Tribuna do Leitor

O teatro


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Nunca vi uma eleição presidencial tão comentada como esta. Nas ruas, lojas, lanchonetes, ônibus e outros locais que agrupam a massa, só se ouve falar dos partidos, dos presidenciáveis e das promessas. Pergunta: Qual o motivo de tão grande conversação entre os eleitores sobre tal corrida à maior representação do país? A conclusão é clara e dolorida: nunca tivemos partidos políticos e presidenciáveis tão despreparados como agora. Nunca a política do populismo foi tão propagada como nesta eleição. Nota-se nos seis candidatos que concorrem à “representação” do país têm suas estratégias para alcançar a confiança do povo; todas passivas a críticas. Em primeiro plano, temos a estratégia “política” do populismo; este oferecido por dois dos partidos que compõem esta corrida para o lugar mais alto do podium. Estes, em detrimento às propostas de governo, vomitam no povo as promessas incabíveis e inescrupulosas, impossíveis de serem cumpridas. Em segundo plano, temos a estratégia “política” do “vale-tudo”. Nesta, vale tudo para alcançar a posição de representação do país, como coligações inadmissíveis de partidos políticos historicamente inimigos, passíveis até mesmo de serem comparadas com um inusitado passeio de Bush e Bin Laden pelos jardins do Pentágono de mãos dadas e cantando a música inglesa “We are the Champion”. Impossível, não ? E em terceiro plano, contamos com a estratégia “política” da continuidade. Esta reza o absurdo que a continuidade do plano governamental pré-existente seja a melhor saída. Difícil de engolir! Enfim, a eleição presidencial para a República Federativa do Brasil de 2002 parece mais uma peça teatral cômica ou de suspense? É, ninguém sabe. Sabe-se apenas que os protagonistas principais são os partidos e seus presidenciáveis e a platéia, o povo brasileiro que não sabe se aplaude ou chora diante a nebulosidade crescente na política nacional, onde o povo é o menos favorecido. Estamos longe da democracia. Estamos longe de ser representado por um partido que tenha propostas de governo e não promessas. No palco nacional a peça teatral continua; o final quase ninguém sabe. O certo é que não existirão aplausos. (Melquisedeque da Costa Queiroz de Castro - bacharel em Teologia e reverendo da Igreja Presbiteriana em Bauru - RG 36598.849-2)

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