem efeito superar as situações, ora pacificamente, ora à valentona, esta exteriorizada por invasões de outras áreas, consideradas imprescindíveis para que possam induzir os poderes públicos a alguma atitude humana a seu favor, doando-lhes uns poucos hectares ou alqueires ou, mesmo, alguns metros, para o que dependem de leis ou decretos que raramente o Congresso lhes concede. Alguma coisa já foi feita em tal sentido, mas, inegavelmente, muito pouco para acudir às necessidades dos postulantes... Então, até glebas hipoteticamente desocupadas, pertencentes ao atual presidente da República, governadores e parlamentares, já foram corajosamente invadidas pelas legiões de homens, mulheres e crianças que, sem moradia, sem roupas, com fome e a saúde abalada, andam por aí procurando alojar-se em alguma “vaga” dos terrenos agrícolas aparentemente sem donos. É uma luta pela sobrevivência que dura muito tempo, com os sem-terra condenados a viverem o mais ínfimo padrão de vida, pois que, inclusive, não desfrutam de qualquer proteção trabalhista. Por que, historicamente, nasceu essa categoria, cuja existência lança nos corações condoídos uma saraivada de tristezas e comoções, determinando que tantos braços continuem imobilizados por falta de solo, ou seja, terra para trabalhar?

Trata-se de um problema cuja análise é sumamente complexo. Surgiu na década de 80, quando os avanços capitalistas na agricultura ganhavam evolução segundo o propósito de formar propriedades que plantasse para exportar a bom preço e, a partir daí, reduziram-se as áreas que poderiam ser alocadas, até gratuitamente, aos desprovidos de terras, os quais, por isso, prosseguem por aí como expoentes de um verdadeiro drama social, muitas vezes acrescido de deplorados litígios entre rurícolas e contingentes policiais, paisagem que expõe todos às chuvas e trovoadas que constantemente são mostrados pela televisão e demais meios de informações. Lamenta-se, com razão. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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