Esportes

Tristeza e esperança marcam Noroeste

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

A crise que abala o Noroeste está deixando sua torcida cada vez mais apreensiva. O clube, que no dia 1º de setembro completará 92 anos de fundação, agoniza. Para a imprensa e esportistas em geral, só um grupo de empresários, todos eles bem sucedidos, poderá tirar o Norusca do caos.

José Roberto Pavanello, presidente da Sangue Rubro, principal facção da torcida organizada, diz que para o Norusca ressurgir das cinzas, terá que começar do zero, “com novos dirigentes, jogadores, comissão técnica e funcionários”.

“Estamos tristes com esse péssimo momento vivido pelo Norusca, uma paixão sem limites, mas tenho a esperança que a situação será revertida”.

O radialista e pequeno empresário, Celso Zinsly, também acha que o Noroeste precisa de uma reformulação ampla e urgente, a começar pelos dirigentes. “Respeito alguns deles que já fizeram coisas boas pelo clube, mas que agora estão superados e não têm condições de ser nem diretor social quanto mais presidente ou articulador político no Noroeste”.

Celso diz que o clube precisa pagar as dívidas, se organizar, e isso poderia começar desde já, sem pensar no acesso em 2003.

“Com pratas da casa e um ou dois jogadores experientes, para dar equilíbrio ao time, o Noroeste pode correr por fora e ser vitorioso na Série A-3 do ano que vem. Se não der para brigar pelo título, o negócio é lutar para se manter na divisão e cuidar do futuro, da boa estrutura e estabilidade, para ser campeão em 2004”, completou Celso Zinsly.

E não é segredo para ninguém que os empresários favoritos do público para administrar o Alvirrubro são Érico Braga, Nélson Comegnio, Damião Garcia, Toninho Gimenez e Francisco Simões Barbosa, entre outros, como o ex-presidente Ibrahim Cameschi.

Esses beneméritos poderiam ter assumido o comando noroestino, mas na eleição de outubro do ano passado, uma outra facção foi apresentada e não houve disputa. Valdomir Mandaliti foi eleito por aclamação, e o grupo liderado por Érico e Damião afastou-se do clube, embora sempre colaborando - em alguns jogos da Série A-3 deste ano, por exemplo, arranjaram ônibus para as viagens e bancaram despesas dos hotéis.

Renúncias

Como o clube não tem corpo associativo, nenhuma fonte de renda e sem receber o apoio da cidade, Valdomir Mandaliti renunciou em abril. Aí as coisas pioraram mais ainda para o Noroeste, que participou de quase todo o returno da A-3 - encerrado em 30 de junho - sem presidente, diretor de Futebol e atrasando o pagamento de salários.

Em julho foi realizada uma polêmica eleição, e como ninguém se habilitou ser presidente, José Sidnei Florenzano aceitou o desafio de ser investido no cargo. Mas seu “mandato” durou só um mês. O Noroeste não tem Diretoria e nem Conselho, porque no dia 3 do corrente, o presidente do órgão deliberativo, Hermínio Alcântara Filho, havia renunciado.

Florenzano, que seria do grupo de Cláudio Amantini, iludiu-se, achando que poderia tirar o clube dessa “encrenca”, e que vendendo o passe de Roger tudo estaria normalizado. Além disso, Florenzano, um noroestino apaixonado, ficou sozinho na Diretoria, sendo abandonado até por companheiros que o colocaram na direção do clube.

Agora o Norusca está no fundo do poço. Afinal, tem uma dívida de mais de R$ 500 mil, e nenhuma credibilidade na praça; deve mais de cinco meses de salários aos jogadores, membros da comissão técnica e funcionários. E o pior é que os jogadores não sabem para quem reconhecer.

Esperança

“Claro que nunca houve uma situação ruim como agora, mas o Noroeste já viveu grandes crises e vai sair dessa. Um time de futebol que chega aos 92 anos não vai morrer nunca”, afirma Zé Carlos, gerente do Graal Sem Limites, uma rede nacional de postos-restaurantes.

“O Noroeste não vai acabar e nem ser desfiliado da Federação Paulista, mas é evidente que precisa da ajuda da torcida e do empresariado”, completou Zé Carlos, disposto a colaborar com o Noroeste e com o Bauru Basquete. (o Jornal da Cidade tem recebido e-mails e telefonemas de torcedores preocupados com a situação e principalmente ao futuro do clube, mas existem aqueles que ainda têm esperança em dias bem melhores - até na volta um dia do Noroeste ao grupo de elite).

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